| NOVOS VELHOS CONCEITOS
Queens Of The Stone Age brinca com dualidade em seu novo clipe, “ Little Sister ”
por
Nara Jardim ( nara_baiana@hotmail.com )

esmo depois de uma verdadeira revolução visual, ainda existem os videoclipes mais preocupados com a divulgação da música do que dar um tratamento à sua imagem e da banda. Filmam os artistas tocando, mudam um ângulo ou outro, o figurino, o cenário e jogam na MTV. À primeira vista, “Little Sister”, da banda Queens of the Stone Age, só seria mais uma gota no oceano, se não fosse em si uma amostra do poder de renovação de uma banda.
Recentemente o grupo trocou quase todos os seus integrantes, modificando também suas fórmulas. Josh Hommer além de vocalista, é também um dos diretores de “Little Sister”, único sobrevivente da formação original. Demonstra nesse clipe como a banda tem incorporado novos conceitos, não só musicais, como estéticos, fugindo dos padrões de videoclipe gritantes (tanto no som quanto nas imagens). “Little Sister” apela para a mistura de um jogo ilusório de luzes à velocidade de captação dos ângulos da banda, nos dando a sensação de ver a música e ouvir as imagens. Cores frias são alternadas com riffs de guitarra poderosos, enquanto no segundo seguinte cores quentes emolduram instantes mais tranqüilos no ritmo; quase obrigando o cérebro do telespectador (principalmente se ele for um pouco distraído) a levar um segundo a mais para processar o que acontece na tela.
Os closes de detalhes dos músicos e instrumentos são constantes rápidas no clipe, lançados na tela na velocidade de um piscar de olhos, o que contribui para a interação luzes-música. Como numa dança, você já não identifica onde começa um nem termina outro. Até existem planos abertos, mas são mais raros e ressaltam apenas as cores frias. Queens Of The Stone Age sempre foi uma banda que atentou às infinitas possibilidades visuais do videoclipe, cuidado dedicado de Josh Hommer. Contudo, ao se unir na direção de “Little Sister” a Nathan Cox, Hommer volta seu olhar ao minimalismo da música. Uma letra romântica com um rock denso exigia um clipe igualmente dúbio.
Como o próprio Josh Hommer diz, o QOTSA tem uma certa tendência ao drama. Detalhes de curvas femininas estão sim, presentes, principalmente durante os intervalos das cores quentes. Uma brincadeira sutil entre a sensualidade da mulher e a referência à “irmãzinha” do título. Porém, a letra da música se refere ao romantismo que ainda os une, e o quanto ele se preocupa com a garota. Mas sem nunca esquecer que ele a ama não só por sua fragilidade, mas pelas suas belas pernas... Pernas estas que estão nas imagens de botas de salto agulha caminhando, projetadas no telão atrás da banda. Sombras em telões, de vestidos e cabelos esvoaçantes, também remetem à figura da Lolita retratada na canção. O som é o termômetro das imagens, e as temperaturas do som conduzem à que tipo de sedução os diretores querem envolver a platéia: se a diretamente sexy ou o encanto pela delicadeza.
Ainda temos as imagens do (novo) Queens Of The Stone Age tocando, pura e simplesmente. O que é quase uma novidade entre os clipes da banda. Mas seja pela tendência ao drama e/ou pela intenção erotizada, “Little Sister” provoca mudanças de temperatura – nos olhos e nos ouvidos. |