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22 de agosto a 3 de setembro de 2005

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A MEMÓRIA DO PEIXE DOURADO
Todas as Cores do Amor mostra jovens irlandeses à procura de uma grande paixão
por Luiz Andreghetto ( luiz_andreghetto@hotmail.com )

Tom é professor universitário e um conquistador incorrigível. Clara, atual namorada de Tom, pega-o beijando uma de suas alunas, Isolde. Clara, por sua vez, acaba se interessando por Angie, a melhor amiga de Red, que se sente atraído por David, cuja namorada, após descobrir que David está tendo um caso com Red, aceita se casar com um dos melhores amigos de Tom. É nessa ciranda de paixões e ilusões que o filme Todas as Cores do Amor ( Goldfish Memory , 2003 de Elizabeth Gill) se desenrola.

A premissa inicial, e uma das cantadas mais usadas por Tom, é que “a memória de um peixinho dourado dura só três segundos. Então, depois de uma volta pelo aquário, tudo é novidade. Cada vez que dois peixinhos se vêem, é como se fosse a primeira vez”. Isso serve como metáfora para os vários encontros e desencontros desses jovens irlandeses na Dublin dos dias atuais.

Cada nova paixão é como se fosse a primeira vez, como se as boas e – por que não? – más lembranças de um antigo amor pudessem ser cicatrizadas e esquecidas rapidamente. Todas as Cores do Amor investe no carisma de situações corriqueiras com as quais cada um de nós acaba se identificando. Quem ainda não se apaixonou e depois de algum tempo descobriu ter cometido um grande equívoco?

Leve e despretensioso, Todas as Cores do Amor tem ainda outro atrativo para a platéia brasileira: na trilha sonora, estão músicas de Tom Jobim como “Desafinado”, “Lamento do Morro”, “Águas de Março” e “Amor e Paz”, em versões em inglês e português, o que dá um sabor todo especial ao filme. Damien Rice, o atual queridinho da crítica, mais conhecido pela música de abertura do filme Closer – Perto Demais , também participa da trilha, ajudando a manter o ritmo espirituoso e alto-astral desses amores e desamores.

Os personagens estão, a todo momento, querendo encontrar uma grande paixão e não medem esforços para que isso aconteça, como se a felicidade pudesse estar em cada esquina da cidade. O que move cada um deles é a necessidade de descobrir o “par perfeito”, a “pessoa ideal” que, às vezes, pode estar onde menos imaginamos. Todos possuem uma grande ânsia de amar e ser amado em uma sociedade rápida e “plugada” que prima por amores descartáveis, que não deixam marcas nem ressentimentos.

OK. Então somos como os peixes: cada novo relacionamento é tão intenso quanto o anterior. Mas será que deixamos tudo para trás com tanta rapidez assim? Algumas paixões nunca são esquecidas, por mais voltas que insistamos dar pelo aquário. E, mesmo encontrando novos peixes, existe um que sempre será mais dourado que os outros.