2

Picosearch
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop

22 de agosto a 3 de setembro de 2005

Equipe Edições Anteriores

ONDE TUDO COMEÇOU
História da fundação da cidade de São Paulo é contada no Pateo Collegio
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

oucas pessoas que passam pela rua Boa Vista, no centro da cidade, percebem que cruzam todos os dias com o ponto de fundação de São Paulo: o Pateo Collegio. Construído para abrigar o Colégio de São Paulo de Piratininga, o primeiro das redondezas, sua inauguração foi marcada com uma missa em 25 de janeiro de 1554 – data da conversão do apóstolo São Paulo.

A escolha da região se deve, em princípio, à fracassada tentativa de fundar um colégio em São Vicente, no litoral paulista. Como já havia no início do planalto a vila de Santo André da Borda do Campo, de propriedade do português João Ramalho , o jesuíta Leonardo Nunes resolveu rumar para os campos de Piratininga, pois já o conhecia. Mas quem decidiu que no futuro centro de São Paulo seria estabelecido o colégio e a residência dos jesuítas da Companhia de Jesus foi o padre Manoel da Nóbrega , por conta, entre outros fatores, da localização beneficiar a catequização das pessoas que não tinham o costume europeu de freqüentar missas e fazer confissões, principalmente os índios. O colégio, assim como a Igreja do Bom Jesus anexada a ele, foi finalizado em 1556 pelo padre Afonso Brás, em taipa de pilão.

Coincidência ou não, a cidade cresceu em torno desse local, bem como da Igreja de São Francisco, da Igreja do Carmo e do Mosteiro de São Bento, que perfaziam a área central da comunidade. “Esse crescimento foi conseqüência de vários fatores e só aconteceu no final do século 19, pois, até aquela data, a cidade era só campo e seus limites eram muito restritos”, ressalta a supervisora do Pateo Collegio, Mariana Emiko Fuzissaki.

Complexo cultural

Toda essa história pode ser contada por um dos oito monitores, que, segundo a supervisora Mariana, também estão focados no público escolar, pois muitas instituições de ensino vão até o local para fazer as visitas monitoradas de duas horas, com o desenvolvimento de atividades para saber se as crianças apreenderam algo do passeio. “Pena que poucas escolas públicas vêm até aqui, a maioria são particulares. Precisa haver mais incentivo. É o mesmo que acontece com os visitantes avulsos do Pateo. Fizemos uma pesquisa que constata que a grande maioria deles entrou no museu apenas por passar em frente e não tem a menor idéia do que ele representa”, lamenta Mariana.

O Pateo Collegio parece hoje mais um complexo cultural. Há o Museu de Anchieta que abriga peças sacras, quadros, fotografias, cruzes, ostensórios e outros objetos recuperados durante as obras. Mapas da antiga São Paulo e livros do período da fundação da cidade são algumas das curiosidades históricas. Há, também, a pia batismal que Anchieta usava para batizar os índios.

Tem também a Igreja do beato Anchieta, onde são celebradas missas e solenidades. Num local reservado, é possível ver o fêmur e o manto do religioso de Anchieta, beatificado por João Paulo 2º em 1980, além do oratório dele. Para completar o passeio, uma biblioteca repleta de livros que contam a história da cidade de São Paulo e da Companhia de Jesus está à espera de leitores, bem como um café, com um jardim repleto de verde, onde se pode ver a parede de taipa de pilão da primeira reconstrução do colégio.

Serviço
Pateo Collegio
Museu : terça a domingo, das 9h00 às 17h00
Biblioteca : segunda a sexta-feira, das 13h00 às 17h00
Endereço : Praça Pátio do Colégio, 2 - próximo à Rua Boa Vista, junto à Praça da Sé
Telefone : 3105-6898/3105-6899
Preço Museu : R$ 5,00 (R$ 2,50 para estudantes e idosos). Estudantes de escola pública pagam apenas R$ 1 real.
As outras atrações têm entrada franca.