Picosearch
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop

2 a 16 de maio de 2006

Equipe Edições Anteriores

S DE SUBVERSIVO
Para o mundo atual, V de Vingança surge como um filme corajoso e inspirador
por Paulo Gustavo Freire ( pgvarandas@yahoo.com.br )

uem em 1999 e, depois, em 2003 não ouviu falar da trilogia Matrix não estava aqui na Terra. Os irmãos Larry e Andy Wachowski conceberam sua trilogia de ficção científica com uma estória complexa e com informações ecléticas que iam de filosofia a literatura cyberpunk. O resto é história. Muito antes deste sucesso, os Wachowski, fãs declarados de HQ's, escreveram um roteiro baseado em uma de suas obras preferidas. Os anos se passaram e finalmente chega aos cinemas, com direção de James McTiegue (diretor de primeira unidade da trilogia Matrix ), a adaptação de V de Vingança , graphic novel do cultuado Alan Moore.

Somos introduzidos a uma Inglaterra, 5 de Novembro por volta de 1600, na qual o revolucionário Guy Fawkes tentou assassinar o Rei James I e todo o parlamento inglês com uma grande explosão. Pulamos para um futuro indefinido em que os EUA estão decadentes após entrarem em guerra civil e a Inglaterra vive sob um regime totalitário.

Toques de recolher e perseguição a homossexuais estão entre as práticas deste governo. A jovem Evey, numa bela interpretação de Natalie Portman, funciona como os olhos da platéia. É ela quem seguimos para entendermos o que se passa nesse futuro opressor. Em uma caminhada à noite logo após o toque de recolher, Evey é atacada por agentes do governo e quem a salva é um misterioso sujeito vestido de negro que manipula punhais, usando uma máscara de Guy Fawkes (Hugo Weaving utilizando sua poderosa voz de agente Smith) e conhecido apenas como “V”.

Evey é levada por V para seu esconderijo. Lá descobre todo o arsenal de cultura de V para ir contra o governo e seu verdadeiro plano, repetir o 5 de Novembro. Engana-se quem acredita que V de Vingança é um filme de ação. Há três belas seqüências, o ataque a BTN (British Television Network), o confronto de V contra os agentes do governo e o clímax com o povo tomando as ruas em frente ao parlamento inglês, mas o verdadeiro mote do filme é a discussão sobre quanto o povo detém o poder para brigar por seus direitos. É com Evey que descobriremos esse potencial. Com uma direção segura de McTiegue, o ritmo é tenso, as cenas de ação bem orquestradas e ainda há espaço para o humor: um programa de auditório que tira sarro do governo e V cozinhando com um avental.

Em época de eleições presidências no Brasil, os EUA sendo questionados pelo mundo por sua política armamentista e a Inglaterra sofrendo ataques terroristas, qualquer semelhança com esse mundo em que vivemos não é mera coincidência. Mesmo sendo uma obra da década de oitenta, os temas abordados continuam subversivos e corajosos: a imprensa forjando notícias, a corrupção nos bastidores do governo e o terrorismo como forma de expressão revolucionária. Pode ser que ao final da sessão seu mundo não mude, mas a mensagem está dada.