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30 de maio a 11 junho de 2005

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SHOW CERTEIRO
Apesar da longa espera, Placebo satisfaz fãs paulistanos com seus maiores hits
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

uarta-feira à noite. Noite de rock'n'roll ou de pesadelo antes do clímax? Pode parecer piada, mas o show do Placebo ocorrido no último dia 27, no Credicard Hall, em São Paulo, foi precedido de uma seqüência de mais de duas horas de longa e angustiante tortura. Isso porque a empresa patrocinadora do evento organizou um festival de "bandas independentes" para se apresentarem e concorrerem a algum prêmio mirabolante. Subiram ao palco desde cópias descaradas e ainda mais mal feitas de Pitty, Tihuana e Charlie Brown Jr. até rock brazuca anos 60, tudo de qualidade muito discutível.

O público já não agüentava tanta espera, que se seguiu até exatamente à meia-noite, quando as luzes se apagaram e o início de "Taste in Men" levou todos ao delírio. Um a um, os integrantes entraram, cada um na parte em que seu instrumento integrava-se à canção. Primeiro Steve Hewitt, com seu ritmo alucinante na bateria; depois, Brian Molko e sua guitarra rasgada; até, por fim, surgir Stefan Olsdal com sua dança e seu baixo provocantes.

O show foi um petardo de hits certeiros, quase todos retirados do último CD da banda, a coletânea Once More With Feeling (2004), sem muito tempo para conversa (a não ser um "obrigado" de Molko) e sem chance para pedidos de canções, fora os singles já conhecidos por todo e qualquer fã do Placebo. O único momento que causou frisson mesmo foi na inédita "I Do", quando Molko praticamente se ajoelhou na frente de Olsdal, enquanto o baixista continuava tocando seu instrumento impassível.

A cada acorde anunciando as músicas, a multidão entrava em transe, se empoleirando cada vez mais perto da grade, gerando alguns tumultos e empurrões no começo da apresentação. "The Bitter End" e o big sucesso "Every You Every Me", acompanhados de berros de Molko, tiraram almas dos corpos naquele início de madrugada, com urros e gritos liberados com angústia e raiva, mas também com muita alegria.

A qualidade sonora só era prejudicada quando os experimentos eletrônicos entravam em cena, provocando um barulho grave ensurdecedor. No geral, as músicas traziam uma semelhança assombrosa ao que foi gravado em estúdio, o que estimulou a pseudocrítica a acusá-los banda de serem comportados, como se toda banda de rock devesse se jogar no público, mostrar o dedo do meio para as câmeras ou jogar cadeiras do alto de hotéis de luxo.

Baladas como "Special Needs" e "Whitout You I'm Nothing" foram momentos de calmaria – mas também de drama, na agonia da letra e da guitarra desta última – em meio a uma apresentação que exibia agressividade e peso. Sim, muito, mas muito peso. E distorção. Quem pensa que o Placebo não tem guitarras barulhentas está enganado. Bastava estar naquela madrugada e sentir os acordes e a gritaria de "Special K" e "Black-eyed". Sem falar na dançante e estonteante "English Summer Rain", acompanhada dos barulhos eletrônicos regidos por Molko, levando todos a se chacoalharem como se estivessem numa pista de dança.

O fim da primeira parte mesclou o sossego de "36 Degrees" com a famosíssima pedrada intermitente "Pure Morning", quando a banda saiu para fazer o costumeiro charminho e voltar para o bis. O repeteco começou com a outra inédita da coletânea, a lisérgica "Twenty Years", acompanhada basicamente pela batida eletrônica de Hewitt e pelas guitarras (há momentos que Olsdal toma uma guitarra de assalto e "empresta" seu baixo a um dos tecladistas). Em "Nancy Boy", Hewitt parecia ter várias mãos, ao detonar seu kit repleto de peças com tamanha rapidez e coordenação.

A energia se manteve até o fim, com uma cumplicidade adolescente, quase infantil, entre o público e a banda. E foi nesse clima de início de carreira que o Placebo encerrou sua primeira passagem por São Paulo, lá pela 1h20 da manhã, deixando o público hipnotizado, estático, com as notas e as batidas perdidas na mente, tentando se juntar para entender a catarse na qual tinham se metido.