| FELICIDADE TOTAL
Em entrevista exclusiva, Gabriel Thomaz, do Autoramas, fala sobre o novo disco e o bom momento da banda
por
Rodrigo Herrero
(
rodrigo@rabisco.com.br )
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| Foto: Thiago Vieira |
uando o Autoramas foi anunciado como o vencedor de três categorias do Vídeo Music Brasil 2005 (Melhor Clipe Independente, Melhor Edição e Melhor Direção), da MTV, sendo o maior ganhador em quantidade de prêmios conquistados, além de ter sido o videoclipe mais indicado (com 5 indicações), a alegria se consumou como uma afirmação da carreira da banda. Agora, nada mais poderia pará-los, parafraseando o título do terceiro disco. Tais conquistas no cenário mainstream , que causaram surpresa a uma banda acostumada com o sucesso dentro do mercado independente, revelam o momento maduro de um trio que faz música do jeito que gosta e da forma que quer, sem frescuras ou imposições, apenas pelo prazer de tocar o bom e velho rock n' roll.
Isso fica claro na entrevista exclusiva que o líder, vocalista e guitarrista do Autoramas, Gabriel Thomaz concedeu ao Rabisco , antes de mais um show em São Paulo, durante uma pausa para um lanche num restaurante, ao lado de sua namorada, Érika Martins (ex-Penélope). Entre umas beliscadas na batata-frita e uns goles no refrigerante, Gabriel falou sobre tudo: como foi a surpresa dos três prêmios no VMB, o porquê de lançar uma coletânea dos dois primeiros discos, se há vantagem em ser independente no Brasil, sobre a nova fase com a Selma , que assumiu o baixo há quase um ano. E entrega: o próximo disco do Autoramas deve sair no começo do ano que vem.
– Como foi para a banda ter sido a maior vencedora do VMB 2005, com 3 prêmios?
Gabriel Thomaz – Foi uma surpresa total. Já tinha sido uma surpresa ser o clipe mais indicado (5 indicações) e a gente nem imaginava que teria a possibilidade de ganhar mais de um. A gente ganhou o prêmio de melhor Independente e foi lá pra trás (no basckstage), nem passava pela cabeça que poderia ganhar outro, tanto que na hora de receber a gente nem estava lá para pegar o prêmio.
– Gostaria que você comentasse um pouco sobre o clipe vencedor, “Você Sabe”, como rolou o contato com o diretor que fez o trabalho, que é o Luis Carone...
Gabriel Thomaz – Foi ele que entrou em contato com a gente, falando que queria fazer um clipe com a banda, se a havia essa possibilidade. Ele fez as contas com a produtora que ele trabalhava e acabou dando certo. Depois o ajudamos a pagar as prestações. Uma outra coisa que nos deixa muito satisfeitos é que ele é fã e fez porque gosta, de verdade.
– Como que surgiu a idéia do videoclipe?
Gabriel Thomaz – O Luis apresentou a idéia inicial, aquela coisa do autorama que se transforma num carro de verdade, e eu não tinha nem idéia de como ele ia transformar aquilo. Ele virou e falou: “Eu queria fazer com a música ‘Você Sabe' que tem muito a ver, o som de guitarra parece som de motor de carro antigo”. Aí a gente deu algumas opiniões, fez as filmagens... Passaram uns meses e ele entregou aquilo ali, um absurdo, sabe.
– Como é que é para o Autoramas ser uma banda independente, mas ser bastante reconhecido dentro desse cenário, até com um status bem maior que o próprio cenário tem. Vocês têm bastante reconhecimento, do público também, a banda faz show pra caramba...
Gabriel Thomaz – Eu acho que a principal coisa que explica a gente fazer bastante show é que talvez a banda tenha sido a primeira independente a descobrir que o Brasil é muito grande. E a quantidade de shows que a gente faz é exatamente porque o Brasil tem uma quantidade enorme de cidades que a gente pode ir. É isso que rola, a gente vai e organiza uma turnê, porque geralmente é caro você ir para um lugar só e voltar. Então a gente pega 10 dias e faz a maior quantidade de shows que dá nesse espaço de tempo. Então é uma coisa trabalhosa organizar uma turnê, no Nordeste, por exemplo. Mas é uma questão de organizar, eu fico o dia inteiro ligando para as pessoas, mandando e-mail, vendo o que é possível. E isso é legal porque dá um resultado, a galera comparece e curte o show. É fruto de um trabalho, não tem nenhum mistério nisso. Eu acho que quem fizer isso também vai conseguir. E o que é engraçado é que nem pela questão da banda ser boa ou não. No mundo tem gosto pra tudo, sabe, qualquer galera pode fazer esse tipo de coisa. É só questão de organização, de logística, tem público pra tudo. Não tem uma pilha: “ah, Autoramas fez isso porque é melhor”. A única coisa é ter vontade de tocar, trabalhar com isso e viver disso. É muito legal o glamour do rock e coisa e tal, mas cara, se não tiver muito trabalho não tem glamour nenhum. Eu prefiro trabalhar pra caramba e estar sempre tocando do que ficar em casa esperando as coisas acontecerem e não tocar em lugar nenhum.
– Ser independente hoje no Brasil é mais negócio, você tem mais liberdade pra trabalhar, rola grana, num rola.
Gabriel Thomaz – Você ser independente...há a liberdade de sair pelo Brasil fazendo um monte de show e também você tem a liberdade de ficar em casa esperando as coisas acontecerem. Você tem liberdade de fazer o que você quiser. Musicalmente, é lógico, que você tem mais liberdade. Mas se você assina com uma gravadora, seja ela independente ou multinacional, você vai ter que fazer uma parceria. Se um cara está bancando a gravação, a produção do disco, ele vai dar opinião, vai falar, de qualquer jeito, seja independente ou multinacional. Vai querer dizer: “a capa vai ter que ser assim, o som vai ter que ser assim, a produção tem que ser assim”. Por exemplo, a pior interferência que talvez uma banda possa ter é a falta de recurso. Você tem que fazer e é daquele jeito.
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| Foto: Thiago Vieira |
– O segundo disco de vocês ( Vida Real) foi assim...
Gabriel Thomaz – Exatamente. O terceiro ( Nada Pode Parar os Autoramas ) também fizemos do jeito que deu, o primeiro ( Stress, Depressão e Síndrome do Pânico ) também, todos foram assim. Agora, se você está trabalhando sozinho você só tem a sua opinião que vai ser respeitada. Numa banda você também tem a parceria, tem um monte de gente que dá opinião que está ali falando e fazendo, botando a sua assinatura ali. Até hoje, pelo menos, eu sempre fiz o que eu quis, pelo menos musicalmente. Não tem aquela pilha: “Ah, você é independente você é livre”. Não, se você tem uma parceria você vai ter que conviver com a opinião dos outros.
– E como está sendo essa fase atual do trabalho com a Selma ? Foi difícil achar uma substituta para a Simone ?
Gabriel Thomaz – Não, porque foi muito rápido. A Simone saiu 10 dias antes da gente viajar para uma turnê no Chile e na Argentina, então a gente teve que se virar rápido. No dia seguinte que a Simone saiu a Selma (baixo e vocais) já estava indo para o Rio de Janeiro ensaiar. O Bacalhau (baterista) que lembrou da Selma. A gente já tinha tocado junto várias vezes. E a gente sabia que ela era fã do Autoramas, a banda que ela tocava fazia cover do Autoramas. Ela toca baixo, canta, gosta de usar distorção no baixo. Foi perfeito. Foi a primeira pessoa que a gente pensou e ela topou na hora.
– Tinha essa idéia mesmo de colocar outra mulher no lugar e com o mesmo perfil?
Gabriel Thomaz – Tinha, com certeza. Quando eu tive a idéia de formar o Autoramas era exatamente isso, queria uma banda que tivesse vocal masculino e feminino. Sou muito fã do B52's, e outras bandas que são assim. Precisava ser uma mulher por causa dos vocais, de repente a gente poderia pôr um baixista e uma vocalista, mas a Selma cumpriu todos os papéis.
– E como ta sendo tocar com ela?
Gabriel Thomaz – Está ótimo, super tranqüilo. Acho que musicalmente o Autoramas ganhou muito com a entrada dela, a presença dela no palco também está super legal, agora é nova fase, vamos nessa. Eu já até estou acostumado, já faz um ano que rolou isso, foi no final do ano passado. Pra mim, a Simone é passado remoto.
– Agora uma pergunta sobre as letras da banda. Elas seguem uma linha um tanto irônicas, outras muito bem humoradas. Como é que surgiu essa idéia de seguir nessa linha, abordando também o comportamento das pessoas...
Gabriel Thomaz – Têm várias. As letras não seguem só uma só linha. Algumas letras são mais românticas, outras são mais irônicas, tem outras que são explicitamente bem humoradas. A tendência é abrir o leque cada vez mais. No primeiro disco, as músicas tinham haver bastante com o título do disco: Stress, Depressão e Síndrome do Pânico . São coisas que a gente vai vivendo, que eu vivi na época e senti a vontade falar aquilo. Acabou que virou uma coisa muito original, e acho isso muito legal, acho a originalidade uma qualidade muito boa. Mas a gente está sempre querendo ouvir coisas novas e abrir possibilidades.
– O que vocês podem falar do novo disco do Autoramas?
Gabriel Thomaz – Já estamos terminando de gravar, está tudo feito, tudo ensaiado, as músicas estão prontinhas. Estamos gravando 14 músicas. Não sei quantas vão entrar, vamos ver como vai rolar.
– Ah é? E tem previsão para sair?
Gabriel Thomaz – Cara, início do ano que vem, com certeza.
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| Foto: Thiago Vieira |
– Mas e aquele projeto que vocês tinham de lançar os lados-b, além de uma compilação dos dois primeiros álbuns...
Gabriel Thomaz – Ah, esse já está saindo agora, estou ansioso pra ver isso pronto ( Nota da Redação: a coletânea Rrrrrrrock! foi lançada no final de outubro, uma semana após esta entrevista). Esse que vai sair não conta nada. A gente está lançando porque é muito difícil achar os dois primeiros discos e os compactos que estão esgotados. Então, a gente fez pra galera mais nova que hoje quer ter e não consegue. A gente já viu loja vendendo disco antigo a 80 reais e isso é um absurdo. Então é melhor ter um jeito de disponibilizar isso pra galera. Eu sei que muita gente baixa da internet, mas tem muitos que gostam de ter o disco, ler as letras, ver as capas. A gente fez uma capa para esse que também é super legal. Não é um lançamento. São músicas dos dois primeiros discos, só que em versões diferentes. Tem “Autodestruição” ao vivo, tem “Catchy Chorus”, “Tudo Errado” e “Eu Não Morri” da demo, tem as músicas compactos. As músicas do Vida Real a gente regravou, então foi gravação melhor.
– Voltando ao disco novo. Vocês já estão tocando algumas músicas novas nos shows. Em um show no Sesc Pompéia, em julho,vocês haviam tocado “300 km por hora” e “Mundo Moderno”...
Gabriel Thomaz – “Mundo Moderno” é a primeira música do show atualmente. A gente já começa com a nova e a galera tem recebido muito bem. Acho que o repertório está mantendo o nível de todos os outros discos, está legal pra caramba. Tem “Mundo Moderno”, “300 Km...”, tem uma muito boa que se chama “Surtei”, tem outra que se chama... Esqueci as letras das músicas todas (risos). Viu, está vendo, é a maior mentira isso que eu estou falando, a gente não está gravando disco nenhum
(gargalhadas). Ah, tem “O Inesperado”, “Identificação”, que tem a letra do Mini, do Walverdes. Tem uma que é meio espanhola e não tem título ainda, tem duas instrumentais... Ah, tem música prá caramba... (risos).
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| Foto: Thiago Vieira |
– A idéia é sair pela Monstro de novo?
Gabriel Thomaz – Não sei ainda, a Monstro ainda nem conversou sobre nada. Quem está produzindo é o Kassin e o Berna, lá no estúdio deles que é o Monaural. A gente já gravou um tributo ao Guitarwolf (banda japonesa) lá, e o Kassin é super camarada nosso, ele tocou no Acabou La Tequila comigo, então está tudo em casa... |