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28 de julho a 13 de agosto de 2006

Equipe Edições Anteriores
3 de julho de 2006

ALBUM DE FAMÍLIA
Jennifer Aniston exorciza término de relacionamento com Brad Pitt em Separados pelo Casamento
por Luiz Andreghetto ( luiz_andreghetto@hotmail.com )

udo começou como um conto de fadas. Um príncipe (galã de Hollywood) lindo e loiro; a típica garota americana (também linda e loira), sucesso em uma das séries mais populares do mundo ( Friends ), se casam. O que parecia ser o final feliz perfeito termina com uma traição pública dele, com uma das mulheres mais desejadas, por ambos os sexos, desse planeta. Durante meses a mídia tem se preocupado com os percalços do relacionamento dessas três celebridades: Jennifer Aniston, Brad Pitt e Angelina Jolie. Se Aniston é a “coitadinha” que foi traída e abandonada, tudo isso publicamente, Pitt e Jolie estão tentando sair com as “personas” ilesas de tanta exposição na mídia.

Enquanto rolava o divórcio, Aniston recebeu um roteiro que poderia ser uma ótima desculpa para exorcizar, em cena, o fim de seu relacionamento com Pitt. Esse roteiro é o filme Separados pelo Casamento (The Break-up, 2006) onde Aniston (re)cria uma situação de desgaste amoroso e emocional, cujo paralelo com a própria experiência que estava passando é quase proposital.

Não que Separados pelo Casamento seja o filme do ano ou completamente imperdível. O filme ganha vários pontos pela sinceridade em mostrar que, às vezes, um simples detalhe que passa despercebido pode ser o grande estopim de uma separação e que a convivência é o maior desafio em um relacionamento a dois.

Se o filme não se resolve como gênero, pois não é comédia, nem drama, nem romance, podendo deixar tantos fãs de Jennifer Aniston e Vince Vaughan insatisfeitos, a sua grande qualidade é se apoiar em uma “releitura” dessas “comédias-românticas” onde tudo é cor-de-rosa e o amor sempre triunfa no final. Ao subverter um pouco a fórmula, o diretor Peyton Reed peca por não se decidir por aquilo que seu filme deveria ser, mas em compensação entrega diálogos brilhantes, sinceros e realistas.

Brooke (Aniston) e Garry (Vaughan) se conhecem, se amam e se casam. O dia a dia do casal parece ser o grande vilão onde uma relação de cobranças, por parte dela, se instaura entre a falta de companheirismo dele. O que começa como uma simples discussão termina com a divisão da casa e uma guerra declarada de ciúmes e provocações. Se a princípio tudo parece um pouco absurdo (que atire a primeira pedra quem nunca se separou de alguém antes), sempre ficando aquela sensação de “não seria mais fácil sentar e conversar?”, aos poucos ela vai sendo substituída por uma sensação de incômodo ao lembrarmos que é impossível ser racional nesses momentos e que, na maioria das vezes, sempre optamos pela alternativa errada.

Quando percebem que estão indo longe demais e que pequenas concessões poderiam ter sido feitas para amenizar os problemas diários do casamento, já é tarde demais. Tarde demais para perdoar, recomeçar ou voltar atrás. O amor pode não ter acabado, mas mesmo assim, ao tentar machucar um ao outro, acabam se machucando demais e, algumas cicatrizes, não se fecham nunca.

Esse é o grande trunfo de Separados pelo Casamento , a maneira realista com que descreve o final de uma relação que tinha tudo para ser feliz, mesmo que para isso precise apelar para alguns estereótipos de comportamentos e situações. Mas, ainda que fique no meio do caminho entre ser uma “inovação” entre as comédias e os romances, ou uma história que faça jus a química dos dois astros (em cujas filmagens Aniston engatou um romance com seu parceiro de cena), Separados pelo Casamento brilha por não amenizar e nem fazer concessões á uma situação que poderia ter se tornado o filme “água-com-açúcar” e insípido da vez.