2

Picosearch
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop

10 a 24 de janeiro de 2006

Equipe Edições Anteriores

ETA DANADO!
Em entrevista ao Rabisco, o escritor Marcelino Freire destaca a necessidade de romper a inércia literária e busca visibilidade para a nova produção pernambucana
por Ana Lira ( analira@rabisco.com.br )

Leia aqui o texto de Conrado Falbo sobre a obra de Marcelino Freire

m outubro de 2005, na mesma época em que entrevistei Marina Colasanti na Bienal do Livro de Pernambuco , tive a oportunidade de acompanhar uma oficina de narrativas breves, ministrada pelo escritor pernambucano Marcelino Freire. Na noite em que ele iria participar da conversa com os rapazes do programa radiofônico Café Colombo eu propus uma entrevista, que apenas agora está sendo publicada na Revista Rabisco. É bom para começar o ano pensando. É que Freire tem prazer em provocar rearranjo. Senti isso primeiro contato que tive com seus textos - através da peça Angu de Sangue , baseada no livro homônimo - e aquilo me doeu tanto que escrevi uma depoimento na Aquarela . Além disso, observei que por trás de seus questionamentos, de sua prosa angustiada, havia alguém que queria dialogar, sentar junto e bater dois dedos de prosa, como fazem os nossos conterrâneos. Então, assim foi. Sentamos em uma mesinha, no meio daquela agonia da Bienal , e o resultado vocês lerão a seguir.

- Eu queria começar esta conversa perguntando quem é Marcelino Freire?

- Um teimoso. Eu aprendi esta teimosia sertaneja com a minha mãe, o meu pai, com os irmãos. E essa teimosia é também literatura...esse vexame. Eu sou um cara muito agoniado, embora não pareça. Calmo, mas elétrico, eu fico ao mesmo tempo. Então, eu diria que é isso. A minha literatura é teimosa. Os projetos que eu faço são teimosos, são urgentes . Eu não me conformo com muita coisa e, então, eu grito. Eu dou vexame.

– Em que ano você viajou para São Paulo e o que pretendia quando deixou Recife?

– Eu sou de Sertânia, no interior de Pernambuco. Eu viajei em 1991. Fui para São Paulo zerado de tudo. Eu fui com um convite de amigos para morar na cidade, e já estava cansado de pôr-do-sol, de areia, de contemplação, estava muito agoniado. As coisas não caminhavam. Recife estava parada. Eu estava parado. Resolvi ir e fiquei lá sem emprego e sem nada.

– Você sempre comenta que antes de ser escritor você queria fazer teatro. O que te fez desistir?

– Eu tinha muito pudor para ser ator. Eu comecei fazendo teatro muito novo, com nove para dez anos de idade, em uma escola chamada Professor Alfredo Freire, no bairro de Água Fria. Alfredo Freire foi o pai do Gilberto Freire. Era uma escola que tinha uma professora chamada Ilza Cavalcanti e ela foi responsável por toda uma geração de artistas e atores aqui de Pernambuco. Eu comecei fazendo teatro com ela, comecei a escrever para teatro muito novo, mas como eu participava de festivais, como os do Teatro do Parque, o Festival de Teatro Amador, a Ilza levava as minhas peças e montava para apresentar nos festivais. Foi uma pessoa hiper importante no meu primeiro contato com a linguagem criativa, essa minha primeira exposição. Foi exatamente em um festival de teatro que eu vi uma peça chamada Por Incrível Que Pareça e todos os atores estavam nus. Não tinha nada a ver com essas peças que fizeram muito sucesso porque o pessoal ficava nu. Era uma peça bem conceitual, muito bonita. Imediatamente, ali, eu descobri que eu tinha muito pudor para ser ator. Eu não ia ficar nu, eu não tinha movimento, o meu corpo é travado, e me deu essa preguiça, essa consciência e eu desisti, porque com pudor você não faz nada.

– Mas, pelo visto, você nunca ficou longe do teatro. Você chegou a se envolver com a montagem teatral do teu livro, Angu de Sangue ?

– Não. No mesmo ano em que eu lancei o André Brasileiro entrou em contato comigo para produzir a peça, e eu, automaticamente, autorizei. Eles ficaram pesquisando e trabalhando com esta peça durante um bom tempo. Eu estive em Recife para participar de um encontro de escritores e ele marcou comigo para conhecer o grupo. Eu fui ao encontro e tive um papo com eles a respeito da criação, como os meus pontos são estruturados e feitos, e conversamos bastante, eles estavam no comecinho dos ensaios e depois eu só os vi no palco. Fui convidado para a estréia da peça e fiquei muito sensibilizado, muito tocado. Eles pegaram a alma da coisa. Cada vírgula, cada ponto do que eu escrevi. Eles levaram para o palco com muita competência, com muita inquietação, força. A maioria do pessoal faz os meus textos, mas não sabe que eles estão ali prontos para serem interpretados, lidos. A fortaleza já está ali. Eles pegaram muito bem isso. E com essa força pernambucana, que os atores têm. O espetáculo ficou um choque.

– Você falou de quem te iniciou no teatro. E em relação à literatura, quem te despertou os primeiros passos?

– Manuel Bandeira e Graciliano Ramos. Manuel Bandeira foi o primeiro poeta que eu li na minha vida, nessa mesma fase que eu comecei fazendo teatro, dos nove para os dez anos de idade. Bandeira foi a porta de entrada para uma série de outros poetas, como João Cabral de Melo Neto, Cecília Meireles, Carlos Drummond de Andrade, enfim. O primeiro prosador que eu li foi o Graciliano Ramos. Eu li o São Bernardo , e aquela secura do Graciliano, aquela forma fantástica de narrar, de enxugar o texto, e o teatro.

– Naquela crônica que você publicou no Cronópios , você demonstrou um carinho muito grande pelo Manuel Bandeira. Você trouxe alguma coisa dele para a tua obra?

– Eu trouxe essa melancolia, esse social do Manuel Bandeira que é, às vezes, até pouco comentado. Eu lembro que fiquei muito impressionado com o poema “O Bicho”. Descobri que o personagem que estava catando comida nos detritos e estava jogado no lixo, comendo do lixo, era um homem, não era um gato, não era um rato. E isso era uma coisa para uma criança de nove anos de idade. Depois vem aquela sombra da morte, do Manuel Bandeira, aquela tragédia da vida dele, de saber que iria morrer em poucos meses, e o cara viveu oitenta anos com a sombra da morte. Então, o fato dele ser tuberculoso, também. O Manuel Bandeira me ensinou a ser doente. O artista que não te deixa doente, desconfie dele. Eu queria ser doente, igual ao Manuel Bandeira. Eu queria ser tuberculoso. Eu fui salvo pela doença do Manuel Bandeira. E os meus textos carregam esta doença e esse pigarro, essa tuberculose banderiana.

– Quando a gente lê livros como Angu de Sangue e Balé Ralé é inevitável pensar sobre a vida e a realidade áspera das pessoas do Brasil. Mas quando você constrói o texto, a crítica social vem intencionalmente?

– Eu não acredito no escritor que esteja distante do social, mas não de forma panfletária, não construir o seu texto como um discurso. Eu, inclusive, corro muito o risco de descambar para o discurso, para o demagógico, para o sentimentalóide, porque eu trabalho em regiões muito fronteiriças. Os personagens têm muito a urgência de falar, de gritar, de dar vexame. Então, eu tenho um controle muito forte. É uma briga muito grande para ir controlando este extinto social, mas eu não acredito em escritor que esteja alheio a isso. Eu não imagino uma pessoa construindo, no meio em que a gente vive, hoje, uma literatura frígida. Vocês podem me acusar de qualquer coisa, até de demagógico, o que seja, mas não me acusem de frígido. Se os meus personagens são frígidos, eles são porque têm uma incapacidade amar muito grande, porque o nosso mundo tem essa capacidade de não amar muito grande. Então, os meus livros, os meus contos só espelham isso, essa realidade. Mas não espelham uma realidade de forma jornalística. Se fosse a realidade pela realidade os jornalistas fazem isso. É uma recriação do real.

- E neste novo livro que você está escrevendo...que você comentou que é uma novela, este diálogo com o homem comum está presente?

– Eu tenho uma dificuldade muito grande, e você sabe disso, de escrever textos longos. Eu tenho um texto muito curto. O meu desafio é saber como é que essa minha linguagem, que é urgente, vai se demorar. Como que ela vai ficar muito mais associada ao camerístico do que ao repentista. Alguma coisa desse tipo. De que forma o meu livro vai ser urgente em vários capítulos. Então, vai ser um trabalhão danado porque o romance tem um outro ritmo, requer um outro fôlego, requer um capítulo em que ele está mais tenso, outro que dilui. Esse esqueleto do romance eu preciso...vai ser escrevendo que eu vou montar, que eu vou saber dominá-lo.

– É a tua primeira experiência com narrativa longa?

– Primeira. Quando os meus contos passam de duas páginas, eles já são longos, que dirá um romance. Agora, o processo do romance tem sido para mim muito...É que eu comecei escrevendo oitenta páginas, mas eu ia dormir com o danado do romance. E não acontecia muito isso com o conto porque ou eu resolvo o conto, e fico de madrugada resolvendo se não eu não dormirei direito, mas eu acabo, ou rasgo e vejo que aquilo não vai mais para lugar nenhum, então, eu fico tranqüilo e vou dormir. Mas o romance você termina o primeiro capítulo, que você resolveu pela madrugada, mas vai dormir pensando no segundo capítulo, no terceiro, aqueles personagens não desgrudam de você. Eu acho que vai ser uma tarefa difícil. Eu falo para as pessoas que literatura não tem nada a ver com sofrimento, porque se tivesse a ver eu não escreveria. E agora eu estou escrevendo um romance e estou passando por uma situação para pagar a minha lingüinha porque não deixa de ser incômodo você não dormir uma, duas, três noites por causa de um romance (risos).

– E a respeito de Contos Negreiros. Você pode contar um pouco como foi a concepção deste livro?

– Eu queria muito fazer um livro abolicionista, em pleno começo do novo milênio. Eu percebia que, entre os meus personagens, vários deles eram negros. Eu penso sempre na unidade do livro, no que há de homogêneo, então, eu gosto muito de pensar em um livro assim: esse tema vai ser um tema negreiro. Eu tenho vários contos sobre negros, eu vou discutir a questão do tráfico de órgãos, nem esqueci do trabalho escravo, e eu vou reunindo aqueles contos. É que antes, publicados já há algum tempo, eu tinha contos que eram sintomáticos para a feitura deste livro, como era O solar dos príncipes”, que era a história de dois negros que saem do morro para filmar a vida dos ricos, sem que avisem para o prédio de classe média alta, como fazem os ricos quando sobem o morro para filmar a vida dos favelados. Esse conto tem um tempo, já. Eu tinha um conto chamado “Nação Zumbi”, sobre o tráfico de órgãos, e “Trabalhadores do Brasil”, sobre trabalho escravo e percebi que formava uma temática. E fui reler Castro Alves, Jorge de Lima, Cruz e Souza. Eu gosto muito de estar envolvido com livro assim. Ah, o tema era negreiro eu vou lá para Castro Alves, vou escrever Contos Negreiros, eu quero fazer um livro abolicionista. Eu gosto desta provocação, e ele foi feito.

– Falando sobre esta questão da leitura de Castro Alves e Jorge de Lima, na oficina que você ministrou na Bienal do Livro de Pernambuco, houve um comentário teu de que as pessoas pareciam estar sem tempo para ler. De que maneira isso afeta a produção literária?

– Afeta demais. Eu acho que, inclusive, o escritor. As pessoas precisam saber que, hoje, o cara tem um dvd que tem não só o filme, como o extra do filme. Ele tem na televisão mais de cem canais para escolher, cinema em vários lugares, feiras, festas, então a literatura precisa ser forte, necessária, pulsante, para que ele deixe de ver os cento e tantos canais e o filme do dvd. Para que naquele momento solitário ele possa escolher o livro como uma forma, também, de diversão, digamos. E que, desde que ele procura diversão no livro, que esta pessoa seja balançada por ele. Mas esta coisa da leitura está muito no escritor, que tem que refletir sobre isso, sobre romances enormes. Será que eles têm fôlego, têm a realidade de hoje, esses romances imensos? Será que a literatura precisa de tanto ziguezague para dizer uma coisa? De que forma é uma linguagem que contribui para esse universo que a gente vive hoje? Isso não apenas em relação aos escritores, mas aos professores, também. O escritor deixou de ser um escritor de redoma, hoje ele está interligado, ele está se comunicando mais rapidamente. É perigoso dizer isso porque “ah, não. Não seria o contrário? Eles deveriam se recolher para preservar a sua individualidade?”, mas como? Se você está em casa e o telefone toca, o celular toca, e-mail para responder, o cinema para te atrair. Acho que essa figura do escritor em redoma está acabando, e eu tenho muita necessidade de me comunicar. Eu quero ser o Roberto Carlos (risos). Eu quero ter oportunidade de ter um sucesso popular, em que eu possa falar as coisas que eu falo e ler as coisas que eu leio. Então, é essa a minha vontade, tirar a literatura um pouco do solene. Jogar pedras na paisagem. É isso o que eu quero.

– Foi por isso que você decidiu investir em narrativas curtas como o projeto Cinco Minutinhos e Os 100 Menores Contos do Século ?

– Sim, até para provocar, para discutir e chamar os escritores para uma literatura que tenha, também, um pouco mais de diversão. Tirar um pouquinho a literatura do Olimpo. Dizer que a literatura pode estar no Motel, na frente do cinema pornô, pode estar em qualquer lugar, viva, pulsante. Menos academias e mais vida. Aproximar a literatura da cerveja, da boemia, do aborto, da batata-frita, do jovem. Eu ouvi uma coisa, hoje, que não é a primeira vez que eu ouço, alguém dizendo “eu não pensei, Marcelino, que você fosse jovem”. Uma leitora falou porque achou que eu era bem velho porque associa literatura a velhos, e existe toda uma geração nova escrevendo. É que é tão pedante que eles colocam a literatura no museu.

– De que maneira a elaboração de histórias curtas ajuda no processo de criação?

– O poder de síntese, não é? A literatura curta. O microconto. Os haicais ficcionais. Eles ajudam a enxugar palavras, a tirar a gordura do texto. É um exemplo maravilhoso você tentar escrever em duas linhas, o que você escreveria em dez, vinte. Você testa o seu poder de fogo, o seu jogo com as palavras. Eu acho ótimo.

– Entre os autores que compõem pequenas narrativas, quem você destacaria?

– O Dalton Trevisan é um mestre da narrativa curta. Eu acho que tem uma linha de narrativa curta, que não é necessariamente microconto. Tem um mestre que apareceu na geração da década de noventa, embora ele esteja com sessenta anos, é o Evandro Afonso Ferreira. Por exemplo, a Ivana Arruda Leite, os contos dela que falam sobre a mulher, não são longos, tem vários minicontos. Eu digo que ela nos deve um livro de minicontos. Eu acho que ela tem um poder de síntese muito forte.

– Você tem a intenção de criar uma oficina de narrativas curtas?

– Tenho. Esta que eu fiz em Recife foi feita, também, em Porto Alegre, São Paulo e Fortaleza. O nome é Narrativas Breves e Outras Nem Tanto . Eu começo com microconto, miniconto e vou para outras maiores. Mas a minha oficina é uma conversa . Evidentemente que, uma hora, aquela conversa fica repetitiva para mim, embora a novidade de cada oficina seja a pessoa que está fazendo a oficina e que vai trazer novos elementos para a minha discussão. Não sei se, pela experiência que eu tive, eu vá continuar fazendo muitas oficinas, entendeu? Porque tem uma prática que vai precisar avançar, que é a pesquisa, na didática e que eu não curto muito.

– Marcelino, você participou do projeto da revista PS:SP. Por que ele não continuou?

– A revista acabou porque a gente fez um número único com poucos exemplares. Eles esgotaram. Ela foi completamente patrocinada. No lançamento, em São Paulo, a gente distribuiu a revista. A gente não vendeu. Depois, ela circulou em algumas livrarias e teve uma repercussão muito grande e acabou. Ela está completamente inédita. Tem a intenção de fazer uma reimpressão da revista, mas não um segundo número porque é muito trabalho. Criamos a PS:SP para ser um fetiche mesmo. Existiu ali e dali não vai mais para lugar nenhum.

– A Ácaro lançou o terceiro número, depois de um bom tempo da segunda edição. Mesmo em um ambiente literário tão movimentado, por que é tão difícil manter uma publicação assim?

– Por que é caro, as pessoas não querem patrocinar a literatura. Então, o pessoal mesmo da Ácaro é um luta. Faz a primeira revista, depois para, faz a segunda, e o patrocinador faliu. Parou e conseguiu o apoio da Nestlé Literatura, mas para a próxima revista ninguém sabe o que vai acontecer. A PS:SP aconteceu porque houve um patrocínio muito forte e a gente decidiu fazer um número único porque se a gente ficasse prometendo periodicidade, não teria como manter, e preferiu se fazer uma revista que registrasse naquele número específico, a geração da Vila Madalena, em São Paulo, e partimos para os nossos projetos. Fizemos um documento e vamos partir para outro.

– E você vai fazer a Entretanto , com Raimundo Carrero?

– Vamos fazer a Entretanto . Ela conseguiu um patrocínio do Funcultura. O Delmo Montenegro, que é um dos editores, conseguiu isso para viabilizar a revista, e a gente está fazendo, entregando os textos, fazendo esta primeira triagem para lançar no ano que vem. Vai ser bem legal. O que eu percebo é que na Bienal de Pernambuco foi muito sintomática a presença da literatura contemporânea. É bom saber, por exemplo, que vocês da Vacatussa lançaram o segundo número, tem a revista Crispim que eu ouvi falar, que é uma moçada ótima, o Fábio Andrade, o Eduardo Maia...e o Renato Lima, mesmo, do Café Colombo, que está fazendo uma cena diferenciada em levar a literatura para a rádio, em levar a literatura com o humor e a inteligência que eles levam. Tem uma cena muito pulsante aqui em Pernambuco, e que precisa vir para a frente, como fez a música, o teatro, o cinema. A literatura pede isso, tem uma geração toda, da qual você faz parte, que está produzindo isso. O pessoal do Rabisco mesmo, para onde você está me entrevistando. É um site lindo. Então, é preciso fazer a roda rodar. Na maioria das vezes, não se olha mais para o contemporâneo e eu estou muito feliz porque eu vou sair desta minha visita ao Recife com muitos nomes que eu nunca tinha ouvido falar.

– Além do que a gente conversou aqui, você ainda está envolvido em mais algum projeto?

– Vários. Eu estou organizando, mas assim, meu tempo anda meio sem tempo, mas tem uma antologia de contos gays que eu estou organizando com o Santiago Nazarian . Quando eu digo que estou organizando eu estou mentindo porque quando eu não estou viajando é o Santiago que está viajando. Ele tem pesquisado mais. Então, existe a possibilidade do Santiago ficar com o primeiro volume, de dez contos, doze contos e eu com o segundo. Esta antologia deve sair pela Editora Record e deve se chamar Contos Para Ler Fora do Armário . São contos que já foram escritos e que vai da Lygia Fagundes Telles ao Paulo Henriques Britto, e está dentro de uma série de livros feita pelo Miguel Sanches Neto, escritor do Paraná, que tem Contos Para Ler Viajando , Contos Para Ler na Cama . O projeto meu com o Santiago a Luciana Villas-Boas achou por bem colocar nesta série. Tem também uma antologia de microcontos mundiais, eu quero fazer os cem maiores microcontos mundiais. Estou fazendo o meu romance, que é para 2007, além de outros projetos, como o do Itaú Cultural. Eu quero ver se levo a discussão da cena literária pernambucana para São Paulo, para dar um reforço. Eu quero ver se eu convenço o pessoal a fazer uma discussão que já se fala muito no cinema, no teatro e na música pernambucana e vamos ver o que está acontecendo na literatura.