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22 de agosto a 3 de setembro de 2005

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A SOLIDÃO DA CULPA
Em O Operário, o novo Batman emagrece 30 quilos e prova que pode ser mais do que apenas um herói dos quadrinhos
por Fábio Freire ( fabio_fcosta@hotmail.com )

ollywood é expert em transformar atores mais alternativos e independentes em astros. Foi assim com Ewan McGregor (que atuou na nova trilogia Star Wars e está em cartaz atualmente em A Ilha ); Natalie Portman (também dos novos Star Wars ); Scarlett Johansson (de A Ilha ); e Johnny Depp ( Piratas do Caribe ), só para citar alguns. Com o novo Batman, Christian Bale, também não foi diferente. Antes de virar herói dos quadrinhos, o ator galês fez sua fama em filmes de baixo orçamento ( Velvet Goldmine, Metroland e Psicopata Americano ). Outro exemplo de sua filmografia fora do esquemão é O Operário , exercício estilístico do desconhecido Brad Anderson (diretor do interessante Próxima Parada, Wonderland ).

Em O Operário , Bale interpreta o solitário Trevor, que trabalha em uma espécie de fábrica de reparos e sofre de insônia há mais de um ano. Como resultado da falta de descanso, Trevor mais parece um zumbi, magérrimo e cheio de olheiras. Nas folgas do trabalho, ele faz visitas constantes à prostituta Stevie (mais uma bagaceira no currículo de Jennifer Jason Leigh) ou dá uma parada no aeroporto para tomar café com torta e ser atendido pela doce garçonete Maria (a bela Aitana Sánchez-Gijón). Como se não bastasse a insônia, Trevor passa a acreditar que está no meio de uma conspiração depois que começa a ser perseguido por um estranho sujeito.

Se a trama de O Operário não empolga muito, existem pelo menos duas razões para conferir o filme. A primeira delas é a interpretação impressionante de um quase deformado Christian Bale, que emagreceu cerca de 30 quilos para o papel e parece que vai se partir ao meio a qualquer momento de tão magro. Mas, muito mais que uma transformação física feita para ganhar prêmios cinematográficos, a atuação do ator é comovente e precisa. Seu olhar vazio e expressão de desespero dão o tom mórbido do filme, ajudados pela fotografia cinza e pela trilha sonora que sugere o suspense necessário para a manutenção do clima estranho.

A outra razão é a direção de Brad Anderson. Ao confiar a Bale a responsabilidade de estimular o espectador a comprar a trama, o diretor se preocupa, então, em conduzir O Operário de forma intrigante e que prenda a atenção. Por mais que o mistério do filme não se revele assim tão interessante, Anderson capricha na climatização da obra, deixando a platéia atordoada diante de uma série de pistas aparentemente falsas e de um quebra-cabeça que só vai ser solucionado no clímax. Em certo momento, O Operário lembra, inclusive, o também independente Amnésia (coincidência ou não dirigido pelo mesmo Christopher Nolan que comandou Batman Begins ), já que no começo do filme o espectador fica um pouco confuso diante da ausência de uma linearidade perceptível, ou ainda o esquizofrênico Clube da Luta , no qual Brad Pitt e Edward Norton brincavam com os limites de realidade e imaginação.

No final das contas, mais do que um simples filme de suspense, O Operário acaba se transformando em um tratado sobre a culpa, ainda que de forma ingênua, sendo Trevor vítima apenas de si mesmo. Culpa, aliás, que move também o cavaleiro das trevas de Christian Bale. Quanto ao ator, com ou sem culpa por ter se “vendido” ao mainstream hollywoodiano, ele continua provando seu talento e versatilidade.