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24 de maio a 7 de junho de 2006

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FALTOU A CRUZADA
Sharon Stone está de volta. Linda, canastrona e sem sal
por Fábio Freire ( fabio_fcosta@hotmail.com )

haron Stone não merecia Instinto Selvagem 2. A atriz, sex symbol absoluta da década de noventa (juntamente com Demi Moore), há tempos não emplaca um filme decente. Apesar de talentosa, Stone não deu sorte e são poucas as produções memoráveis na sua carreira: Cassino, Sempre Amigos e o próprio Instinto Selvagem, pra citar algumas. No mais, ela atuou em bombas ora divertidas (Rápida e Mortal), ora embaraçosas (O Especialista e Mulher-Gato), ora inofensivas (Esfera). Ainda com o currículo irregular, não há dúvidas que a estrela merecia mais uma chance. Mas não foi dessa vez que essa chance chegou.

Ninguém merece Instinto Selvagem 2. Mais um exemplo da ganância desenfreada de Hollywood, a seqüência do filme de Paul Verhoeven não tem a menor razão de existir e confirma a regra: continuações temporãs são, geralmente, constrangedoras e desnecessárias. Quase quinze anos depois, ninguém se lembra mais do original e a falta de timing da produção beira o constrangedor. O público do primeiro longa já cresceu e os mais jovens não conheceram a fase áurea da atriz.

Se existe alguma relação desse com o filme anterior, é a personagem serial killer Catherine Tramell, além, claro, da estrutura do roteiro, quase uma cópia do original. Na verdade, o filme parece mais um remake do primeiro, sem a canastrice de Michael Douglas, substituído pelo zé-ninguém David Morrisey e no lugar da direção sem-vergonha de Verhoeven temos a inépcia de Michael Caton-Jones (Rob Roy. A Saga de Uma Paixão).

Nada em Instinto Selvagem 2 desperta o interesse do espectador. As tão alardeadas cenas de sexo são raras e não ofendem ninguém. Se, em 1992, peitos e bundas causavam polêmica, em 2006, depois do lançamento de filmes como 9 Canções, é difícil acreditar que alguém ainda se choque com alguma coisa. E, convenhamos, os seios de Sharon Stone não são novidade para mais ninguém. O erotismo e o clima noir do primeiro inexistem e são trocados pelo ritmo capenga e total ausência de te(n)são.

A trama do sujeito que se envolve com a mulher errada e, de quebra, em uma teia de mistérios e mortes é batida e já rendeu filmes bem melhores (Corpos Ardentes, O Poder da Sedução, etc.). O roteiro confuso, uma mera colcha de retalhos de clichês do gênero, também não ajuda. Os furos são comuns, as reviravoltas são sem graça e temos personagens demais para motivações de menos. É tudo tão fake e forçado que em nenhum momento nos interessamos pela resolução dos crimes. Parte da culpa, claro, recai sobre os ombros do diretor Caton-Jones, um incompetente que não sabe como conduzir a história sem apelar para o uso óbvio da péssima trilha sonora, da fotografia metida a besta e da psicologia de quinta que sai da boca das personagens.

Se existe alguma razão para se assistir a Instinto Selvagem 2 é mesmo a curiosidade mórbida de ver Sharon Stone repetindo o papel que lhe deu fama. Mas, apesar de continuar linda (mesmo que em algumas cenas ela mais pareça um efeito especial do que um ser humano de verdade), a atriz não leva essa volta muito a sério e sua atuação beira a canastrice. Chega a ser impagável vê-la proclamar diálogos chulos e de duplo sentido com uma voz calculadamente rouca para soar sensual. Seria triste se não fosse engraçado e valesse o preço do ingresso. Não é de se estranhar que Instinto Selvagem 2 tenha sido recebido a pauladas pela crítica e naufragado nas bilheterias. No final das contas, faltou mesmo foi a famosa cruzada de pernas da atriz. Mesmo que com retoques do Photoshop.