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8 a 22 de abril de 2006

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ROCK SEM FRESCURAS
Oasis prioriza música e agrada fãs em São Paulo, debaixo de muita chuva
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

turnê Don't Believe the Truth do Oasis encerrou sua excursão pela América do Sul com o show no Brasil, realizado no último dia 15 de março, depois de passar por Argentina e Chile. Cerca de 15 mil pessoas, que vieram de várias partes do país, estiveram presentes no estacionamento do Credicard Hall, zona sul de São Paulo, para acompanhar a “maior banda de rock do mundo”, segundo o próprio Liam Gallagher, vocalista do grupo. Megalomanias à parte, o que se viu foi uma apresentação de rock bastante direta e simples, sem a produção exorbitante de apresentações como as do U2 e Rolling Stones, que estiveram recentemente em território brasileiro. Para se ter uma idéia, a única decoração do palco foi um pano carmesim com cordas brancas com vários “nós”, que, na verdade, eram luzes amarelas que piscaram de forma sincronizada durante a 1h40 de show.

Após a apresentação de abertura dos cariocas do Moptop, que pouco convenceu os presentes, a banda inglesa entrou pontualmente às 22h, ao som eletrônico de “Fuckin' in the Bushes” ao fundo, do CD Standing on the Shoulder of Giants . Liam, imóvel, segurava a meia-lua na boca e olhava fixamente para frente, como que encarando o público, enquanto o guitarrista e irmão, Noel, abaixaria a cabeça e quase não a levantaria mais durante todo o show. Depois do frisson inicial, as batidas secas da bateria de Zak Starkey, filho do beatle Ringo Starr, iniciavam a viagem pelo último CD, Don't Believe the Truth , com os novos hits “Turn Up the Sun” e “Lyla”.

Durante a segunda música o dilúvio começou. O que pareciam ser alguns pingos de algum copo de água jogado para o alto virou um verdadeiro balde que encharcara todos, mas o público do gargarejo parecia se animar ainda mais em cantar assim. “Chove como em Manchester”, comparou Liam, que até esteve comunicativo durante o show, por mais que algumas vezes fosse impossível entender o que ele dizia. Já Noel até brincou com os versos da música “The Importance of Being Idle” que cita uma passagem sobre a chuva: “I lost my faith in the summer time/´Cos it don't stop raining/The sky all day is as black as night/But I'm not complaining”.

A partir daí a o aguaceiro começou a atrapalhar o show, com o telão simplesmente apagando durante “The Masterplan”, e só voltando lá perto do fim da primeira parte da apresentação, pouco antes da chuva dar uma trégua. A lateral do palco quase inundou, tendo que ter a água retirada por rodos. Muitas pessoas procuraram abrigo debaixo da marquise do Credicard Hall, desistindo de acompanhar o show debaixo daquela água toda, que também ajudava a trazer o cheiro fétido do rio Pinheiros.

Problemas externos à parte, o Oasis viu o esforço da maior parte do público que permaneceu pulando e cantando, tanto que Liam aplaudiu diversas vezes e, inclusive, ofereceu “Live Forever” à galera, em sua maioria garotos de garotas que eram bem pequeninos quando os primeiros acordes e versos desse grupo era conhecidos na Inglaterra, mostrando que a banda renovou sua geração de fãs. Fãs que reverenciaram Noel abaixando as mãos como que se fosse possível ajoelhar e estender os braços para o magnífico solo da canção.

Destaque também para Zak Starkey que, ao contrário do álbum, consegue mostrar que sabe fazer muita coisa na bateria ao vivo, batendo duro, quase como um bate-estaca. Caso de “Mucky Fingers”, que teve também uma improvisação de seu instrumento no final de tirar o chapéu, tanto que o próprio Liam, quando voltou ao palco (esta canção é cantada por Noel), deu a mão a Zak, cumprimentando-o em tom de brincadeira pelo seu desempenho. Interessante nessa canção também a gaita executada pelo guitarrista Gem Archer.

A primeira parte do show teve fim com o épico “Rock ‘N' Roll Star”, do trabalho de estréia da banda, levando a platéia ao delírio. Antes da volta para o bis o público deu outro show: cantou o refrão de “Don't Go Away”, um dos megahits do grupo aqui no Brasil em 1998, do CD Be Here Now , na esperança de ter essa canção executada pelo grupo. Porém, outra surpresa estava reservada: quem voltou primeiro ao palco foi Zak, que começou a executar um tum-tá, tum-tum-tá bastante familiar aos ouvidos. Os outros integrantes voltaram e Noel começou na guitarra aquilo que todos já imaginavam: “Supersonic”, outro megahit do primeiro disco do Oasis. Surpresa porque esta música não constava no setlist da turnê, e nem foi tocada no Chile, nem na Argentina. Mas os pedidos dos fãs no começo do show fizeram efeito, levando-os ao clímax.

Antes de fechar a noite, a famosa “Don't Look Back in Anger” (que virou até trilha de novela global) foi cantada pelo público junto com Noel. Por fim, o rockão animado de “My Generation”, do The Who, encerrou com chave de ouro, com direito até a distorção do baixo de Andy Bell e a aplausos sinceros da banda, em agradecimento aos fãs brasileiros. Foi o encerramento de um show simples e sem frescuras, sem discursos demagógicos em português ou produções mirabolantes, já que a música é o que importa. Para quem gosta de rock, e no estilo discreto dos irmãos Gallagher, foi um prato cheio.

Setlist do show
Fuckin' in the Bushes
Turn Up the Sun
Lyla
Bring It On Down
Morning Glory
Cigarettes and Alcohol
The Importance of Being Idle
The Masterplan
Songbird
Acquiesce
A Bell Will Ring
Live Forever
Mucky Fingers
Wonderwall
Champagne Supernova
Rock ‘n' Roll Star

Bis
Supersonic
The Meaning of Soul
Don't Look Back in Anger
My Generation