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2 a 16 de maio de 2006

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DESAFIANDO A GRAVIDADE
Prática esportiva de saltar obstáculos, o “Le Parkour” pode ser visto em duas produções cinematográficas
por Luiz Andreghetto ( luiz_andreghetto@hotmail.com )

e Parkour, ou simplesmente Parkour, é uma prática esportiva que consiste em usar o próprio corpo para transpor obstáculos de uma maneira rápida e ágil. Em francês significa “O Percurso”, pois os praticantes dessa modalidade, conhecidos como traceurs, saem correndo em disparada, não deixando que nenhum obstáculo, seja ele um carro, uma escada, um muro ou qualquer outra coisa que possa ser encontrado em um ambiente urbano, se torne empecilho. No Parkour não existem competições, cada um compete consigo mesmo e com os limites do seu próprio corpo.

Com vários clans (grupo de traceurs que praticam Parkour) em muitas cidades do Brasil, comunidades no Orkut e uma associação nacional para os praticantes dessa modalidade esportiva na internet, o Parkour tem se tornado uma grande mania entre jovens brasileiros ávidos por adrenalina e emoção.

Nascido nos anos 80, na pequena cidade de Lisse, interior da França, o Parkour teve início quando algumas crianças resolveram brincar com os exercícios que o pai de uma delas fazia em treinamentos do exército francês. Após algum tempo, essas crianças resolveram levar essa prática a sério vindo a criar o Parkour. Uma dessas crianças era David Belle, filho de militar francês, que ajudou a difundir o esporte para outras pessoas e é o protagonista do filme B-13 – 13º Distrito (Banlieue 13, 2004), responsável por transformar o Parkour em ação cinematográfica.

B-13 se passa em um subúrbio de Paris, no ano de 2013, onde ninguém consegue fiscalizar o 13º distrito, que se tornou um lugar violento e fora de controle. Um policial e um prisioneiro, que nasceu neste distrito, possuem 24 horas para desarmar uma bomba. O fiapo de história serve apenas mostrar em ininterruptos 90 minutos tudo o que se pode fazer com o Parkour.

Outro exemplo dessas práticas pode ser conferido em Yamakasi – os samurais dos tempos modernos (Yamakasi - Les samouraïs des temps modernes, 2001), filme que mostra sete jovens que saem pela cidade saltando de um prédio para o outro, deslizando pelas paredes, desafiando todos os perigos “naturais” de uma grande metrópole. Alguns moradores se assustam com essa prática e os denunciam a polícia, que logo vem a intervir. Um dia ocorre um acidente com um dos integrantes do grupo, que necessitará de dinheiro urgente para uma operação. E todos os Yamakasi se prontificam a ajudar, mesmo que para isso precisem arriscar suas vidas e enfrentar a lei.

Enquanto B-13 investe mais na parte física de seus protagonistas, usando a prática esportiva em excelentes lutas e perseguições, Yamakasi privilegia os saltos em prédios e a organização quase coreográfica das ações em grupo.

Com histórias maniqueístas, simples e clichês, os filmes partiram do roteiro (B-13) ou da história original (Yamakasi) do produtor, diretor e roteirista francês Luc Besson, que vem dando continuidade às produções francesas que visam apenas bilheteria e o mercado estrangeiro, nas quais ele próprio tem se tornado o maior representante. Sem dirigir nenhum filme há mais de seis anos, o último foi Joanna D'Arc (grande fracasso internacional, o que talvez tenha feito Besson se preocupar mais financeiramente com seus filmes do que artisticamente), tem se notabilizado apenas em produzir ação européia calcado nos grandes esquemas hollywoodianos de roteiro inexistente e pancadaria e explosões exageradas levadas ao extremo, como pode ser visto em Carga Explosiva 1 e 2 , O Beijo do Dragão , Táxi , Wasabi , Rios Violentos 2 , etc.

Sucesso nos anos 80 com o romance pós-moderno Subway (1985), Besson se tornou o diretor francês mais conhecido da sua geração com o cult instantâneo Imensidão Azul (1987) e com os posteriores Nikita (1990), cuja refilmagem americana, A Assassina (1993), ele desistiu de fazer e deixou a cargo de John Baddan, O Profissional (1994), O Quinto Elemento (1997) e Joanna D'Arc (1999).

Como diretor, fez poucos filmes, mas todos de grande impacto e que se tornaram referencias no meio cinematográfico (com exceção de Joanna D'Arc ). Como produtor, produz muitos filmes, na sua maioria grande bobagens que servem para mostrar que o cinema francês não é feito só de filmes intelectualizados e herméticos.

Mas mesmo com a habilidade, a destreza e toda a adrenalina do Parkour, que pode ser uma excelente idéia para as cansativas fórmulas de entretenimento made in Hollywood , é uma pena que tanta ação não tenha um roteiro mais elaborado, pois mesmo que não sejamos adeptos desse esporte, uma história com um “pouquinho” mais de inteligência não faria mal a ninguém, nem mesmo a conta bancária do Luc Besson.