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19 de junho a 3 de julho de 2006

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A QUEDA DOS MUTANTES
Mesmo sem o brilho dos anteriores, X-Men 3 mantém o charme dos mutantes no cinema
por Fábio Freire (fabio_fcosta@hotmail.com)

ntes da série cinematográfica X-Men , o gênero “adaptação de histórias em quadrinhos” estava praticamente jogado às traças: ou gerava “filmes-pipoca” grandiosos e vazios ( Batman & Robin ), ou filmes menores sobre personagens obscuros ( Blade ). Foi a equipe mutante que despertou novamente o interesse pelo gênero e abriu espaço para uma leva de novas produções ( Homem-Aranha , Quarteto Fantástico e Batman Begins , só para citar alguns). Mas isso é história e todo mundo já sabe.

X-Men: O Confronto Final chega às telas, então, cercado de pressão por todos os lados, com a responsabilidade de fechar a primeira trilogia dos mutantes, manter a chama das adaptações acessas e, de quebra, enfrentar a concorrência ( Superman Returns , que só estréia em julho). A primeira batalha, a das bilheterias, já foi vencida. E com louvor. Só no primeiro final de semana, o filme rendeu mais de 120 milhões de dólares, deixando para trás outros blockbusters de verão: o elogiado Missão Impossível III e o badalado (e massacrado pela crítica) O Código da Vinci .

Mas, apesar do sucesso do filme, o terceiro capítulo da série está longe de ser um filme perfeito e não chega nem aos pés dos dois anteriores. O primeiro tinha, ao mesmo tempo, como calcanhar de Aquiles e chamariz a contextualização da história e a apresentação dos heróis. Já o segundo, longe dessas amarras, pôde desenvolver melhor a trama dos mutantes e caracterizar os personagens com mais cuidado. A ação, a carga dramática, o elenco e os efeitos especiais convivem em plena harmonia e o resultado é uma das melhores e mais fiéis adaptações de quadrinhos já feita. Culpa do diretor de ambos os filmes, Bryan Singer, dono de um currículo pequeno, mas de peso ( Os Suspeitos e O Aprendiz ).

Sem Singer no comando do terceiro episódio (depois de vários atrasos na produção, o diretor decidiu ir trabalhar em Superman Returns ), X-Men: O Confronto Final perde um pouco de força. A começar pela escolha de Brett Ratner para substituir Singer. Muito mais um bom operário padrão (são deles a série A Hora do Rush e o prequel Dragão Vermelho ) do que um cineasta de verdade, Ratner não imprime a menor personalidade ao longa. A escolha seria até acertada, já que os produtores quiseram manter o mesmo espírito dos anteriores, mas Ratner não tem o mesmo talento de Singer e isso fica evidente na tela.

Se X-Men: O Confronto Final se sai bem como um filme de ação, com cenas espetaculares e efeitos especiais corretos, ele não traz a carga dramática necessária para um longa sobre os mutantes. O que se vê, então, são momentos piegas, uma condução que apela para clichês (enquanto os bonzinhos são limpinhos, branquinhos e loirinhos, os vilões são desajustados, cheios de piercings e tatuagens) e uma produção por vezes relapsa (a trilha sonora deixa a desejar e a direção de arte é totalmente fake ). O desenrolar da história também é frouxo e o roteiro precisava visivelmente de mais uma revisada antes de ir para as telas. Só isso para explicar a profusão de tramas paralelas que não se desenvolvem e o mau aproveitamento de vários personagens que mereciam mais tempo na tela (o Anjo, Colossus e a própria “Cura”).

Mas se Ratner não tem talento, ele não pode reclamar de falta de sorte. O elenco entrosado ajuda e, ao invés de proclamarem suas falas em um tom de constrangimento, os atores passam emoção e veracidade. E, mesmo que algumas decisões soem mais como mercadológicas do que para o bem da narrativa (a morte de alguns heróis simplesmente não convence), o diretor tem em suas mãos o carisma dos personagens e isso faz toda a diferença. O que poderia resultar em mais um blockbuster descerebrado de verão, foge desse rótulo fácil graças à empatia que os heróis causam na platéia ao lidar com dilemas muito parecidos com os nossos: o preconceito, a não-aceitação e o eterno conflito ideológico e de interesses entre diferentes raças, povos ou coisa que o valha. E se isso não faz de X-Men: O Confronto Final um filmaço, pelo menos mantém o charme dos mutantes nas telonas.