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11 a 25 junho de 2005

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MANUAL PARA CONQUISTA MUNDIAL
Arquitetura da Destruição exibe as táticas utilizadas por Hitler para difundir a ideologia nazista
por Cell Blanc ( cellblanc@yahoo.com.br )

o documentário Arquitetura da Destruição , o diretor Peter Cohen exibe claramente a Alemanha derrotada da Primeira Guerra Mundial, que precisava reconquistar o prestígio de grande nação e que viu em Adolf Hitler o ser humano encarregado dessa missão. Juntamente com o povo, ele colocaria a Alemanha em seu auge perante o mundo. Hitler era pintor e sonhava ser arquiteto. Chegou a participar da Escola de Arte de Viena, de onde saiu aos 18 anos. Gostava de temas como a Antigüidade, de sua cidade natal Linz, de Wagner. De Riensi , de Wagner, vislumbrou vocações como a de se tornar porta-voz do povo. Também apreendeu idéias como a do sangue puro e do anti-semitismo. Hitler sonhava produzir óperas e, quando no poder, criou uniformes, insígnias, estandartes, a suástica. Divulgava a existência do “corpo do povo” e que esse organismo deveria lutar pelo seu valor. Utilizava idéias clássicas para promover comoção, gerar impulsos, o que motivaria a adesão das massas aos seus conceitos.

A arte era muito importante para o nazismo, mas somente a “boa”, pois a má era considerada depravação. A Defesa da Cultura Alemã foi criada para monitorar esses fundamentos. Para os alemães, a arte era a representação da raça e o maior princípio da beleza era a saúde. Era importante a eliminação de “doentes incuráveis” e seria tarefa dos médicos limpar o povo das doenças. Documentos eram forjados, inventados, e muitas pessoas sãs eram registradas como loucas, e então, eliminadas. A perseguição aos judeus era fato, e o casamento deles com os alemães era proibido. A doença hereditária que se alastrava deveria ser interrompida, pois a miscigenação e a degeneração poluiriam o mundo.

Essas idéias de Hitler muitas vezes podiam ser percebidas nos quadros que ele comprava todos os anos. Ele tinha vontade de expô-los, queria até construir um novo museu para tal fim. O que ele fez mesmo foi a exposição de arte “degenerada”, que mostraria o caos e a sujeira que estariam sendo impregnados na cultura alemã. Depois disso, fez a exposição de obras que considerava de valor, para efeito de comparação com as depravadas. O conceito de Walter Benjamin de que arte só seria arte contemporaneamente se qualquer um pudesse fazê-la foi modificada pelos alemães; arte só existiria enquanto representasse os interesses e a limpeza da Alemanha, coisa que os judeus não poderiam realizar. As obras depravadas não teriam função e seriam tomadas como exemplo do que não deveria ser produzido.

Enquanto projetava cidades monumentais, Hitler ordenava a realização de eutanásia em crianças deficientes, “retardadas”. A visualização de Linz como o centro cultural do mundo contrastava com as mortes decorrentes do uso de monóxido de carbono. Enquanto a cidade natal de Hitler estava em obras, câmaras de gás eram exaustivamente utilizadas, e centenas de corpos eram cremados. Mas nem tudo que não pertencesse à cultura alemã seria destruído. Atenas, por ser o coração da Antigüidade, não foi bombardeada durante a guerra. A ocupação de territórios garantia novos tesouros aos alemães.

A Segunda Guerra Mundial continuava, agora na URSS, e Hitler mandou que artistas retratassem os combates nos quais os alemães estivessem vencendo. A Alemanha lutava também pela destruição física e ideológica dos judeus, que seriam bactérias destruidoras da sociedade. Muito desse ódio vinha do fato de que os judeus seriam rivais dos alemães a partir do momento em que eram um povo de tradições preservadas. Os prisioneiros de guerra, juntamente com doentes mentais, oficiais políticos e ciganos, eram “eliminados fisicamente” de maneira brutal. Essa diferença cultural era vista como sendo biológica, principalmente nos filmes alemães, que comparavam, de maneira tosca, judeus a piolhos e a ratos. As inúmeras doenças que seriam causadas pelos judeus deveriam ser combatidas e eliminadas através do saneamento antropológico.

O nazismo atingiu toda essa força porque suas idéias atingiram a história. Hitler, ao construir monumentos, imaginava como eles seriam quando destruídos; era importante mostrar às gerações futuras a soberania alemã. Hitler era visto com gênio e utilizava a cultura como ponto chave na obtenção de apoio popular; usava a estética, em vez da política, para massificar a sociedade. Ter nascido na Alemanha era ser superior. O povo poderia se expressar, mas não poderia alterar o regime de propriedade vigente. A estetização da política e o fascismo fascinante violentaram a massa, impuseram o culto a um chefe que via na guerra um modo de fornecer um objetivo ao povo sem tocar no estatuto da propriedade. A estética provou a Hitler que ela não se sustenta sozinha, e que precisa de meios históricos e políticos para realmente conceder poder e transformar a sociedade.