Picosearch
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop

14 a 28 de maio de 2005

Equipe Edições Anteriores

DE OLHOS BEM ABERTOS
Sucessos nipônicos de terror estão cada vez mais ganhando remakes americanos
por Luiz Andreghetto ( luiz_andreghetto@hotmail.com )

om o final das seqüências caça-níqueis de terror, que vão desde possessões demoníacas ( O Exorcista ), fantasmas brincalhões ( Poltergeist ), assassinos maníacos ( Halloween ), bonecos psicopatas ( Brinquedo Assassino ) até os “ídolos pop” que dominaram os sustos nos anos 80, Jason ( Sexta-Feira 13 ) e Freddy Krueger ( A Hora do Pesadelo ), Hollywood tenta desesperadamente reavivar um gênero que, atualmente, padece de clichês e falta de criatividade. Com o desgaste da fórmula que não consegue fugir do esquema adolescentes-perseguidos-por-assassino-psicótico/sobrenatural (alguém se lembra de Pânico ?), Hollywood tem voltado seu olhar para a “terra do sol nascente”.

Responsável por uma das mais respeitadas filmografias do século passado, o Japão ficou conhecido pelos grandes mestres que apresentou ao Ocidente: Akira Kurosawa ( Ran , Sonhos ), Kenji Mizoguchi ( Elegia de Osaka ), Takeshi Kitano ( Dolls , Hanna-bi ), Hayao Miyazak ( A Viagem de Chihiro ), Shohei Imamura ( A Balada de Narayama ) e Nagisa Oshima ( O Império dos Sentidos ). Vencedores de vários prêmios nos maiores e mais importantes festivais de cinema do planeta (Cannes, Berlim, Veneza, Oscar), o cinema japonês é mais conhecido por filmes contemplativos e intimistas de grande qualidade técnica e plasticidade, e não por causar medo e sustos nas pessoas.

Isso começou a mudar em 2002, com uma ligação telefônica que dava apenas sete dias de vida a uma pessoa que acabara de assistir a uma fita de vídeo amaldiçoada. O Chamado (The Ring) , dirigido por Gore Verbinski e adaptado da trilogia japonesa Ringu , de Hideo Nakata, foi o principal responsável pela atual invasão japonesa. Lançado em 1998, Ringu tornou-se um dos maiores sucessos de bilheteria da história do Japão, sendo seguido por Ringu 2 e Ringu 0: The Birthday (que conta os acontecimentos ocorridos antes do filme original). Com o sucesso de O Chamado , Hollywood começou abrir os olhos para o terror nipônico e convocou o próprio Nakata para a direção de O Chamado 2 (2005), nada mais que um remake para solo americano de Ringu 2 (1999).

Aproveitando o bom momento, outra trilogia japonesa é colocada à prova. Ju on , lançada do lado de lá do planeta em 2000, ganhou uma cópia rodada em inglês, com a mesma história e o mesmo diretor, Takashi Shimizu. Batizada nos EUA como The Grudge e no Brasil como O Grito (2004), o filme já está com uma seqüência em andamento.

Mesmo não sendo japoneses, os irmãos Pang, naturais de Hong Kong e também de olhos puxados, acabaram entrando de “gaiatos” nessa história. Aproveitando o sucesso de seus conterrâneos asiáticos, caíram nas graças dos americanos com o filme The Eye – A Herança ( Jian gui , 2002), cuja versão passada nas terras do Tio Sam, também já está em pré-produção, com a direção de (adivinhem quem?) Hideo Nakata. Após O Chamado 2 , essa será a segunda incursão de Nakata pela direção em Hollywood – se você pode contabilizar dividendos de duas franquias, por que se contentar com uma?

Mas será esta apenas mais uma onda passageira? Tudo indica que não. Mas muito do poder dessas refilmagens/adaptações dependem da estréia de Dark Water , remake que cooptou o brasileiro Walter Salles, baseado em outro sucesso de Nakata, Honogurai mizu no soko kara (2002). A produtora Touchstone Pictures acredita tanto no potencial de sucesso de Dark Water que programou-o para estrear no mesmo dia que Quarteto Fantástico , grande aposta da Fox que dá continuidade a outra “onda passageira” de alguns anos atrás – as adaptações de HQs.

Também Wes Craven, criador de Freddy Krugger e da série Pânico , prepara-se para abocanhar sua fatia desse nicho com uma versão de Kairo , do diretor Kyioshi Kurosawa. Além de sobrenome de mestre, Kyioshi conta no currículo com o elogiado Cure (1997), cult de horror que ainda não foi lançado no Brasil, mas obteve ótimas críticas americanas.

Caso esses remakes continuem obtendo os excelentes resultados, traduzidos em bilheteria, é bom preparar-se para cada vez mais sentir medo, pois o pesadelo pode estar apenas começando e os sustos estão muito mais próximos do que imaginamos, talvez em um simples toque do telefone, dentro de uma TV, em uma casa, na água...