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28 de julho a 13 de agosto de 2006

Equipe Edições Anteriores
3 de julho de 2006

DUAS LÍNGUAS, D'AUTRES POSSIBILITÉS...
Praticamente desconhecida do público brasileiro, a cantora Bïa lança o disco Coeur Vagabond , composto por versões de canções brasileiras e francesas
por Marcelo Robalinho ( marcelorobalinho@yahoo.com.br )

“ Cigano seguir
saber, sentir
que o povo de lá
é igual ao povo de cá
a dor, a fé
a mesma raiz
que toda terra é matriz
descobrir
que o nosso vero país
fica onde a gente for feliz* ”
Ilha do Mel [Belle-Île-en-Mer]
(Laurent Voulzy / versão: Bia Krieger)

um país musical como o Brasil, em que as cantoras têm lugar de destaque na MPB, certamente o nome de Bïa é desconhecido do grande público. A intérprete e compositora, que vive há vários anos na França, integra o rol de artistas que optaram por desenvolver a carreira no exterior, sendo anônimos no próprio país de origem. Em abril deste ano, Bïa lançou, em Paris, o seu terceiro álbum, Coeur Vagabond Coração Vagabundo em francês – pelo selo Sony/BMG. Ainda não lançado oficialmente no Brasil, o CD pode ser escutado gratuitamente no site da cantora ( www.biamusik.com ).

Divulgado na França e no Canadá, onde a cantora tem público cativo, Coeur Vagabond reflete um pouco a mistura de culturas à qual Bïa foi, e ainda é, exposta. Desde os três anos de idade, quando os seus pais fugiram para o exílio por causa da ditadura militar brasileira (1964-1985), ela se viu diante de novas linguagens e novos horizontes que acabaram marcando bastante a sua sensibilidade musical. Talvez seja por isso mesmo que a proposta de fazer do seu novo disco um casamento franco-brasileiro se revele pertinente.

Produzido por Robson Galdino (carioca radicado na França e co-realizador de Carmin , penúltimo álbum da cantora, lançado em 2003), Coeur Vagabond reúne sete canções francesas traduzidas para o português e sete canções brasileiras adaptadas para o francês, além de uma música original composta pela própria cantora, “Bilingue”, que mistura as duas línguas. A escolha das canções não seguiu regras. Ocorreu conforme o gosto e a identificação pessoal da cantora. Evidentemente, devido às particularidades dos dois países, Bïa decidiu selecionar aquelas músicas que tivessem uma mensagem mais universal e que pudessem ser melhor adaptadas. Dessa forma, canções políticas, bastante comuns no Brasil dos anos 70, ficaram de fora do set list .

Do cancioneiro brasileiro, foram feitas versões de músicas como “Lavadeira do Rio” (“À la Fontaine”), de Lenine e Bráulio Tavares, “Coração Vagabundo” (“Coeur Vagabond”), de Caetano Veloso, “Retrato em Branco e Preto” (“Portrait en Noir & Blanc”) e “Meu Bem-Querer” (“Amour Secret”), de Djavan. Já da música popular francesa, o público poderá escutar adaptações de “L'Eau à la Bouche” (“Água na Boca”), de Serge Gainsbourg, cultuado compositor francês e conhecido mundialmente pelo hit “Je T'Aime Moi Non Plus”, “J'ai Tant Revê” (“Como Eu Sonhei”), da dupla Michel Modo e Henri Salvador, e “La Mauvaise Réputation” (“A Má Reputação”), de George Brassens, além de outras.

No disco, vale a pena destacar, apenas músicos franceses e brasileiros participaram da gravação. A formação da banda é íntima, bem ao gosto dos discos acústicos: guitarra, baixo, bateria e, em algumas canções, percussão, flauta, violoncelo e acordeão. De acordo com Bïa, a junção de nacionalidades foi uma forma de tornar o projeto o mais fiel possível à proposta de misturar e homenagear as duas culturas, consideradas as suas principais.

Ranking

De acordo com a produção de Bïa, Coeur Vagabond figura entre as 150 melhores vendas de discos, além de ocupar a 13ª posição de melhores vendas na categoria world music . Em terras tupiniquins, ainda não há uma data precisa de quando o disco será lançado. Possivelmente, seja no primeiro trimestre de 2007. Para quem tiver interesse, e alguns reais de sobra, o álbum pode ser encomendado no site da Amazon ( www.amazon.com ) ao preço de U$ 22,49 – o equivalente a cerca de R$ 54. Quanto a apresentações no Brasil, a cantora revela que existe um projeto em discussão com a Aliança Francesa para realizar uma turnê, a princípio por Estados do Sul e Sudeste do País, após o lançamento do álbum aqui no País. É esperar para vê-la e ouvi-la pessoalmente.

*A última frase da canção “Ilha do Mel” é uma citação do escritor chileno Luís Sepúlveda. Foi incluída pela cantora Bïa em homenagem a ele, a quem a canção é dedicada.

Veja também entrevista de Marcelo Robalinho com a cantora Bia