| COM VOCÊS: PARAFUSA
Banda emerge do cenário independente de Recife e revela com exclusividade os detalhes do primeiro CD e videoclipe
por
Wilza Saraiva (
wilzaxbr@yahoo.com.br )

cenário musical pop rock recifense já não é o mesmo... que bom! O marasmo cover de três anos atrás deu lugar a uma profusão de bandas autorais. A velha e boa reprodução de músicas consagradas não morreu, mas a música recifense, hoje, já lambe filhotes criativos como Mellotrons, Rádio de Outono, Volver, Superoutro... Bandas que compõem com qualidade o que pode haver de melhor no estilo pop rock brasileiro.
Compondo a cena, o grupo Parafusa é um exemplo da união de trabalho pesado, talento e ajuda dos amigos e da família. A banda, que nasceu no início de 2002, é composta por três primos e um amigo de longa data, mesma formação de instrumentistas da falecida banda cover Pulso 100. Hoje, a Parafusa ataca com composições próprias de música pop com um toque de MPB, em uma mistura influenciada por nomes como Beatles, Gilberto Gil, Wizard, Chico Buarque e pela formação erudita que dois dos quatro integrantes tiveram.
A banda já tinha uma filosofia de trabalho desde a formação?
No início não. A gente geralmente se reunia para tocar músicas que a gente gostava sem um objetivo definido. A proposta era fazer arranjos respeitando o estilo de cada uma, não havia ainda uma definição do estilo da banda. Hoje fazemos música pop com influência de MPB, atentos na qualidade dos arranjos.
O nome Parafusa nasceu de que forma?
Demorou um bocado. A gente já ensaiava havia muito tempo e a banda ainda não tinha nome. Só depois de gravar duas músicas para mandar para o festival Rock and Halls, na saída do estúdio, a gente viu que não dava mais para esperar. Tinha que ter um nome! Aí, começamos a dar sugestões. Alguém falou Parafuso, e Lucas, o baterista, perguntou por que não Parafusa? E ficou. Na hora, achamos que não era lá essa coisa toda, que seria um nome temporário até encontrar algo melhor... só que terminamos gostando e ficou até hoje.
 Como o primeiro CD demo da banda, em dezembro de 2003, foi recebido pelo público recifense?
Foi bem recebido. Nós lançamos o demo no La Prensa, em Casa Forte, e foi a primeira vez que aparecemos como uma banda de fato autoral, com sete composições nossas gravadas. Na época, era o final da efervescência de bandas cover de música pop e de pagode. Já começava a nascer as bandas com características autorais que hoje figuram no cenário musical de Recife, como a Superoutro, Mellotrons e Rádio de Outono.
Como foram os primeiros contatos da Parafusa com outras bandas no cenário atual pernambucano e como é a relação entre os grupos? Existe competição?
A gente foi se conhecendo nos shows. Na primeira apresentação que a Parafusa fez no Armazém 14, a Superoutro também tocou. E depois, em vários eventos, a gente dividiu o palco com outras bandas como Mellotrons e Rádio de Outono. É uma relação de amizade. Geralmente fazemos shows juntos. Todo mundo conhece todo mundo e assiste aos shows uns dos outros. Não existe competição, existe mesmo é irmandade. Nós temos nos reunido toda semana para juntar esforços. A filosofia das bandas autorais hoje em Recife é de que não adianta querer crescer sozinho. O mercado é pequeno e difícil, a única saída é a gente se unir. Estamos no mesmo barco e o que estamos fazendo é remar juntos para conseguir chegar a algum lugar. O que está acontecendo hoje com essas novas bandas pode ser considerado um novo movimento musical?
Não. Não há um movimento em si, não é nada pré-estabelecido. Não houve, como no mangue beat, por exemplo, um manifesto. É sim, uma união, uma articulação em conjunto de algo que nasceu espontaneamente. Outra coisa é que nós não temos um local base, um QG. As bandas covers aqui têm locais certos para tocar, como por exemplo o Downtwon, mas a gente não. Ficamos dependendo das festas independentes.
E o retorno financeiro? Como é que a Parafusa sobrevive?
O retorno financeiro é nenhum. As festas que a gente promove só dão para pagar os gastos com a organização. Às vezes sobra um pouco, mas é uma grana que precisamos guardar para investir no próximo show da banda. É aquela velha dificuldade da falta de patrocínio e a gente se vira com grana do nosso bolso e com a ajuda dos amigos.
O público recifense ainda não despertou para o som dessas novas bandas?
 Eu acho que o público daqui ainda não se acostumou a pagar 15 reais para assistir um show de uma banda local. Fica difícil para os produtores organizar uma festa grande todo mês porque ainda não há o hábito de sair de casa para ouvir essas bandas. A não ser, muitas vezes, pagando dois ou três reais de couvert em um bar. Mas acho que aos poucos isso pode mudar. É um público que está crescendo na apreciação dessa nova música pernambucana.
A banda já foi comparada com Los Hermanos. O que vocês acham disso?
Esse tipo de comparação vem para o bem e vem para o mal. O lado positivo é que Los Hermanos é uma banda muito boa. Só que existe o risco do estereótipo. E que isso termine perseguindo a banda por um tempo incontrolável, do tipo: quem é a Parafusa? É aquela banda que parece com Los Hermanos. Aí o cara já sabe onde a gente se encaixa. Não é legal enxergar somente por aí. Isso não depende só da vontade da gente, claro. Vai depender do nosso trabalho, da modificação natural desse trabalho, da evolução mesmo.
Como foi a gravação do CD Meio Dia na Rua da Harmonia ?
Ele foi todo gravado no estúdio do CEMA, nos Aflitos, e mixado no estúdio Mr. Mouse, de Leo D. e William P. Como não estávamos pagando nada durante a captação pudemos experimentar ao máximo durante três meses. Depois que tínhamos gravado a maior parte das músicas, pedimos ao produtor Zé Guilherme Allen para ouvir e ele foi superbacana, na amizade, deu as dicas do que precisava ser modificado, refeito. No final, foi um aprendizado tremendo.
Por que esse CD foi pouco divulgado?
A gente decidiu segurar o disco porque recebemos a proposta de prensar, lançar e distribuir nacionalmente pela Alvo Discos, que é um selo de Goiânia mais voltado para a música pop. Fizemos o contato durante o Porto Musical com o diretor artístico da Monstro Discos, que é o selo de bandas como Astronautas, Vamoz e de outras bandas do Brasil todo. Fechamos o acordo e estamos em processo de finalização. O CD deve chegar em julho e aí vamos começar a trabalhar pesado na divulgação dele, com shows pelo Nordeste e quem sabe, logo depois, Rio de Janeiro, São Paulo, Brasília e Goiânia.
Como foi a experiência de abrir o show da banda escocesa Teenage Fanclub?
Foi incrível. Realmente inesquecível. Show no teatro da Universidade Federal e para um público enorme. Ficamos super ansiosos porque sabíamos que seria uma experiência única. Não foi um show tecnicamente impecável, mas foi muito emocionante. Foi a chance de mostrar nosso trabalho a um público composto por 80 % de pessoas que não conheciam a banda, gente inclusive, de outros estados. Ficamos felizes com o resultado e saíram muitas resenhas positivas sobre a gente.
A Parafusa vai ter três clipes em breve. Como está a produção deles e quando devem ficar prontos?
 O clipe que deve ficar pronto primeiro é o da música Marchinha, dirigido por Raul Luna, pela Trincheira Filmes. Esse, que deve ser lançado em julho, vai trazer imagens do carnaval e do show que a gente fez dia 1º de abril, no Teatro Maurício de Nassau. O roteiro do clipe de Maria, nossa música de trabalho, está sendo escrito pelo cineasta Leo Falcão e será dirigido por ele. As gravações devem começar em junho ou julho com o apoio da Center Vídeo.O terceiro está sendo feito por Rodrigo Maia, para a música Última Troça, estamos ainda discutindo sobre a produção. Todos são na brodagem, pela iniciativa de amigos que gostam e acreditam no nosso trabalho. |