Picosearch
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop

4 a 18 de julho de 2006

Equipe Edições Anteriores
3 de julho de 2006

A ARTE QUE INFUENCIA A ARTE
Cinema e quadrinhos são as principais influências da banda Fantastic 5
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

magine uma banda que tem entre suas principais influências as histórias em quadrinhos e o cinema. Tente sentir um som desse tipo, calcado em ambientes e climas das graphic novels ou em referências aos personagens de Pulp Fiction . Se você acha tudo isso uma piração, saiba que essa maluquice artística toda é a proposta da banda Fantastic 5, uma galera de Guarulhos (Grande São Paulo) louca por música, HQ e pela Sétima Arte.

O grupo surgiu por volta de 1997, a partir da obstinação do guitarrista Ivan, que buscava sedimentar uma banda de rock, após alguns insucessos em outras tentativas. De lá para cá o F5 passou por diversas formações (a atual é: Allan nos vocais, André na bateria, Christian e Ivan nas guitarras e Ronaldo no baixo) e gravou dois singles de forma independente ( Electric Bossa , de 2000, e Donna , de 2002), além de participar da coletânea-manifesto Indie é o Novo Pop , organizada por Luciano Viana, da London Burning.

A ânsia de tocar rock and roll e produzir um álbum próprio perseguiu o Fantastic 5, motivando o lançamento de Intergalactic HeadQuarter no ano passado. São 11 faixas que mesclam filmes, quadrinhos e demais artes pop que fazem a cabeça da juventude hoje em dia. As referências são claras, pelo menos para os integrantes da banda. Por exemplo, “Mambo#5” foi inspirada no bar do filme Um Drink no Inferno , enquanto que os samplers fazem referência aos personagens de Pulp Fiction . Canções como “Darkman” e “Um Dia Zen” tratam de escuridão e morte, numa aproximação das temáticas dos contos dos escritores Frank Miller e Neil Gaiman.

O som é pop e dançante, em alguns momentos chega até a ser empolgante. Como o pessoal costuma dizer, é guitar pop dos bons, com letras que falam de sentimentos, reflexões sobre a vida, o amor, a morte, a solidão, enfim, se o ser humano é tema de todas as vertentes artísticas, não seria diferente com a música, ainda mais recebendo influências das demais artes. Destaque para o ritmo animado e o trabalho vocal na divertida “Tempos em Tempos”.

“Uma Triste Canção” e “Darkman” possuem aquela cara de balada que todo mundo faz, mas que sempre chama a atenção por sua melodia que mostra algo a mais. “Garotos & Garotas” é rock, agitada, com um belo diálogo entre bateria e guitarra, assim como o vocal abafado e a guitarra feroz de “Reverendo”, uma crítica ácida sobre os pastores e demais religiosos da televisão que enganam pessoas vendendo um paraíso e um deus.

Conheça mais sobre a banda e tire suas próprias conclusões a respeito dessa influência toda na entrevista a seguir que o Rabisco fez por email com o guitarrista do F5 Ivan Vicente.

– Como rolou a idéia de formar a banda? Gostaria que você falasse também do porquê do nome Fantastic 5?

Ivan Vicente - A banda meio que nasceu de um conglomerado de idéias em 1997,
entre essas idéias estavam quadrinhos, series de TV e Quentim Tarantino. Precisávamos de um nome que se remete a esse universo e após 5 minutos
tínhamos esse nome, leia-se Fantastic cinco.

– Conte um pouco o que motivou vocês a lançarem o disco de estréia de forma independente. Como foi a concepção, produção do trabalho, as dificuldades, etc.

Ivan Vicente – Tecnologia. Acho que essa palavra sintetiza a nossa motivação. Não tínhamos muito dinheiro e nenhum investidor ao nosso lado, mas como todo bom geek sabemos ler manuais técnicos e montamos um micro estúdio num dos quartos do ap 203, e praticamente todo o processo de produção e alguns da gravação foram feitos nesse micro estúdio. Colocando a nossa insignificância no seu devido lugar queríamos um álbum meio que conceitual na qual todo ele girasse em torno desse universo de quadrinhos e filmes na qual adoramos, sabe, se você prestar atenção verá que da primeira música a ultima não só as letras mais alguns samplers te remetem a esse universo, o som do mar que se ouve em "Uma triste canção" é o som do oceano do Novo México, lugar que Alabama e Clarence fogem no filme Amor a Queima Roupa , “Mambo#5” é inspirada no salão principal do bar Titty Twister e temos os gemidos de “Pandaemonium” ao fundo. Pretensioso né?

- Como que rolam essas inserções pelo mundo das HQ's, filmes, etc. Como que vocês fazem para trazer tudo isso ao som da banda?

Ivan Vicente - Acho que essa é a parte fácil do negócio. Sabe, é muito inspirador assistir um filme do Tarantino, ler algo de Neil Gaiman ou McFarlene e logo depois tocar um acorde. Esse universo que essas pessoas criam é tão rico que podemos pegar alguns centavos para o som do F5.

- Essa influência ocorre ao natural ou é algo deliberado, vocês procuram beber nesse tipo de fonte?

Ivan Vicente - Pelo menos para o Intergalatic HeadQuarter procuramos ao máximo relacionar o álbum a esse universo. Creio que o álbum faça mais sentido se a pessoa que for ouvir tiver a sutileza de tentar entender essas influencias, sabe, essa coisa de fã N.E.R.D saca?

– Isso é percebido pelo público? As pessoas perguntam? É um meio bacana de atingir essa galera?

Ivan Vicente - Acho que sim, porque acaba meio que dando uma identidade ao projeto. Um exemplo é o novo site que é administrado por um personagem chamado Sixx. É bem legal ver as pessoas perguntando quem é Sixx, o que ele faz ou da onde veio.

– Quais são as principais influências do Fantastic 5? Isso vale tanto na música como nas demais artes, já que vocês citam no release outras influências que vocês aproveitam para agregar ao som de vocês.

Ivan Vicente - A cultura pop em geral acaba por influenciar em muito o trabalho do Fantastic 5 creio que não somos muito diferentes de outras bandas, mas temos em nossa essência o rock, gostamos de pensar que o Fantastic 5 é uma banda de rock, sabe guitarras & caretas.

– Como é o processo de criação da banda?

Ivan Vicente - Não existe uma fórmula, mas sim o conceito de idéias, uma nova música pode surgir desde um assobio a um riff de guitarra.

– Esse disco é meio que uma compilação dos singles anteriores. Por que vocês fizeram isso e não resolveram lançar um material completamente novo?

Ivan Vicente - Pela banda lançaríamos somente músicas novas e ponto final, mas é engraçado como as coisas tomam rumos diferentes, praticamente todas as pessoas que gostam da banda exigiram que as músicas antigas fossem incluídas, ai elas acabaram entrando, mas com arranjos diferentes, afinal somos rebeldes.

– A idéia é entrar de vez no mercado com esse disco, por isso esse lançamento?

Ivan Vicente – É complicado falar em conquistar o mercado sendo independente, conseguimos vender 700 copias em praticamente 4 meses, mas estamos sentindo que estamos no limite no sentido de divulgação e venda, é ótimo ser independente com
toda autonomia que essa alcunha lhe proporciona mas...

– Qual é a mensagem que a banda procura passar, não só com as letras, mas também com as músicas?

Ivan Vicente - Boa pergunta, acho que não temos essa pretensão de passar alguma mensagem, mas se passamos algo creio que é sobre o amor. Ahhhhh, o amor...

– Vocês têm participado de festivais, shows, etc.? Como tem sido a receptividade do público em relação ao trabalho da banda?

Ivan Vicente – Putz! Acho que somos o patinho feio do rock, não temos tocado nesse primeiro semestre, o motivo? Realmente eu não sei lhe falar talvez a culpa seja nossa mesmo ou realmente existem muitas bandas para poucos espaços.

– Quais são os planos para o futuro da banda?

Ivan Vicente - Embora não tenhamos tocado esse semestre temos tido um retorno bem legal, fomos indicados ao prêmio London Burning de música independente e
agora estamos concorrendo também ao prêmio dynamite de música independente
ao lado de grandes nomes como Lobão, Nação Zumbi e Mundo Livre S/A, isso
para a banda já é um puta reconhecimento, fora que colocamos no ar o novo
site www.fantastic5.com.br , e estamos prestes a lançar nosso primeiro vídeo.