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2 a 16 de maio de 2006

Equipe Edições Anteriores

CLÁSSICO DE GERAÇÕES
Casablanca é escolhido o melhor roteiro de todos os tempos
por Ricardo Stabolito ( ricardostabolito@bol.com.br )

asablanca ficou com o primeiro lugar na lista dos 101 maiores roteiros da história do cinema, em votação realizada pelo Sindicato dos Roteiristas da América (WGA). O anúncio foi feito no último dia 06 de abril em um evento de gala realizado no Writers Guild Threater, em Los Angeles. A votação inédita no sindicato foi iniciada ainda na metade de 2005 e puderam ser votados quaisquer roteiros que foram produzidos, independente do ano em que foram escritos ou língua.

O roteiro de Casablanca é uma adaptação da obra Everybody Comes to Rick´s , escrita por Murray Burnett e Joan Alison e foi assinado por Julius J. Epstein, Philip G. Epstein e Howard Koch. Lançado em novembro de 1942, Casablanca ganhou três Oscars (melhor filme, melhor diretor e melhor roteiro) e é considerado um dos grandes clássicos do cinema americano e mundial.

A história de amor de Rick Blaine e Ilsa Lund é o “coração” do roteiro de Casablanca . O casal emplacou um romance em Paris, pouco antes da invasão nazista a França. Assim que os nazistas invadem Paris, Blaine é obrigado a fugir, pois integra a lista negra deles. No dia da fuga, Ilsa manda-lhe uma carta dizendo que não poderá ir com ele. Anos depois, ambos se reencontram na cidade que dá nome ao roteiro – Blaine como o dono do bar mais movimentado da localidade e Ilsa como esposa do idealista Viktor Laszlo, homem perseguido pelos nazistas e que encontra em Casablanca a sua última parada em direção a América e à liberdade. Porém, o único homem que pode fazer com que Laszlo e Ilsa cheguem à América é Rick.

O reencontro de Ilsa e Blaine reacenderá o amor entre eles e, agora, ele não sabe se faz a coisa certa (salva Laszlo e, conseqüentemente, perde Ilsa para sempre) ou foge com ela e vivem o amor ao qual pareceram sempre destinados.

Casablanca não possui o mais cerebral e complexo roteiro já trabalhado em Hollywood – pelo contrário, analisando conclui-se que ele é simples. Mas conta a favor dele o fato de ser uma história de amor que resume a palavra “imortal” no cinema. Mesmo após mais de 60 anos, o roteiro de Casablanca é referência de romance bem articulado e escrito com maestria. A forma como são interligados os personagens de Rick Blaine e Ilsa Lund e a trama que se desdobra a partir do reencontro deles é primorosa. Cria-se a imagem de dois personagens que se completam, mas que o destino insiste em separar – uma história de amor que cativa e faz com que o espectador sofra com os personagens.

Com protagonistas bem trabalhados, divididos entre a fuga (viver seu amor) e a obrigação (que resultará na em uma nova separação), uma narrativa cativante e um dos melhores finais já vistos, o roteiro de Casablanca é a mais perfeita transposição já feita para o cinema de uma história de amor.

Em segundo lugar ficou o roteiro de O Poderoso Chefão , escrito por Francis Ford Coppola e Mario Puzzo e adaptado do livro do próprio Puzzo. A sua continuação, O poderoso chefão – Parte 2 , também roteirizada por Coppola e Puzzo, ficou com o décimo lugar da lista. A saga da família de mafiosos foi a inspiradora de roteiros como o de Os bons companheiros e da série de TV do canal HBO Família Soprano, um dos maiores fenômenos da história recente da televisão americana.

Talvez a maior surpresa entre as dez primeiras colocações, o roteiro de Chinatown (escrito por Robert Towne) ficou com o terceiro lugar. O quarto foi o de Cidadão Kane (escrito por Herman Mankiewicz and Orson Welles), que fora escolhido pelo American Film Institute (AFI) como o melhor filme da história do cinema. E o quinto foi A Malvada (por Joseph L. Mankiewicz), até hoje o filme com maior número de indicações ao Oscar em uma edição (14), tendo vencido seis delas em 1951.

Os roteiristas mais prestigiados na lista foram o já citado Coppola, Woody Allen e Billy Wilder – cada um obteve quatro roteiros ranqueados entre os 101 da lista. O destaque é para Wilder, pois três de seus quatro roteiros figuram entre os quinze primeiros. São eles: O Crepúsculo dos deuses (sétimo), Quanto mais quente melhor (nono) e Se meu apartamento falasse (número 15) e Pacto de sangue (26).

Além dos dois primeiros roteiros da trilogia O Poderoso Chefão , Coppola teve listados os roteiros de Apocalypse Now (número 55) e Patton (94). Os quatro ranqueados de Allen foram: Noivo neurótico, noiva nervosa (sexto), Manhattan (número 54), Crimes e pecados (57 – Ponto final , último filme lançado do diretor, é uma releitura dessa obra) e Hannah e suas irmãs (número 95).

A surpresa negativa ficou por conta do roteiro de E o vento levou que ficou apenas em vigésimo - terceiro lugar. Adaptado da obra da autora Margareth Mitchell, o filme se constitui em um dos maiores clássicos do cinema americano. Esta é a provável maior injustiça que os integrantes do sindicato cometeram na lista.

Essa lista se une as já feitas anteriormente pelo AFI, que ranquearam os 100 melhores filmes, heróis, vilões, músicas, estrelas, entre outras categorias. Olhando por essa perspectiva, a eleição realizada pela WGA veio com certo atraso. Mas o mais importante é que uma lacuna foi preenchida nesse momento em que se tornou moda realizar listas dos “100 melhores”.

Listas nem sempre são justas. Por isso, para aquele que vir o resultado da WGA, sempre haverá, por menor que seja, uma ou outra injustiça. O que de forma alguma é injusta é a homenagem prestada ao filme e roteiro de Casablanca , brilhante e simples ao mesmo tempo, que merece a designação “clássico”. E, por isso, o amor entre Rick Blaine e Ilsa Lund continua e continuará eterno, encantando as próximas gerações.

- A lista completa dos 101 maiores roteiros está disponível no site da WGA

- Para ver as demais listas dos “100 maiores” visite o site do AFI