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10 de julho de 2005

Equipe Edições Anteriores

UM NOVO COLDPLAY?
X&Y, terceiro álbum da banda, é lançado com a responsabilidade de dar continuidade ao sucesso do quarteto inglês
por Fábio Freire ( fabio_fcosta@hotmail.com )

a segunda metade dos anos 90 até meados dos anos 2000, a Grã Bretanha viu surgir uma verdadeira leva de bandas que cultivavam um som “limpinho”, com letras melancólicas e belas melodias. Dos escoceses do Belle & Sebastian, Travis e The Delgados, passando pelo som galês do Manic Street Preachers e chegando aos ingleses do Doves, Turin Brakes, Mojave 3, Elbow, Starsailor e Keane, todos enveredaram por um caminho perigoso, tortuoso e cheio de críticos ranzinzas ao longo do percurso. De todas as bandas citadas acima, nenhuma vem obtendo, no entanto, tanto sucesso e respaldo quanto o Coldplay.

Se o disco de estréia lançado em 2000 ( Parachutes ) serviu apenas para apresentar a banda a um público mais alternativo, o elogiado A Rush of Blood to the Head (2002) alçou o quarteto a outro patamar. Queridinhos de grande parte da crítica e aclamados por uma audiência bem mais abrangente, o Coldplay é hoje uma das maiores bandas não só da Inglaterra, como do mundo pop. Tanto que, num ano em que Oasis, Foo Fighters, Weezer, Garbage, New Order e White Stripes lançaram novos álbuns, nenhum foi tão aguardado como X&Y , terceiro trabalho da banda liderada por Chris Martin. O resultado da espera pode ser comprovado em números. O CD estreou no topo das paradas em 22 países e só nos EUA mais de 730 mil cópias foram vendidas em uma semana. Outras 460 mil saíram das lojas direto para os lares britânicos. Mas e o som da banda?

X&Y é o melhor trabalho da curta carreira do quarteto e, para o bem e para o mal, é puro Coldplay. Longe do som imaturo e sem personalidade de Parachutes e da tentativa de fugir do “mal do segundo disco”, no qual precisavam provar que eram muito mais do que uma novidade passageira, escorregando muitas vezes em uma pretensão desmedida, a banda pode agora respirar aliviada e entregar um álbum maduro e coeso. Em X&Y , nenhuma música se sobressai e temos, assim, um trabalho com uma unidade e sem grandes derrapadas, ainda que os detratores do grupo possam achar todas as razões para considerá-lo medíocre e sem inovações. A começar pela insistência do quarteto em manter um som baseado em melodias grandiosas e arranjos apoteóticos, o que sempre lhe rendeu várias comparações, afinal a banda apresenta o mesmo minimalismo do Radiohead, a sonoridade progressista do Pink Floyd e até o malabarismo épico das guitarras do U2.

Ainda que X&Y soe menos produzido do que o último álbum, o Coldplay continua a fazer uso de melodias complicadas e sons exagerados que lembram de sintetizadores oitentistas a órgãos de igreja (“White Shadows”, por exemplo). Mas no meio de todo esse aparato musical, lógico que o piano de Martin continua sendo um dos destaques e fazendo a alegria dos fãs. A maior prova é “Speed of Sound”, o primeiro single e a música mais Coldplay do CD, com direito a videoclipe dirigido pelo mestre Mark Romanek (“Scream”, do Michael Jackson; “Criminal”, da Fiona Apple; e “The Perfect Drug”, do Nine Inch Nails). A mistura bem dosada dos arranjos apoiada pela bela voz de Martin lembra “Clocks”, carro-chefe de A Rush... , e vende bem esse novo trabalho. O único problema é que a música acaba justamente quando chega ao clímax, deixando um sabor de quero mais. Papel que as outras 11 faixas cumprem com louvor, já que a sonoridade do álbum não foge muito do padrão letras-melancólicas-amparadas-em-melodias-monumentais-e-quase-simétricas-de-tão-perfeitas. Ou seja, quem não gosta dessa pretensão da banda, vai odiá-la ainda mais.

Mas quem gosta de Coldplay está muito bem servido. “Square One”, “What if”, “A Message” e “Low”, para destacar algumas, merecem aplausos. Até músicas que começam de forma mais fraca e ameaçam macular o bom desempenho do trabalho, como “The Hardest Part”, “Swallowed in The Sea” e “Twisted Logic”, são tiradas do limbo por causa da interpretação poderosa de Martin, que nesse terceiro trabalho demonstra todo seu potencial vocal e prova que seu carisma é um dos grandes responsáveis pelo sucesso da banda. Aliado, claro, a letras que apelam ao sentimentalismo e, às vezes, irritam um pouco devido a um demasiado caráter de auto-ajuda (“Nothing is making sense at all/ Let's talk/ Let's talk”; “I wanna love you/ but I don't know if I can/ I know something is broken/ Let me try to fix it”; "Is there anybody out there who/Is lost and hurt and lonely too"). Mas isso não é nada de novo para o grupo. De estranho mesmo, apenas a faixa bônus, dona de uma levada folk que beira o country. Será o prenúncio de um novo Coldplay? Aguardem o quarto álbum da banda.