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24 de maio a 7 de junho de 2006

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A SERVIÇO SECRETO DE J.J. ABRAMS
Terceiro episódio da série Missão Impossível confirma um fato: J.J. Abrams é um Midas
por Paulo Gustavo Freire ( pgvarandas@yahoo.com.br )

ntes de qualquer coisa façamos um trato de três cláusulas. 1) Se você ainda não viu o filme e estava na vontade de ver, pare de ler e só volte depois de assistir ao filme. 2) Se você é daqueles que não aceita cenas inverossímeis no cinema, continue lendo a resenha e tente mudar de idéia. 3) Não compare este episódio com os dois anteriores. Apesar de ser uma série, cada episódio possui a identidade de seu diretor.

Feito o trato vamos ao que interessa. É inegável: tudo que leva o nome de Tom Cruise ganha enorme proporção e responsabilidade em relação à crítica e ao público. Porém também é inegável que Missão Impossível é a franquia que Tom Cruise criou para se divertir e ganhar dinheiro (e não há nada de ruim nisso, afinal, existe negócio feito para perder dinheiro?). O terceiro episódio da franquia, Missão Impossível III (ou simplesmente M:I 3) possui uma grande ironia. Originado de uma série televisiva, ganha força para renovar a franquia justamente com o J.J. Abrams, criador das viciantes séries Alias e Lost, que convocou seus colegas roteiristas (Alex Kurtzman e Roberto Orci) para darem uma roupagem mais humana ao protagonista. A série de espionagem Alias é claramente uma inspiração.

O filme introduz o espectador na estória através de uma tensa cena de interrogatório. Ethan Hunt (Tom Cruise) está espancado e preso a uma cadeira. Sua noiva Julia (Michelle Monaghan, do ótimo Beijos e Tiros) está sob a mira da pistola do vilão Owen Davian (Philip Seymour Hoffman, ganhador do Oscar de melhor ator por Capote) que pergunta onde está um tal de “Pé de Coelho”. Os dois antagonistas berram, Ethan negocia a vida de sua noiva com o olho lacrimejando e um tiro encerra a tensão, sentimento este que irá percorrer o resto do filme. O fósforo flamejando em conjunto com a clássica música tema nos leva em flashback a nova vida do agente Ethan Hunt.

Aposentado do trabalho de campo e apenas treinando novos agentes, durante sua festa de noivado recebe um chamado para resgatar uma de suas alunas que foi feita refém em uma fábrica de Berlim pela gangue de Davian, um traficante de armas químicas. Somos apresentados à nova equipe da IMF (Impossible Mission Force): Declan (Jonathan Rhys Meyers), Zhen (Maggie Q), e ainda com a volta de Luther Strickell (Ving Rhames que ao lado de Tom Cruise, é o único que aparece nos três filmes). A invasão da fábrica e a perseguição de helicópteros entre os ventiladores eólicos já dão o gostinho inicial de como será a ação daqui a diante. Porém, nem tudo sai como planejado e a missão falha. Ethan recebe uma lição de moral de seu superior, John Brassel (Laurence Fishburne, que dispara os melhores diálogos de humor negro do filme) e decide então revidar.

A produção segue para Roma, onde a equipe, utilizando todas as parafernálias tecnológicas, deve invadir um leilão no Vaticano, prender Owen Davian e interceptar a negociação do “Pé de Coelho”. Se o interrogatório da abertura era tenso, quando Ethan tem Davian como refém a bordo de um avião, a angústia se eleva. O vilão, apesar de preso e ameaçado, continua frio (numa excelente atuação de Hoffman, rivalizando apenas com Laurence Fishburne como diretor da IMF) e intimida o protagonista com perguntas pessoais (“Você tem mulher ou namorada? Onde quer que ela esteja eu vou achá-la e irei matá-lo bem em frente a ela”. O agente perde a calma e pendura o vilão na porta do avião, mas quem sai vencedor é Davian que consegue seu objetivo, descobrir quem seria Ethan Hunt.

A equipe resolve levar Davian para a base da IMF e uma fenomenal emboscada em uma ponte para resgatar Davian, revela-se como o clímax do filme. O herói salta uma grande vala, derruba avião-caça e ainda é jogado pra cima de um carro, como um lixo, após a explosão de um míssil. Libertado, Davian seqüestra Julia e obriga Ethan a ir até Xangai para conseguir o Pé de Coelho (um belo mcguffin, assim como a valise do filme Ronin) para servir como moeda de troca. Em Xangai voltamos à cena de abertura do filme e ao verdadeiro clímax, o confronto entre Ethan Hunt e Owen Davian.

Concebido como um grande filme de ação com um protagonista mais humano e emocional, todo o mérito encontra-se no roteiro e na direção segura do novato J.J. Abrams, que surge como o mais recente “Midas nerd” de Hollywood, capaz de renovar estórias de ação e mistério com personagens bem desenvolvidos. Com todos os bons elementos típicos de um quebra-cabeça de espionagem presentes: armas químicas, máscaras de látex, traições, leitura labial, humor (seria Benji uma versão de Q que fala pelos cotovelos?), a vida dupla do agente, referência aos episódios anteriores, e uma das melhores cenas de ação dos últimos tempos (a emboscada na ponte), Missão Impossível III foi feito para o espectador sair do cinema com um sorriso de orelha a orelha. Caso não assobie o tema após o filme peça seu dinheiro de volta.

Veja também a matéria de Fernando Américo sobre o filme Missão Impossivel III