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28 de julho a 13 de agosto de 2006

Equipe Edições Anteriores
3 de julho de 2006

DIVERSÃO NO FRIO
Festival de Inverno de Paranapiacaba uniu história, cultura e natureza em sua 6ª edição
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

ma bruma densa e branca esconde os morros verdes e parte das casas e prédios históricos de uma vila inglesa, com arquitetura vitoriana. A neblina que cai pela serra paulista, numa das poucas áreas de Mata Atlântica próxima à região metropolitana de São Paulo, é um dos presentes oferecidos pela vila de Paranapiacaba, situada na cidade de Santo André (região do ABC paulista) aos turistas que visitam a 6ª Edição do Festival de Inverno da Vila, em que atrações culturais e gastronômicas das mais diversas ocorreram durante três últimos finais de semana do mês de julho.

Música, teatro, folclore, artesanato, artes plásticas, culinária, lazer, estão entre as muitas atividades destinadas ao público. O destaque vai para a programação musical que contou no primeiro final de semana, entre outros, com a presença da cultuada banda Funk Como Le Gusta (de Léo Maia, filho de Tim Maia) Luiz Melodia, Mônica Salmaso e do legendário guitarrista da época da Tropicália, Lanny Gordin e nos demais próximos finais de semana com a apresentação da banda mineira Pato Fu, do cantor João Bosco, de Vanessa da Mata, Zimbo Trio e de Toquinho, além da exibição de música clássica pelas Orquestras Sinfônicas de São Bernardo, Santo André e da Jazz Sinfônica da cidade de Diadema.

Ambiente

O ambiente da antiga vila ferroviária é dos mais propícios: uma brisa fria e leve acaricia os rostos dos que passeiam de um lado para o outro, enquanto a neblina cobre toda a região, fazendo necessário o consumo de comidas e bebidas quentes para aliviar os efeitos da baixa temperatura. Tanto que os destaques das tendas costumam ser os espetinhos de carne, sanduíches diversos, quentão, vinho quente e choconhaque. Não é a toa que um local conhecido com o bar da Zilda é marcado como um dos mais freqüentados, permanecendo repleto durante todo o dia.

Enquanto uns comem e bebem, outros puderam assistir ali mesmo na rua em frente ao bar uma apresentação teatral sobre relacionamentos entre homens e mulheres, de humor divertido e singelo. Mais à frente, em um salão, ocorreu a Feira Livre do Vinil, com verdadeiras raridades, principalmente de bandas de rock. Foi possível ver também apresentações musicais de conjuntos e bandas espalhadas em vários pontos e casas da vila, cada um tentando atrair as pessoas com programações chamativas.

Os mais corajosos tiveram a opção de saltar de bungee jump ou mesmo participar de uma trilha pela mata local. Sem falar no arborismo, que é brincar de Tarzan e andar de galho em galho pelas árvores do Parque Nascentes. Os mais comedidos ou em família participaram das brincadeiras do Expresso Lazer, um ônibus adaptado com palco para atividades recreativas.

Um pouquinho da Inglaterra aqui

A Vila de Paranapiacaba surgiu na segunda metade do século 19 para dar suporte a um acampamento de operários da empresa inglesa São Paulo Raiway Company (SPR), que recebera a concessão para construir e explorar a ferrovia que ligaria o Planalto Paulista ao Porto de Santos. Ameaçada de total degradação até 2001, a vila vem enfrentando, desde 2002, o desafio de transformar-se em pólo de turismo sustentável. E o resultado aparece a cada edição do evento, que levou, apenas nos três finais de semana de 2005, 93 mil pessoas, totalizando, no ano passado, cerca de 207 mil visitantes. Desde 2001, quando teve início o festival, o total de turistas já ultrapassa o número de 600 mil.

Vale a pena observar as casas antigas, pintadas de um marrom avermelhado, preservando a característica original feita pelos ingleses no século 19. Incentivadas pela prefeitura local, durante o festival essas casas costumam se transformar em pousadas, com direito a uma cama e café da manhã. Também é possível comer muito bem em restaurantes, churrascarias e pizzarias dentro dessas residências, onde o sistema é conhecido nas placas fixadas por “Fog & Fogão”, em referência à neblina, característica marcante da vila.

A vila de Paranapiacaba foi tombada em 1987 pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), e em 2002 pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Uma de suas principais atrações refere-se ao Castelinho, antiga casa do engenheiro-chefe inglês, que era responsável pela administração dos trabalhadores da ferrovia. Sua localização não é por acaso, pois está num dos pontos habitados mais altos do vilarejo. Lá de cima é possível observar todas as casas, a Igreja do Bom Jesus, a estação de trem desativada, os trilhos que ainda hoje passam as cargas. Isso, no entanto, até a neblina cobrir toda a paisagem, sem que se perceba de onde ela veio.

A reclamar somente a forma de transporte até a vila. Se a estação local foi desativada, poderia ter sido retomada pelo menos durante a realização do festival, a fim de propiciar maior comodidade aos visitantes. Isso porque, a única opção para quem vem de longe é ir de trem da estação integrada metrô-trem Brás até Rio Grande da Serra, pela linha D (Luz-Rio Grande da Serra) da CPTM, e lá tomar um ônibus até a vila. Na edição do ano passado, foi possível ver, por volta das 21h, uma fila de mais de 50 pessoas numa fria calçada, no aguardo de um ônibus coletivo. Para quem vem de Santo André, é possível tomar um ônibus na Estação Rodoviária local, que fica na estação de trem Prefeito Saladino.

De carro o caminho é mais complicado: a pessoa precisaria seguir pela Via Anchieta até o Km 29, bairro Riacho Grande, em São Bernardo do Campo, acompanhar placa indicativa para Ribeirão Pires, entrando na rodovia SP-148 (conhecida como Estrada Velha de Santos) até o Km 33 (em frente à Estância Alto da Serra) e pegar a Rodovia Índio Tibiriçá (SP-31) até o Km 45,5, saindo para a SP-122, que termina em Paranapiacaba.