| VOCÊ CONHECE CHARLES BRONSON?
No dia 30 fez dois anos que um dos atores pioneiros do moderno cinema de ação morreu
por
Ricardo Stabolito Junior ( ricardostabolito@bol.com.br )

tualmente, os filmes de ação são cultuados e, seus atores, muito conhecidos. Quem nunca assistiu a um filme de Arnold Schwarzenegger, Sylvester Stallone ou, mais recentemente, de Vin Diesel? Nos anos 50 e 60, contudo, os filmes de ação não existiam como os conhecemos hoje. Talvez o gênero que mais se aproximasse da vertente de ação fosse o western. Atores como Clint Eastwood, John Wayne e Glenn Ford faziam sucesso nos EUA. Enquanto isso, na Europa, o faroeste também fazia sucesso e seu principal expoente era o americano Charles Bronson.
No início dos anos 70, a fama de Charles Bronson invadiria a América. Prova da sua chegada ao mercado americano deu-se na pesquisa de popularidade cinematográfica de 1972 onde ele foi votado ator mais popular, ao lado do James Bond clássico – Sean Connery. Na época, a tal cotação rendeu a ambos uma estatueta do Globo de Ouro. Apesar de tudo, a maioria de seus fãs estavam na Europa, onde sempre foi aclamado como astro.
O grande empurrão da carreira de Bronson nos EUA seria Desejo de Matar , de 1974 – este, sim, pode ser considerado um dos primeiros filmes de ação no formato dos que vemos hoje. Bronson fazia o papel do arquiteto Paul Kersey que, após ter a mulher morta e a filha estuprada por bandidos, resolve fazer uma verdadeira “limpeza” na cidade e sai com uma arma à caça de bandidos nas ruas. Era o início da famosa “justiça com as próprias mãos” que caracterizaria seus papéis.
Desejo de Matar foi um estrondoso sucesso de público. Os críticos, em sua maioria, não receberam bem a mensagem inovadora e sincera do filme e o criticaram severamente. No entanto, a atuação de Bronson (que sempre foi ponto alto de todos os seus filmes) não deixava vão às críticas. Diferentemente do que se esperava, o ator saiu em defesa do filme dizendo que Paul Kersey era a reação da sociedade a um sistema injusto, ineficaz e obsoleto. O filme, talvez, seja o maior clássico do cinema de ação de todos os tempos.
A partir daí, Bronson fez vários longas-metragens em que seu papel era sempre de um vingador popular ou policial revoltado com métodos nem sempre “convencionais”. Sempre tinham um argumento que justificava a violência exagerada, mas os críticos nunca os aceitaram bem. E, aos poucos, Bronson virou um mito entre outros atores de ação, a contragosto dos críticos, e com o apoio do público que sempre procurou cativar.
No dia 30 de agosto de 2003, ele faleceu aos 81 anos, de problemas provocados por uma pneumonia. Sua aparência impassível e o bigode inconfundível viraram sua marca na tela grande. Numa das raras entrevistas que concebeu, definiu-se: “Tenho a aparência de uma pedreira onde explodiu uma carga de dinamite”. Nunca fez o estilo brutamonte que vemos hoje na maioria dos lançamentos do gênero – era meio franzino e sem nanhuma habilidade em artes marciais. O forte de seus personagens era o uso de armas de fogo.
Até mesmo seus ferrenhos críticos renderam-lhe homenagens quando morreu. A verdade é que ele era carismático demais para ser odiado. Seu jeito calado e sorrateiro o fez um ídolo maior do que se presumiria. Seu público é relativamente extenso e extremamente fiel. O crítico Rubens Ewald Filho disse que Charles Bronson lhe ensinou que o silêncio vale ouro. Sempre achou que o odiava, mas quando o encontrou no Festival de Cannes, foi cativado pelo estilo calado e introspectivo dele.
A distribuidora Fox, em homenagem ao Dia dos Pais e ao aniversário da morte de Bronson, comprou quatro títulos protagonizados pelo ator da decadente MGM e lançou um box no mercado brasileiro. Apesar da ausência de extras, as atuações de Charles Bronson valem o desembolso. Os filmes são O Mensageiro da Morte (1988) , O Vingador (1986) , Desfiando o Assassino (1974) e Kinjite – Desejos Proibidos (1989) – o destaque da coleção e um de seus melhores trabalhos.
Charles Bronson era recluso e nunca se aproximou muito de Hollywood. Sua estrela na calçada da fama está lá, marcada para a posteridade. Sua obra não foi a mais educativa, mas se mostra fiel, sincera e extremamente inovadora (ousada, para a sociedade da época). A fidelidade aos ideais de seus filmes ajudou muito nas suas atuações que, por vezes, beiraram a realidade.
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