| VIVA OS TUBOS DE ENSAIO!!!
Aula de ciências era mais que decorar a tabela periódica em O mundo de Beakman
por Mariana Zanini (
zaninimari@yahoo.com.br )

prender Ciências na escola do modo tradicional nunca foi tarefa extremamente fácil. Os laboratórios e maquetes do corpo humano podem até auxiliar no aprendizado, mas uma coisa é certa: não haverá forma mais divertida de se entender teorias físicas, químicas e biológicas como no programa O mundo de Beakman.
Para quem tem menos de 18 anos talvez fique um pouco difícil de lembrar, mas é o seguinte: em O mundo de Beakman, era possível se divertir e aprender de maneira absurdamente fácil as mesmas matérias que o professor tentava a todo custo colocar na cabeça dos alunos, além de ficar sabendo uma série de curiosidades e algumas informações inúteis mesmo. Ali, não importava a faixa etária, pois o programa atraía desde crianças até adultos.
Lançada em 1993, pela Columbia, e inspirada nos quadrinhos You can with Beakman and Jax, a atração era comandada por Beakman (Paul Zaloom), um cientista de cabelos arrepiados e jaleco verde que usava dos mais criativos artifícios para responder cartas fictícias com dúvidas sobre Ciência em geral. Ali, valia tudo: desde encarnar personagens históricos como Albert Einstein, Isaac Newton e Da Vinci, passando por super-heróis como o Homem Equilíbrio, até (argh) adentrar um tubo de muco, no episódio considerado clássico pelos fãs do programa. Devidamente escoltado por seus assistentes Lester (Mark Ritts), um hilário ator fracassado vestido de rato e pela louquinha e estilosa Rosie (Alanna Ubach), Beakman procurava explicar coisas como o processo de corrosão, o uso do barômetro e fissão nuclear com encenações malucas e experiências mais desvairadas ainda – para o desespero das mães dos aprendizes de cientista.
Esta sacada de ensinar divertindo, chamada edutainement (e que surgiu com a Vila Sésamo, de Jim Henson, na década de 70), proporcionava diversão aos telespectadores ao mesmo tempo em que eles aprendiam conceitos considerados “chatos” ou “complicados” justamente pelo modo equivocado de se ensinar. Este tédio das aulas “decoreba” era satirizado pelo próprio Beakman, com o personagem Professor Chatoff.
Além do cientista e de seus atrapalhados assistentes, o show também contava com as participações de Don e Herb, dois pingüins que acompanhavam o programa do Pólo Norte, fazendo comentários cômicos; o frango Fajuto, que na verdade era a mão de Lester; Vlavaav, um hippie que falava sobre o Arco-Íris; o cozinheiro nada higiênico Artie Burn, entre outros personagens que garantiam muitas risadas aos telespectadores curiosos de plantão.
Havia, ainda, o quadro “Desafio de Beakman”, em que o apresentador lançava uma pergunta que seria respondida somente no fim do programa. Era uma ótima oportunidade para fazer competições em casa e vasculhar enciclopédias e livros. O cenário também era pra lá de atrativo: colorido, bagunçado e cheio de objetos curiosos, o laboratório de Beakman era o sonho de consumo de qualquer adolescente (ou adulto) fissurado em Ciências.
Pode ser que muitos professores mais tradicionais não tenham gostado do programa, mas o fato é que dali eles poderiam tirar valiosas lições de como tornar suas aulas mais divertidas e dinâmicas. Assistir a programas como esse não é um sinal de preguiça ou acomodação dos alunos: é também um alerta para que as aulas de Ciência não se restrinjam apenas a decorar tabelas e conceitos, já que a matéria pode e deve ser transportada para o cotidiano dos alunos. O esperto Beakman já sabia disso!
Extras:
Site You can with Beakman and Jax (em português)
Comunidade do programa no Orkut (em português)
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