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Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
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15 a 30 de março de 2006

Equipe Edições Anteriores

O SOBREVIVENTE
Passados dez anos de sua morte, o escritor Caio Fernando Abreu é celebrado como um dos nomes mais importantes da literatura nacional

aro leitor,

Na última semana de fevereiro, enquanto as festividades do carnaval estavam se espalhando pelo Brasil, vários grupos se reuniam em diversos pontos diferentes do país para realizar um evento diferente: relembrar os dez anos da morte do escritor gaúcho Caio Fernando Abreu.

Considerado um dos mais célebres escritores da literatura contemporânea brasileira, Abreu nasceu na cidade de Santiago (RS), em 1948, e iniciou a vida literária muito cedo, quando recebeu o primeiro lugar em um concurso de contos na escola em que cursou o ginásio. Poucos anos depois seus primeiros contos começavam a ser publicados em revistas, como Claudia , na década de 1960, e em suplementos literários do país.

Caio Abreu também não demorou a deixar o Rio Grande do Sul e ir morar no sudeste para atuar como jornalista – foi um dos jornalistas da primeira fase de Veja – mas sempre retornava ao Estado em que morava, e acabou eternizado características de sua terra natal ao criar o Passo do Guanxuma , uma espécie de cidade ficcional que foi tema de contos como “Introdução ao Passo do Guanxuma”, do livro Ovelhas Negras , e “Uma praiazinha de areia bem clara, ali, na beira da sanga”, de Os Dragões Não Conhecem o Paraíso , considerado um dos clássicos da trajetória do escritor.

Nestas idas e vindas entre São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e suas viagens à Europa, Caio F. (como gostava de assinar seus textos, fazendo referência a alemã Cristiane F.) publicou mais de dez obras, entre romances, coletâneas de contos, crônicas, novelas e peças teatrais. Recebeu duas vezes o Prêmio Jabuti, em 1985 por Triângulo das Águas e em 1988 por Os Dragões Não Conhecem o Paraíso e foi considerado o porta-voz da geração do desbunde, que viveu atormentada pela sombra da Aids, que vitimou, na mesma época que ele, vários outros artistas brasileiros, como Cazuza e Renato Russo.

Nesta edição do Rabisco, colaboradores e convidados de vários pontos do país se reuniram para lembrar o escritor da paixão , como diria Lygia Fagundes Telles. O jornalista e professor pernambucano Thiago Soares traça um panorama da presença de Caio Abreu na literatura contemporânea, acompanhado pelo texto de Conrado Falbo, que discute o fascínio que o escritor gaúcho desperta em gerações cada vez mais novas de leitores.

Por outro lado, o jornalista Marcelo Xavier apresenta um perfil do Caio Fernando Abreu nômade, que saiu pelo mundo em busca de si mesmo, e produziu pérolas como Morangos Mofados e os registros literários singulares que deram origem ao livro de contos Ovelhas Negras , que reúne aquilo que se chama de “contos deserdados e proibidos”, ou as “ervas daninhas” da obra do escritor, como ele gostava de lembrar.

A obra Morangos Mofados é debatida neste especial por Luiz Rebinski Júnior, e esta editora que vos fala preferiu conversar sobre Ovelhas Negras , pelo caráter de documento histórico que a obra caracteriza. Esperamos que vocês possam ler e apreciar este pequeno dossiê sobre um escritor que sem malabarismos técnicos conseguiu deixar sua marca na história da literatura brasileira. Até mais!

OBS – Vale recomendar a leitura de dois trabalhos inéditos que Caio Abreu que foram publicados nos últimos seis meses. O primeiro, na edição de Outubro de 2005 do projeto Paralelos.org e o segundo na edição de fevereiro da Revista Bravo! Para informações on-line vejam os endereços:

Paralelos

Bravo!

Ana Lira

ESPECIAL CAIO FERNANDO ABREU

Dóivezenquando – Thiago Soares

Caminhos Cruzados – Conrado Falbo

Vagabundo Iluminado – Marcelo Xavier

Literatura Antimofo – Luiz Rebinski Junior

O Livro dos Dias – Ana Lira