| CINEMA COM BALADA
Odisséia de Cinema leva música e agito para as madrugadas cinéfilas de SP
por
Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )
Fotos por Thiago Vieira

ma mistura nada convencional iniciou o que pode ser o despontar de uma nova tendência. É a Odisséia de Cinema, evento realizado em 29 de abril no Espaço Unibanco de Cinema de São Paulo e organizado pela Rain Network Cinema Digital. Inspirado no Noitão HSBC Belas Artes, em São Paulo, e na Maratona de Cinema, no Rio de Janeiro, que exibem filmes durante a madrugada, este evento reuniu cinema e música executada por DJs a noite toda, além de outras peculiaridades.
Segundo o diretor comercial da Rain Network, Roberto Nascimento, o objetivo é realizar mais dois eventos desse porte, na primeira e na última semana de junho. "A idéia é sempre incorporar elementos novos. No próximo deverá ter um pocket show trazido pela Eldorado", disse, referindo-se à emissora de rádio que apóia o projeto.
Pelo preço de R$ 13,00 (valor do ingresso, vendido antecipadamente) você tinha a chance de assistir a pelo menos três filmes, dançar ao som de tecno e suas variantes, relaxar no chamado Espaço Zen, com pufes e bancos, saborear um farto café da manhã, além de degustar vodca com suco de frutas ou água de coco. O objetivo é rejuvenescer o perfil de público que freqüenta o Espaço Unibanco. "Nossa idéia é trazer esse público mais jovem, que gosta de balada, de sair na sexta-feira à noite, para também assistir filmes", afirmou Nascimento.
A "balada" começou às 23h, com a apresentação de A Vida Marinha de Steve Zissou (EUA), de Wes Anderson, e Old Boy (Coréia do Sul), de Chan-Wook Park, nas duas salas disponíveis. Enquanto isso, luzes piscavam para todos os lados, com uma música lenta para aquecer os cinéfilos, tocada pelos DJs Rafael e Lupi, do programa de rádio Beats Eldorado .
Se o salão central do Espaço Unibanco parecia vazio lá pela 12h30, quando as sessões ainda corriam dentro das salas, superlotou quando as películas terminaram. Aí sim o som ficou mais agitado, trazendo o inusitado: uma pista de dança na porta de uma sala de cinema. Nada que atrapalhasse quem estava dentro, pois o som não vazava para lá.
A segunda rodada de filmes era classificada pelos organizadores como uma "surpresa", ou seja, só seria conhecido o título quando ele começasse a ser exibido. Assim, nossa reportagem assistiu a O Outro Lado da Raiva já madrugada adentro. A seleção das películas foi feita pelo Espaço Unibanco, que deveria ter um pouco mais de critério apenas nessa escolha, pois, durante uma noitada "pra cima", com música dançante e ambiente alegre, é um contra-senso acompanhar uma história cheia de nuances e conflitos familiares, como este filme protagonizado por Kevin Costner e Joan Allen.
Mas tudo bem. Ao final da exibição, já com um sono impiedoso, todos saíram para acompanhar mais alguns momentos da festa e enquanto meu companheiro tirava as fotos que se encontram nesta matéria, resolvi circular e compreender um pouco mais o que acontecia naquele ambiente: som alto, pessoas dançando, conversando, sorrindo, enfim, tudo igual a uma danceteria.
A enxurrada de filmes se encerrou com o francês Herói Por Acaso , de Gerárd Jugnot, e Mortadelo e Salaminho - Agentes Quase Secretos (Espanha), de Javier Fesser, que tiveram início lá pelas 4h da manhã. Após mais um drama, na película francesa sobre o sofrimento de judeus durante o nazismo, um café da manhã para relaxar e preparar o corpo para o frio que esperava a todos na rua. Uma fila de pessoas se amontoava, famintas, à procura de comida. A pergunta que fica é: será uma nova modalidade de exibição de filmes? Numa cidade cosmopolita e agitada como São Paulo, pode estar aí um futuro promissor, bom tanto para quem organiza e patrocina, quanto para quem freqüenta.
|