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25 de janeiro a
8 de fevereiro de 2006

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RUMO À IMORTALIDADE
Highlander chega ao seu vigésimo aniversário de lançamento como um dos maiores clássicos dos anos 80
por Ricardo Stabolito ( ricardostabolito@bol.com.br )

magine poder atravessar os tempos, assistir à evolução da humanidade e conhecer todos os lugares que existem. No mundo que envolve as histórias do Gregory Widen isso é possível por um caro preço. E é dessas histórias que se origina o filme Highlander – O guerreiro imortal (1986).

O filme conta o caminho trilhado por Connor MacLeod, nascido há mais de 400 anos nas colinas da Escócia. Desde a expulsão de sua aldeia acusado de atividades satânicas após ter sofrido um ferimento fatal e ter sobrevivido, ele vaga pelo mundo vivendo atrás de paz.

Mas Connor não é o único imortal. Eles são vários espalhados por todo o mundo e vivem em um eterno “jogo”, onde têm de se matarem até apenas um deles restar e ganhar o prêmio desconhecido. A única forma de “matar um imortal” é cortando-lhe a cabeça e absorvendo sua energia. Quando poucos restarem eles serão atraídos até um local onde será feita a “Reunião” e os últimos se degladiarão pelo prêmio. Além de lutar pela premiação, MacLeod terá de enfrentar um antigo inimigo – Kurgan – que matou seu treinador Ramirez há quatro séculos. O grande embate será realizado em Nova York.

Diferente do que se pode pensar, o filme não está centrado nas lutas entre os últimos imortais, mas em uma retrospectiva da extensa vida de MacLeod até chegar à Reunião e no levantamento dos pontos positivos e negativos de se poder viver para sempre. E aí está grande sacada do filme, pois ele foca os pontos negativos uma vez que os positivos todos já sabem e anseiam.

O filme mostra Connor MacLeod vivendo mais um fardo do que um privilégio. Durante a sua trajetória, MacLeod assiste a morte das pessoas que ama e tem que viver pulando de vida em vida sem poder contar a ninguém sua condição de imortalidade. Além disso, ele é obrigado a matar outros imortais para se manter vivo. Ou seja, ser imortal é realmente uma grande dádiva nessas condições?

O grande questionamento do filme está no título da música-tema interpretada pelo grupo Queen : Quem quer viver para sempre? (Who wants to live forever). A música embala os momentos mais tristes de MacLeod e, com maestria, realiza a função de avaliar o quão prazeroso é ser imortal. A música rendeu a Highlander uma indicação ao Oscar de melhor canção.

As belas locações utilizadas para suas cenas medievais são outro triunfo de Highlander. As casas, aldeias e cabanas típicas da época enriquecem os cenários dando-lhes uma aparência perfeita. O roteiro foi escrito pelo próprio Gregory Widen, em combinação com Peter Bellwood e Larry Ferguson. A presença de Widen ajuda que o filme capte a mesma mística que fez das obras literárias um sucesso. O roteiro não se perde na possível violência exagerada e consegue alcançar momentos tensos e, até mesmo, engraçados.

A direção ficou a cargo de Russell Mulcahy. Ele prima pelos aspectos técnicos, transformando o filme em um deleite para os olhos do telespectador, amparado por um belo trabalho de edição. Mulcahy usa uma tática conhecida entre os filmes dos anos 80 e do próprio cinema box-office : lapidar com preciosidade os aspectos técnicos da produção, muitas vezes limitando a profundidade de certos personagens.

Talvez esse seja o motivo de não se ter muito tempo para reparar na bela atuação de Christopher Lambert. Seu empenho antes da produção ao se submeter a seis meses de treinamento com um especialista em sotaques para aparentar não ter nenhum sotaque (ser, literalmente, um cidadão do mundo) mostra-se eficiente durante o filme e sua atuação é muito boa.

No papel de Ramirez – treinador de Connor – temos Sean Connery em participação especial. Highlander estende o tapete vermelho para ele, sem o peso de ser protagonista, arrasar em uma bela atuação. Além de acertar ao aceitar o papel, Connery confirma sua volta ao cinema iniciada no filme não oficial da série 007 Nunca mais outra vez (1983). Atenções merecem também as lutas com espadas que, com sons estridentes e ritmos frenéticos, foram as principais responsáveis pelo Oscar de melhor som – único ganho pelo filme.

Highlander foi um sucesso imediato de crítica e público. A pressão para que uma seqüência fosse rodada foi muita e Lambert e Mulcahy resistiram. No entanto, em 1990, ambos se uniram novamente para realizar Highlander II – A ressurreição . Grandes problemas na produção, cortes orçamentários e estouro no tempo da produção fez com que o filme fosse um grande fracasso.

Highlander III – O feiticeiro e Highlander IV – A batalha final foram lançados, respectivamente, em 1994 e 2000, acumulando insucessos para a franquia. Todos os filmes foram protagonizados por Christopher Lambert que ficou marcado pelo papel e não alçou grandes vôos além de razoáveis filmes de ação.

Os produtores do filme original, Peter S. Davis e William N. Panzer, perceberam o potencial da história e levaram-na para a TV resultando em Highlander – A série que durou seis temporadas. A série conta a história do imortal Duncan MacLeod e é interpretado pelo ator Adrian Paul. Ele será o protagonista da nova trilogia cinematográfica envolvendo a história dos imortais. O primeiro filme, com lançamento para o fim desse ano, será Highlander – The Source . Christopher Lambert negocia uma participação especial.

Highlander é interessante porque une com sabedoria o drama e o prazer de ser imortal à lutas sensacionalmente feitas. É um filme de ação com conteúdo, o que foi produto raro nos cinema dos EUA nos anos 80 e ainda o é hoje. Mesmo 20 anos após seu lançamento e todos sabendo o fim do filme, ele continua sendo uma boa amostra de diversão “a la 80's”. E, assim, ruma para a imortalidade.