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19 de junho a 3 de julho de 2006

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REVOLUCIONÁRIO
Mesmo após 15 anos de lançamento, O Exterminador do Futuro 2 continua representando uma revolução única em termos de filmes de ação e efeitos especiais
por Ricardo Stabolito ( ricardo_stabolito@yahoo.com.br )

cinema dos anos 80 nos “presenteou” com filmes de ação que pareciam querer provar que roteiros eram apenas detalhes quase sem importância quando se faz um filme. Muitas produtoras foram fundadas e mantidas com o dinheiro dessas produções praticamente acéfalas durante esse período. Pior: esses filmes fundaram franquias que aparentavam ser intermináveis, “caça-níqueis” repetitivos que ameaçavam a credibilidade do cinema.

Foi nesse cenário, em 1984, que apareceu O Exterminador do Futuro . Dirigido por James Cameron, o filme representava uma “mistura” de ação/ficção/terror que funcionava harmonicamente. A história de Sarah Connor e seu filho sequer nascido – futuro líder da resistência humana na guerra contra as máquinas – conseguiu grande impacto combinando um roteiro realmente original e bem trabalhado com bons efeitos especiais e visuais (para a época). O resultado foi um arrasador sucesso. A partir daí, como já se pode imaginar, a pressão foi grande para uma continuação. E aqui começa a saga de uma das maiores revoluções técnicas já vistas em um filme (se não a maior): O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final.

Só após sete anos (1991), com o início de uma nova década, Cameron lançou a continuação. Que bela estratégia! Sete anos de espera fizeram com que o público ficasse ávido pela seqüência do filme e que o diretor pudesse efetivamente apresentar algo de novo, afinal, mostrar mais do mesmo pode ser rentável, mas não era – definitivamente – o que Cameron queria. Este tempo proporcionou ao diretor um “arsenal” de novos e totalmente revolucionários efeitos especiais. Além disso, nesse tempo um novo roteiro, literalmente, pôde ser concebido por Cameron e por William Wisher Jr. – tão eficiente quanto distinto do bem sucedido primeiro filme.

E O Exterminador do Futuro 2 foi um devastador sucesso. Arrecadou mais de meio milhão de dólares e mostrou muitas novidades aos fãs do primeiro filme. Mais uma vez, assim como em 1984, Cameron conseguiu provar que um grandioso filme de ação pode vir acompanhado de um brilhante roteiro. E que ele era o homem certo para conciliar tais aspectos.

O primeiro grande golpe certeiro do roteiro de O Exterminador do Futuro 2 é conseguir ser convincente quanto ao futuro de seus personagens humanos. Era de se imaginar que Sarah Connor (Linda Hamilton), se falasse tudo que tinha passado no primeiro filme, seria interpretada como louca e estaria num hospício. E com a falta da mãe, a qual é considerada demente por todos, John Connor (Edward Furlong) seria um garoto absolutamente revoltado e descrente na instituição familiar.

Depois, Cameron consegue dar uma reviravolta brilhante em relação ao primeiro filme. O temível T-800 (Arnold Schwarzenegger), incumbido de matar Sarah no primeiro episódio e causador principal do clima de terror da produção, retorna como o protetor de John. Assim, ele passa de uma figura ameaçadora para um herói. E Arnold Schwarzenegger, que nunca foi um grande ator, consegue captar as duas faces do personagem, nos dois episódios, com competência única.

O vilão T-1000, feito de metal-líquido, consegue ser mais impassível do que o próprio T-800 de Schwarzenegger no primeiro filme. Não consegue colocar o clima de terror no filme, muito porque o primeiro filme tem uma atmosfera mais sombria do que esse segundo. No entanto, em muitos momentos, o espectador acredita que o T-1000 é invencível. E se isso acontece deve-se a atuação de Robert Patrick, que só aparenta estar sendo sub-aproveitado – seu papel, como o do T-800 no primeiro filme, é forte e desafiante porque não utiliza palavras.

Um deslize aparente de O Exterminador do Futuro 2 seria a forma como Cameron faz o T-800 virar uma figura mais humana do que “robótica”. Quando John pede para que o exterminador não mate mais ninguém é uma clara negação do caráter natural do robô e uma tentativa de humanizá-lo. Mas o roteiro tem dois motivos plausíveis para isso: a falta de uma família faz com que John crie com o exterminador um laço de pai e filho recíproco (John manda diretamente no T-800, já T-800 representa a segurança e uma figura masculina para John); e o fato do roteirista/diretor querer mostrar que a máquina é um dos personagens mais humanos da história, uma troca de papéis apocalíptica. Essa representação virou um clichê na maioria das produções do gênero.

O sucesso dos dois primeiros filmes da série O Exterminador do Futuro deve-se muito a mescla de gêneros que existe neles. O primeiro carregava consigo ficção, ação e terror e cada um deles consegue arrebatar um grupo de espectadores bem diferentes. O mesmo acontece no segundo filme, onde ação, ficção, drama e suspense conseguem se fundir com quase inimaginável sincronia.

Mas a maior inovação, que diz respeito à comunidade cinematográfica em geral, foram os aspectos técnicos da produção. Gozando do maior orçamento até a época disponibilizado para a produção de um filme, James Cameron teve a sua disposição efetivamente o que de melhor existia em efeitos especiais e visuais. O resultado é um deleite nunca demonstrado antes, um trabalho magnífico, tecnicamente amparado em seqüências de ação de tirar o fôlego. Estava formado o melhor filme de ação de todos os tempos.

É completamente possível vermos o filme e imaginarmos que ele estivesse em cartaz no cinema há alguns meses: tecnicamente, ele é melhor do que a grande maioria das produções feitas nos dias atuais. Cenas como a da perseguição de caminhão do T- 1000 a John e T-800 ou da fusão das partes líquidas do exterminador “maléfico” são espetaculares para os padrões atuais do cinema.

A inovação técnica e o brilhante roteiro trazidos por O Exterminador do Futuro 2 viraram referência para as produções do gênero de ação e ficção científica. O primeiro episódio da trilogia Matrix , cultuado por motivos parecidos, pode ter conseguido algo vagamente similar ao que o filme de 1991 fez, mas continua léguas distantes de ter conseguido tal impacto. A verdade é que um impacto técnico como o conseguido por O Exterminador do futuro 2 será muito dificilmente visto de novo – um filme que 15 anos após o seu lançamento ainda quase não consegue, na minha opinião, alguma outra produção tão rica e avançada no uso e no arsenal de efeitos visuais, especiais e outros recursos técnicos.

Se apropriando da opinião de muitas pessoas próximas de mim e de alguns especialistas, O Exterminador do Futuro 2 seria um tipo de “filme pipoca perfeito, blockbuster perfeito”. Devo admitir que ele realmente o é, mas também é muito mais do que isso. Por quê? Quando te perguntarem: Um filme de ação pode ter um roteiro inteligente; Uma segunda parte de uma série de filmes pode ser melhor do que a primeira?; Um filme de ação, um blockbuster, pode mudar a história do cinema ou revolucionar a forma como se faz cinema? - você terá a possibilidade de dizer um “sim” sincero e digno citando O Exterminador do Futuro 2 – O Julgamento Final .