| VAI QUE É TUA, FOCA
Em A Prática da Reportagem , Ricardo Kotscho manda os iniciantes em jornalismo para a rua
por
Cell Blanc
(
cellblanc@yahoo.com.br )
 Em A Prática da Reportagem , Ricardo Kotscho ressalta a importância do trabalho em campo para um foca – apelido dado aos iniciantes na área jornalística. Mostra que na solidão de um local distante ou na companhia de uma equipe encarregada de cobrir um grande assunto, é importante que o repórter esteja preparado para enfrentar desafios em qualquer circunstância. Estar disponível em horários incomuns pode trazer bons frutos a um jornalista, uma boa matéria, uma boa entrevista. A formação teórica desse profissional deve ser muito grande, ele tem que estar a par do que acontece na sua cidade, no estado, no país, no mundo.
Não lhe basta saber escrever bem. Lugar de repórter é na rua, e juntamente com o fotógrafo ele deve ficar atento ao detalhe perspicaz que não é indicado na pauta. Esta, organiza e planeja a matéria, mas está dando ordens cada vez mais específicas, o que leva à acomodação e à passividade do repórter. Pautas comuns e rotineiras também não podem ser vista com ar de desprezo; as principais diferenças de abordagem estão nas pequenas reportagens, no dia-a-dia. Cada matéria deve receber tratamento único.
O repórter, acima de tudo, é um cidadão. Deve cumprir sua função primeira: colocar-se no lugar das pessoas que não podem estar no local, e contar o que viu como se estivesse escrevendo uma carta a um amigo. No flagrante de momento vivido, deve procurar saber o que traz interesse às pessoas, deve tentar ajudá-las de alguma maneira. O fotógrafo participa muito dessa etapa: com suas imagens mostra o local de um crime, a animação de um torcedor, o descaso com os monumentos públicos.
Esse trabalho rotineiro das pequenas matérias prepara o jornalista para as grandes reportagens. Para realizá-las, a confiança do veículo no repórter é essencial; os erros nas grandes abordagens não são permitidos, pois comprometem a responsabilidade e as despesas. Se alguma falha acontece, é difícil que outra oportunidade seja dada ao jornalista. Em coberturas no exterior, não basta relatar o que aconteceu; é preciso ajudar o leitor a entender o contexto no qual se inserem os fatos, lembrando as características de cada país. A ajuda técnica do meio de comunicação torna-se ainda mais importante, pois o repórter precisa enviar os dados ao país de origem com rapidez.
Apesar de enfrentar grandes jornadas de trabalho, longas viagens e entrevistas massantes, o jornalista não pode se deixar levar pelo stress da profissão. Deve tomar consciência de seu papel na sociedade, agindo com ética e responsabilidade, para trazer informação com atitude social às pessoas.  |