| A REDENÇÃO DO JEDI
George Lucas paga todos seus pecados cinematográficos em A Vingança dos Sith
por Fábio Freire (
fabio_fcosta@hotmail.com )

epois dos decepcionantes A Ameaça Fantasma e O Ataque dos Clones , meio mundo ficou com o pé atrás em relação ao terceiro e último filme da nova trilogia Star Wars , mais com cara de caça níquel do que cinema de verdade. Mas para a felicidade de muitos, finalmente George Lucas acertou a mão e conseguiu dar ao Episódio 3 - A Vingança dos Sith a mesma aura da trilogia original que conquistou uma legião de fãs ao redor das galáxias. Os ingredientes que deram equilíbrio a Uma Nova Esperança , O Império Contra-Ataca e O Retorno de Jedi estão todos presentes no novo filme. Ação e tensão ininterruptas, uma boa dose de tragédia e melodrama e uma trama bem construída.
Um dos fatores que fazem de A Vingança dos Sith muito superior aos dois anteriores é a direção de George Lucas. Muito mais seguro do que de costume, o diretor evita os desperdícios e se concentra no que realmente interessa: o nascimento do Lord Darth Vader, um dos maiores vilões do cinema e figurinha fácil no imaginário de milhões de amantes da cultura pop. Lucas sabe que as multidões que lotam os cinemas estão em busca de respostas e querem mais é ver como o Jedi Anakin Skylwalker é seduzido pelo lado negro da força e abandona sua humanidade para se transformar em Darth Vader. Todas as outras personagens (Obi-Wan Kenobi, Mestre Yoda, Padmé Amidala e o Senador Palpatine) se tornam meras coadjuvantes do momento mais esperado da nova trilogia - ainda que Palpatine (Ian McDiarmid) se revele o grande vilão do longa.
Mas isso não quer dizer que A Vingança dos Sith se limite “apenas” a essa esperada cena. Antes disso somos presenteados com uma série de seqüências memoráveis (a morte dos Jedi já nasce clássica) e muito bem planejadas para não caírem no artificialismo das duas produções anteriores. E a missão é mais do que cumprida. Do ritmo cadenciado e quase musical (graças a uma trilha sonora competente e precisa), passando pelos efeitos especiais corretos e que não atropelam a história, tudo está no lugar. A montagem alternada do clímax é outro trunfo que transforma a tensão crescente quase em uma personagem a mais. As interpretações também ajudam, mesmo que ninguém realmente se destaque: Ewan McGregor se sai bem e Natalie Portman é quase desperdiçada, já Hayden Christensen quase sucumbe à pressão, mas não deixa sua insegurança atrapalhar.
Tudo isso seria inútil, no entanto, se George Lucas não tivesse se preocupado também com o roteiro. A Vingança dos Sith tem uma história muito bem lapidada e todas as situações são amarradas de forma que não existam fios soltos entre esse capítulo final e a trilogia original. O fim da democracia e o surgimento do Império, o exílio do Mestre Yoda e o nascimento dos gêmeos Luke e Leia estão todos lá e só devem aumentar o fascínio dos fãs. É quase impossível, aliás, que ao final da sessão não se sinta um certo gostinho de nostalgia.
Quanto aos significados contidos no filme, alguns podem dizer que ele é uma história de amor e perda, outros vão apontar as conotações políticas e a capacidade corruptora do poder. Mas acima de tudo, A Vingança dos Sith é sobre o nascimento de um mito e de uma mitologia. E numa temporada cinematográfica que promete ( Guerra dos Mundos , Batman Begins , Quarteto Fantástico , Sin City , só pra citar alguns), a produção parte anos-luz na frente da competição. E isso não é opinião de fã nerd, mas apenas de alguém que gosta de assistir a um bom filme.  |