| ÚLTIMO ROUND
Este mês, começa a produção do sexto – e provável último – filme da série Rocky
por
Ricardo Stabolito Junior ( ricardostabolito@bol.com.br )

xistem atores que nasceram para fazer um papel. E quando o ator encontra esse papel, tudo pode acontecer – que o digam os críticos de cinema. Sylvester Stallone é um desses atores. Ele possui inúmeras passagens enfadonhas em sua filmografia e diversas atuações medíocres, mas, quando ele encontra Rocky Balboa, algo parece diferente.
Sly (como os americanos chamam Stallone), após assistir uma luta do ex-campeão dos pesos-pesados Mohammed Ali, teve a idéia do personagem Rocky Balboa e, em três dias, escreveu o roteiro que viria a ser Rocky – Um lutador (1976). Como Stallone mesmo disse no documentário da edição especial de 25 anos de Rocky em DVD: “Eu não me perdoaria se o filme fosse um sucesso e eu não estivesse nele” – só aceitou que a MGM rodasse Rocky se ele protagonizasse o filme. Embora atores como Robert Redford e Burt Reynolds fossem cotados para o papel, a MGM teve de dá-lo ao ator.
O filme, que teve um orçamento pouco superior a um milhão de dólares, acabou sendo um sucesso estrondoso e arrecadando mais de 200 milhões de dólares pelo mundo todo. A atuação de Sylvester Stallone beira a perfeição e ele foi indicado ao Oscar de melhor ator em seu papel de estréia no cinema. O filme foi indicado a mais nove Oscars e ganhou três: melhor montagem, melhor diretor (John G. Avildsen) e melhor filme. Mas a carreira de Sylvester Stallone não decolou.
Após Rocky – A revanche , segundo filme da série, Stallone acabou entrando em uma descendente que só viria a ser um pouco revertida quando, durante o fim da Guerra Fria, lançou Rocky IV (1985). O quarto filme deixa o intimismo característico da série de lado e se assume como filme de ação. E, enquanto filme de ação e “sutil” propaganda anticomunista, Rocky IV é fabuloso. Como disse o próprio presidente Ronald Reagan: “Rocky foi melhor propaganda anticomunista do que qualquer guerra”. A atuação de Sylvester Stallone, em relação aos filmes que fazia, na época, é boa. Muitos críticos dizem que Sly é um ator pífio. Mas, Rocky Balboa é o personagem que faz muitos deles ponderar um pouco - inclusive eu.
A opinião dos críticos em relação ao novo filme é unânime: é mais uma tentativa de Stallone levantar sua carreira. Mas, olhando para o passado, há como rebater essa opinião. É preciso lembrar que Sly já tentou levantar sua carreira com Rocky Balboa em Rocky V (1991) e não conseguiu. Apesar de muitos fãs e críticos considerarem o quinto filme como o pior da série, ele não é tão ruim e possui aspectos muito importantes: traz de volta o diretor John G. Avildsen à série em uma direção muito madura e convicta (lembra o primeiro filme), o filme retoma o intimismo característico das primeiras películas da série, a atuação de Stallone não é de toda ruim e Burt Young (que faz o papel de Paulie) retomou o caráter sombrio do personagem que havia sido renegado nos anos 80 quando se preferiu dar a Paulie um tom fanfarrão e hilário.
O sexto filme da série começa com uma mudança: o nome dele, ao invés do presumível Rocky VI , será Rocky Balboa . A estratégia de Sly é inteligente, pois retira do filme parte do peso carregado com a história cinematográfica das cinco primeiras películas. A produção será dividida entre a MGM, Columbia Pictures e Revolution Studios, tendo um orçamento avaliado entre 10 a 15 milhões de dólares (muito baixo). O filme trará de volta Stallone na direção e terá Bill Conti (assina a trilha do primeiro filme, com a composição da inesquecível Gonna fly now ) como compositor.
Rocky Balboa tenta continuar com o tom intimista retomado no quinto filme e é inspirado no lutador George Foreman que, aos 50 anos, voltou a lutar pelo prazer de estar em um ringue. Rocky, agora com 50 anos e viúvo (Adrian falece de câncer), assim como Foreman, volta a fazer pequenas lutas por prazer. Quando a imprensa descobre os pequenos combates, a badalação é tanta que começa a especulação de uma última luta para Balboa contra o campeão mundial dos pesos-pesados Mason Dixon.
O elenco traz de volta Burt Young, no papel de Paulie (provavelmente, só aceitou voltar pela retomada do caráter sombrio do seu personagem no quinto filme); Tony Burton volta a fazer o papel de Duke e, surpreendentemente, Mr. T retorna no papel de Cluberlang (rival de Rocky no terceiro filme) que será comentarista de boxe. O papel de Mason Dixon ficará com o boxeador Antonio Tarver. A produção deve ser iniciada agora em dezembro.
A estratégia de Stallone é fazer com que Rocky Balboa seja a celebração de 30 anos de aniversário de Rocky – Um lutador , sendo lançado já no ano que vem. As esperanças que o filme carrega consigo são resumidas na declaração do presidente da MGM, Dan Taylor: “Estamos convencidos de que a marca Rocky tem boa saúde, com uma nova geração de espectadores prontos para ser apresentados a ele e uma base de fãs ansiosos para se reencontrar com esse personagem".
Nada garante que Rocky Balboa seja o último filme da franquia, mas tudo indica que será. Os dois indicadores principais são: a avançada idade de Stallone – 59 anos – e o empenho com que ele vem tratando esse filme. Para se ter uma idéia, Sylvester Stallone trabalhou cerca de 5 anos no roteiro de Rocky Balboa e procurou, por mais de 2 anos, quem financiasse o filme – incluindo uma negociação cansativa e penosa com a MGM.
Embora a verdade seja que há uma grande chance de Rocky Balboa ser um fracasso ou totalmente inexpressivo no cenário cinematográfico (pelo desgaste da figura de Stallone, pelas últimas experiências da série, pelas novas tendências do público de cinema, pelo baixo orçamento e tantos outros motivos), a torcida dos entusiastas do cinema e dos fãs da série é que Rocky Balboa seja um filme que retorne as origens brilhantes da franquia e, principalmente, consigam dar um final digno de uma série clássica do cinema mundial.
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