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24 de maio a 7 de junho de 2006

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CREPÚSCULO DOS ÍDOLOS
Com o lançamento de Reações Psicóticas, o mais polêmico e passional dos críticos de rock americanos é publicado no Brasil pela primeira vez
por Eduardo Carli de Moraes ( educmoraes@hotmail.com )

e wanted everything included. He was confrontational but it came from goodwill, from his belief that feelings — sensitivity to what's going on — are what matter and that if you're going to really notice things, really perceive, there's going to be a lot of sadness and horror and filth as well, so to some extent they're a necessary part of beauty. Basically, Lester always wanted people to care more”. RICHARD HELL, em matéria publicada no VILLAGE VOICE.

“I love rock 'n' roll in its basest, crudest, most paleolithically rudimentary form. That's right, I love punk rock, and I'm not apologizing to anyone. I don't give a good goddamn if somebody can barely play their instruments or even not at all, as long as they've got something to express and do it in a compelling way. Because to me music is any kind of sound made by one human being that moves another one”. LESTER BANGS, no artigo ”Free Jazz Punk Rock”

Com o lançamento de Reações Psicóticas (Editora Conrad, 134 pg., trad. de Eduardo Simantob), o público brasileiro tem a primeira oportunidade de ser apresentado a uma fração da escrita e da alma de Lester Bangs (1948-1982), talvez o mais famoso, polêmico e devastador dos críticos de rock americanos. O nome não deve parecer estranho a qualquer fã de rock: hoje Lester Bangs, que já foi interpretado no cinema por Philip Seymour Hoffman no Quase Famosos, de Cameron Crowe, que já foi citado em letras dos Ramones e do R.E.M., que já foi objeto de uma extensa biografia escrita por Jim DeRogatis (Let It Blurt: The Life and Times Of Lester Bangs, America`s Greatest Rock Critic), já faz parte da História do Rock. O crítico, que contribuiu para grandes publicações do ramo como Rolling Stone, Village Voice e Creem, marcou época em várias frentes: como escritor beatnik, como jornalista gonzo, como um dos maiores defensores da estética punk e do “faça-você-mesmo”, como um polemista de plantão, entre outras coisas.

Reações Psicóticas chega ao Brasil como um livro de interesse não só para quem se interessa por rock and roll e crítica musical, mas para um público mais vasto que se liga em literatura contracultural e jornalismo alternativo. Porque Lester Bangs, para muitos, é mais que um cara que escrevia sobre rock: seu texto impetuoso e caótico, inspirado principalmente pela prosa beat de Kerouac, Burroughs e Ginsberg, demonstra que estamos frente a um escritor talentoso. Seu texto muitas vezes chega a ser mais saboroso e interessante do que o próprio objeto de que trata nele. Além disso, suas matérias, que caíam freqüentemente no confessionismo e no subjetivismo mais deslavado, fazem também com que seja possível classificá-lo como integrante da turma do Jornalismo Gonzo – algo como o “Hunter Thompson da crítica de rock”.

Também é costume atribuir a Bangs o status de “resoluto advogado do punk” (o termo é de Brian James), e talvez o primeiro deles. Desde o fim dos anos 60, quando começou a popularizar o termo “punk”, Lester foi um dos poucos críticos que ousou sugerir um outro paradigma para julgar o que era ou não “boa música”, tendo a coragem e a sem-vergonhice de elogiar muitas bandas e artistas que críticos mais eruditos considerariam como puro lixo trash e tosco. Que outro crítico do mundo faria um elogio apaixonado às Shaggs e chegaria a sugerir que a melhor coisa que um músico tem a fazer é NÃO aprender a tocar seu instrumento?

Sim, Lesters Bangs julgava muito mais com o coração do que com o cérebro – mas quem foi que disse que o rock and roll é uma questão de razão e não muito mais uma questão de sentimento? Para ele, música boa não é música “bem tocada”, nem música produzida por “músicos talentosos”, nem música repleta de exibições de virtuosidade, mas simplesmente aquela que nos acende os corações, nos enche de excitação e nos faz sentir vivos. A mensagem, como a entendo, é basicamente essa: de nada adianta que empilhemos o número de notas que tinham os solos do Emerson, Lake and Palmer, o número de horas de estúdio que o King Crimson gastava tentando polir os seus álbuns ou os 975 acordes estranhos e complexos que o Pink Floyd utilizava em suas composições, porque nada disso é parâmetro para julgar se uma música é boa ou não; nada disso garante que a música irá nos dar tesão.

“Eu amo o rock’n’roll em sua forma mais básica, crua e paleoliticamente rudimentar. É isso aí, eu amo o punk rock, e não vou pedir desculpas pra ninguém”, escreve Bangs no clássico artigo Free Jazz Punk Rock (que infelizmente não foi incluído em Reações Psicóticas). “Tô pouco me ferrando se alguém quase não consegue tocar seu instrumento ou se realmente não consegue, contanto que ele tenha algo para expressar e o faça de um modo excitante. Porque pra mim música é qualquer tipo de som feito por um ser humano e que comove outro”. Simples assim.

Demolindo Ídolos

Lester Bangs era o tipo de jornalista musical imune a qualquer tipo de subserviência ao star-system: esse cara nunca seria corrompido por um jabá a escrever um texto louvando o Emerson, Lake & Palmer ou uma matéria toda-elogios para alguma nova sensação hypada. O exemplo que ele dá a todos aqueles que desejam fazer crítica de rock e jornalismo musical é seminal, demonstrando que a fidelidade a si mesmo e à sua própria paixão não se pode deixar corromper por interesses do órgão de imprensa ou pelas pressões feitas pelas gravadoras para que se fale bem daquilo que elas querem que venda bem. Lester marcou época porque ousou falar mal de muita gente que ele considerava indevidamente sacralizadas e recusou o fanatismo bobalhão e descerebrado que constantemente é marca dos fãs de bandas de rock, acabando por “virar o açougueiro do maior número possível de vacas sagradas”, como diz Brian James.

Nietzsche dizia filosofar com o martelo, mais para demolir do que para construir, e Lester Bangs parece se apropriar da mesma técnica e utilizá-la na crítica de rock. Sua importância está mais no que ele recusa no que naquilo que afirma. E o que ele recusa, e com um “não” estrondoso, é a idealização dos pop-stars, a pagação-de-pau otária aos “deuses do rock”, a pomposidade e a pretensão dos progressivos, todo tipo de música que deixa de ser expressão de paixão para virar exibicionismo.

Talvez por isso Bangs gaste tanta munição, através de muitas das páginas de Reações Psicóticas, somente demolindo ídolos: ao que parece, ele não quer que continuemos eternos adolescentes babando de admiração idiota frente a estrelas que no fundo, como ele vai procurar mostrar, são todas humanas, demasiado humanas. “Heróis são uma puta coisa estúpida de se ter”, escreve na página 81, num tom cru, a respeito do clássico trecho de seu artigo sobre Lou Reed, no qual ainda diz que todos os heróis “estão aí pra tomar porrada”, que são todos “uns miseráveis cães sarnentos, os párias da terra” e que “a única razão para se construir um ídolo é jogá-lo por terra novamente”.

Então dá-lhe porrada pra cima de mitos “sagrados” como John Lennon, Elvis Presley, Iggy Pop e Lou Reed: todos eles são sistematicamente dessacralizados. Elvis, por exemplo, na ótica de Bangs, “obviamente nada mais era do que um pobre garoto sulista burro com um empresário paizão” (pg. 115), “um porra dum motorista de caminhão que idolatrava a mãe e jamais diria merda na frente dela” (pg. 121) - e “nós todos faríamos melhor em dar-lhe adeus com o dedo médio levantado” (pg. 117). E John Lennon, cuja morte não parece ter causado muita comoção em Bangs, era “só um cara”. Essas opiniões, que parecem cuidadosamente arquitetadas para levantar polêmica e arrancar protestos inflamados dos fãs, fazem parte dessa técnica de demolição de ídolos e da idolatria em si. E será que essas palavras têm alguma outra intenção senão exatamente essa: provocar os fãs e, de certo modo, tentar minar um pouco o “excesso de fanatismo”? É bem provável.

É claro que, no fundo, Lester Bangs está longe de odiar esses artistas com desprezo total, como pode parecer à primeira vista - as coisas são mais complicadas. Uma das características mais peculiares em Bangs é mesmo sua relação de amor e ódio com seus “heróis”: ele é o tipo de cara capaz de soltar os insultos mais nojentos e os elogios mais ternos para um mesmo artista no decorrer do mesmo texto, demonstrando uma ambivalência emocional gritante. É porque “todo crítico de rock é um músico frustrado”? Talvez. Talvez Lester Bangs nunca tenha podido perdoar seus heróis por serem heróis enquanto ele, Lester, nunca pôde se tornar um rock-star.

Lou Reed, a quem é dedicado o mais extenso, o mais clássico e o mais hilário dos artigos presentes em Reações Psicóticas, é o símbolo perfeito dessa ambivalência emocional. O mesmo Bangs que se derretia em elogios ao White Light / White Heat do Velvet Underground e que considerava Reed um baita dum herói (“Lou Reed é meu herói principalmente porque ele representa as coisas mais fodidas que eu jamais conseguiria sequer conceber” – pg. 78), se põe a xingá-lo de um jeito exagerado e raivoso. Só pra ter uma idéia, Lester diz que Lou Reed é “uma nulidade para consumo das massas”, “um pervertido depravado completo”, “um duende patético da morte”, “um talento desperdiçado”, “um mascate vendendo quilos de sua própria carne”, “um gigolô vivendo do niilismo bronco de uma geração anos 70 que carece da energia para cometer suicídio”, “uma monumental piada sem graça de si mesmo” (pg. 76) e alguém que no palco “conseguiria adicionar um capítulo inteiro aos anais do mau gosto” (75). Estranho modo de se referir a um “herói”! E, vejam a ironia, Bangs certamente foi menos brutal quando se tratava de falar mal do Emerson, Lake & Palmer, que ele dizia odiar mais que tudo.

Bangs compreende a fascinação que os mitos do rock geram em muitos de nós com seus comportamentos auto-destrutivos e suas vidas intensas e insanas. Olhando para a história do rock, não é difícil notar que acabamos por sacralizar toda uma série de garotos perdidos que seguiram à risca o evangelho do “live fast, die young” e do “sex, drugs and rock and roll” e que acabaram passando pela Terra como estrelas cadentes, de brilho efêmero, mas marcante. A mitologia do rock and roll está repleta de apologias à morte na juventude e a uma vida que se consume e se destrói rapidamente devido à intensidade maníaca com que é vivida. “Espero morrer antes de ficar velho!”, cantava o The Who num dos maiores clássicos da história do rock and roll, “My Generation”. E Kurt Cobain, como se sabe, disse algo parecido ao estampar o verso de Neil Young em sua carta de suicídio: “It`s better to burn out than to fade away...”

Qualquer um que tenha se aventurado a ler Mate-me Por Favor!, livro de Legs McNeil que conta a história sem censura do punk americano, sabe o tamanho do fascínio que havia por tudo o que era trash, nojento e esquisito naquela Nova York que viu surgir o Velvet, os Stooges, os New York Dolls, a Patti Smith, os Ramones, o Richard Hell e toda a cena que margeava o CBGBs – e Lester Bangs estava lá pra ver tudo de camarote. Iggy Pop, por exemplo, se tornou um deus do rock rolando sobre cacos de vidro, vomitando sobre as primeiras fileiras do público e arrumando brigas sérias com motoqueiros encrenqueiros, e todos o adoravam justamente por isso: porque ele era completamente insano e porque era um performer que parecia possuído pelo demo e porque parecia estar cagando e andando para o fato de viver ou morrer. “O mito heróico central dos anos 60 era o detonado. Viva rapidamente, seja mau, encrenque-se, morra jovem”, resume Bangs num trecho do livro. Isso não ficou restrito aos anos 60, claro, uma década que também ficou marcada pelo hippismo e suas mensagem de paz-e-amor e flower power - e talvez tenha se exacerbado muito mais nos anos 70, com o levante punk e a divinização de tudo o que é trash, tosco e imundo, e nos anos 90, com a idealização das sombras e do niilismo via Seattle.

Lester Bangs conheceu essa fascinação, e certamente tentou imitar todos esses “anjos caídos” que se transformaram em “heróis culturais”. “Eu mesmo sempre quis imitar o filho-da-puta mais autodestrutivo que eu visse, caso ele se comportasse com algum senso de estilo”, confessa em sua obra. Houve um tempo em que ser fodido, decadente, junkie e niilista era a coisa mais cool do mundo, e havia jovens que dariam tudo pra viver uma vida igualzinha à de Sid Vicious, mesmo que isso significasse deixar esse mundo aos 21 anos de idade.

Pois bem: algumas páginas de Reações Psicóticas mostram que Lester Bangs começou a questionar seriamente essa relação de idolatria que tantos nutrem frente a esses garotos perdidos, drogados e sofredores que se vão desse mundo aos 20 e poucos anos escolhendo a forca ou a overdose. “Uma das coisas que estamos adorando é o ódio a si mesmo, e uma outra pode muito bem ser um indivíduo cometendo suicídio”, provoca Bangs na página 109, demonstrando estar simplesmente cansado desse papo e querendo nos fazer questionar as razões que temos para idolatrar quem idolatramos. Um dos poucos momentos em que pára de descer porrada em Lou Reed é quando diz admirá-lo porque ele conseguiu “se ligar que todo o conceito de ruína, decadência, degeneração era uma piada”. Ou seja, “Lou se ligou do absurdo implícito da pose de fodão ovelha-negra típica do rock and roll e a parodiou, desglamorizou”. Chega uma hora em que Lester (e é isso o que justifica que alguns tenham podido chamá-lo de moralista) quase chega a ponto de nos perguntar: por que estamos adorando esses tristes exemplares humanos de decadência e auto-destruição? Por que achamos tão legal a vitória do instinto de morte sobre os instintos vitais? Enfim: por que é mesmo que pagamos tanto pau pra esses palhaços?

É interessante notar que a resenha que dedica ao Astral Weeks de Van Morrison, publicada em 1979, apesar de aparecer como o primeiro texto em Reações Piscóticas, é posterior aos escritos que dedicou ao Iggy Pop e ao Lou Reed, o que demonstra bem o quanto Bangs, ao fim dos anos 70, estava mudando seus ídolos e valores e cada vez condenando mais o niilismo, a auto-destruição e a estilização da decadência. É um baita dum sinal de mudança que Lester Bangs, o mega-defensor do punk, possa ter conseguido admirar tanto o clássico debut de Van Morrison, uma obra-de-arte que de punk não tinha absolutamente nada: era muito mais um documento místico de uma busca espiritual. Astral Weeks, comenta Lester na página 22, “assumiu na época a importância de um farol, uma luz nas praias longínquas das trevas; e mais, era uma prova de que havia ainda algo a ser expressado artisticamente além de niilismo e destruição”. Prova de que Bangs não era uma pessoa tão simplista, nem seus gostos musicais tão “fechados”, nem suas idéias sobre as funções da arte tão bobocas quanto às vezes seus caricaturistas fazem parecer.

Ressalvas

Mas não adianta ficar aqui soltando elogios e nada mais à figura e à escrita de Bangs, fazendo dele um herói idealizado do tipo que ele sempre se recusou a ser (sua auto-crítica e auto-zoação são uma de suas peculiaridades mais adoráveis). Há sim certas controvérsias sobre o valor do trabalho e da literatura de Lester, por vezes acusado de ser narcisista, excessivo e mais ocupado em exibir-se do que tratar dos artistas e bandas que se propunha a escrever sobre.

Brian James, em excelente artigo na revista eletrônica Pop Matters, foi um dos que ousou fazer uma crítica mais séria à escrita bangsiana. “Lester Bangs foi inquestionavelmente um escritor talentoso, que demonstrou seu dom em uma idade precoce, mas que do mesmo modo que muitas crianças precoces, continuou seus esforços para impressionar com um exibicionismo que ultrapassava bastante o ponto que o bom gosto recomendaria”, critica James, que em seguida aponta uma certa contradição entre as convicções “anti-prog” que Bangs tão explicitamente adotava e os seus procedimentos de escrita: “Ele simplesmente não conseguia resistir à tentação de chamar a atenção para suas pirotecnias estilísticas, um traço que o resoluto advogado do punk deplorava infinitamente nos progressivos”, sugere James, que também diz que “seus ensaios épicos, que apenas teoricamente eram sobre um assunto qualquer que não ele mesmo, iriam prosseguir em frente e em frente com tão pouco foco e tanta presunção quanto qualquer solo de Keith Emerson”. E, de fato, é preciso reconhecer que há momentos em que Bangs parece realmente escrever artigos onde tudo o realmente importa é mesmo Lester Bangs: ele chama os holofotes para si mesmo, sua escrita, suas idiossincrasias, sua prosa beat espertalhona, sendo que o assunto da matéria acaba virando mero pretexto.

Além disso, Reações Psicóticas, um pocket-book fininho, está longe de fazer a devida justiça ao trabalho de Lester Bangs: serve, no máximo, como uma introdução, um ponto de partida. Algumas omissões graves fazem com que essa coletânea não seja o retrato mais completo e adequado das idéias do cara: faltou algum artigo que deixasse mais claro o vínculo estreito de Bangs com o punk rock (que ele amava e que cujo “charme” ele ajudou a explicar), além de textos que demonstrassem que os interesses do crítico iam muito além do rock and roll (Bangs também era um grande curtidor e conhecedor de jazz). Alguns de seus artigos mais seminais, como o hilário “How To Be A Rock Critic” (um irônico manual de instruções para críticos iniciantes), o excelente artigo “Free Jazz Punk Rock” (que estabelece as conexões entre o free jazz e o punk rock, chamando atenção para o fato de que ambos colocaram fogo no “Livro de Regras” e libertaram o artista de correntes e estereótipos), sem falar de outros fundamentais textos dedicados a artistas como Captain Beefheart, Brian Eno e Patti Smith, poderiam ter entrado em Reações Psicóticas no lugar de textos um tanto supérfluos, como os dedicados ao Kraftwerk e Jethro Tull.

De qualquer modo, o livro dá um bom panorama da escrita caótica, estilosa e inspiradora de Bangs. Mais que tudo, Lester Bangs não se resignou a ser um crítico de rock passivo que observa de fora o desenrolar de seu objeto de estudo – viveu e morreu (muito cedo, aliás, aos 33, como todo bom mito) com os dois pés, todos os ossos e a alma inteira afundada na lama do rock and roll. “Expression of passion was basically why music was invented in the first place”, dizia ele, e em sua escrita ele pôs em prática o mesmo princípio. As idéias que ele abraça podem ser duvidosas, o estilo pode ser um tanto confuso e tempestuoso, o exibicionismo chega por vezes a ser um tanto excessivo, mas há um fato que não se pode negar: Lester Bangs, o crítico de rock que mais marcou a história do rock, punha uma paixão maníaca em tudo o que escrevia. E nos convidava a abordar o rock and roll com o mesmo espírito, com a mesma excitação e com a mesma energia.