Picosearch
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop

12 de novembro a
3 de dezembro de 2005

Equipe Edições Anteriores

CINEMA NA PAULISTA
Vão Livre do MASP se firma como uma das atrações da Mostra
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

m meio ao trânsito caótico da avenida Paulista um cinema gratuito a céu aberto. Isso mesmo. Tal fenômeno tem sido uma das marcas das últimas edições da Mostra BR de Cinema. No vão livre situado embaixo do Museu de Arte de São Paulo (MASP), um local conhecido de manifestações populares, foi montado um cinema improvisado: dentro de uma caminhonete, um projetor reproduziu num telão durante toda a Mostra, sempre às 19h30, filmes baseados ou que possuem relação com alguma obra literária, como Memórias Póstumas de Brás Cubas As Horas , A Moça do Brinco de Pérola e Olga . Para acomodar o público, 300 cadeiras plásticas foram posicionadas em frente à tela,digna de muitas salas de cinema.

A reportagem do Rabisco esteve presente em duas oportunidades, para acompanhar a exibição de O Mercador de Veneza e O Paciente Inglês . No meio da noite paulistana que ainda nem havia caído por causa do horário de verão, o buzinaço dos carros e o barulho das motos e ônibus contrastava com o silêncio dos espectadores, que prestavam a atenção necessária a cada evolução das estórias contadas nesses filmes, longos, densos, repletos de nuances e diálogos, caso do Paciente , ou como a discussão político-religiosa entremeada na aventura amorosa do Mercador . Apenas as sirenes das ambulâncias e viaturas da polícia quebravam a concentração daquelas pessoas.

A paisagem verde do Parque Trianon de um lado e a vista da cidade de outro colaborava em manter um clima agradável e aconchegante para um público variado que acompanhou as sessões: amigos barulhentos e silenciosos casais de jovens namorados conviviam tranqüilamente com idosos e famílias inteiras. “Eu acho uma idéia interessante, apesar do barulho dos carros incomodar um pouco”, falou o aposentado José Matos, 60, que veio assistir sozinho, pois sua esposa preferira ficar em casa. “Ela não gosta muito de sair nesse frio. Mas eu é que não ia perder um filme desses de graça né?”, argumentou.

O frio cortante era mesmo o grande entrave, pelo menos nas duas noites em que a reportagem esteve, afinal, a região da avenida Paulista é o ponto mais alto da cidade, com seus 700 metros de altitude. “Tá muito frio aqui. Fica difícil de assistir assim. O jeito é ficar agarradinho”, disse a estudante Patrícia Duarte, 19, que até levou um cobertor para abrigá-la a seu namorado, o auxiliar de escritório, Eduardo Lima, 21: “Vim bem agasalhado pois sei que aqui é muito gelado”, afirmou.

Ao fim das películas, os costumeiros comentários sobre as obras e a certeza de ter vivido uma experiência única de assistir a um filme em meio ao caos da avenida Paulista. E é só voltar os olhos para a via e perceber que ela não parou de se agitar um instante, apenas os carros que permaneciam parados por conta do engarrafamento da “hora do rush”, prosseguindo no seu ritual estressante de buzinar, acelerar e brecar.