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19 de agosto a 3 de setembro de 2006

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BONECOS TRAZEM VIDA PARA SÃO PAULO
Sesi Bonecos do Brasil e do Mundo faz a festa do público paulistano
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

s bonecos trouxeram vida a São Paulo por uma semana. A terceira edição do festival Sesi Bonecos do Brasil e do Mundo (a primeira na capital paulista) trouxe 12 companhias brasileiras e 5 internacionais em 35 apresentações gratuitas, com as mais diversas formas de teatro de bonecos. Entre elas, o teatro de sombras (com o grupo Tenj, da Rússia), bonecos em miniatura manipulados com varinha (Cia. Gente Falante com o Circo Minimal), fantoches feitos de fios de nylon, bonecos de Olinda de 4 metros de altura, mamulengos vindo de Pernambuco, João redondo do Rio Grande do Norte.

A primeira edição ocorreu em 2004, com apresentações nas cidades de Aracaju, Salvador, Fortaleza, São Luís, Teresina, Natal, João Pessoa e Maceió ( SESI Bonecos do Brasil ) e Recife e Olinda ( SESI Bonecos do Mundo ). Ano passado foi a vez de Brasília, de Goiânia, Palmas, Cuiabá, Campo Grande e Vitória. Agora, após passar por São Paulo, o evento segue para Nova Iguaçu, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre e Joinville.

As apresentações se dividiram em dois lugares: o Teatro Popular do Sesi, situado na avenida Paulista, que recebeu parte das atrações internacionais (entre elas o Teatro Tenj, os espanhóis da La Fanfarra e os estadunidenses do The Rubber Marionettes, que usam marionetes com fios) nas noites dos dias 8, 9 e 10; e a Praça da Paz do Parque do Ibirapuera (zona sul da cidade), com 5 palcos espalhados pelo local, que proporcionaram uma verdadeira maratona de espetáculos brasileiros e estrangeiros nos dias 12 e 13 (sábado e domingo, respectivamente), partindo das 16h e terminando já quase às 22h. A reportagem do Rabisco compareceu no dia 13 e pode se deliciar com a variedade de eventos desenrolados durante a tarde e a noite.

O público que se aproximava da praça, e muitos nem sabiam o que estava acontecendo por ali, já que o local é muito visitado para passeio do paulistano, se divertiu muito com o desfile dos bonecos de Olinda, títeres de quatro metros de altura, além de uma cobra de 150 metros de comprimento, acompanhados por uma fanfarra que executava frevo e canções carnavalescas, provocando um clima bastante festivo e animado. Após o término deste espetáculo, começou uma apresentação no palco 1 da companhia francesa Petits Miracles, que conta a história de um ex-domador de feras que, num minúsculo circo, adestrou pulgas acrobatas e engolidoras de fogo, que “só os céticos não conseguem ver”.

Enquanto isso, do outro lado da praça, a Companhia da Tribo, de São Paulo, apresentava o seu Homem-Palco, em que uma pessoa se veste de palco e manipula os bonecos ali mesmo, sendo auxiliada por um assistente que botava a música pra tocar e narrava parte da história. Durante toda a tarde o grupo de apresentou com três histórias de cerca de 15 minutos cada (“A princesa advinhona”, “O marido da mãe-d'água” e “O sapo com medo de água”), para delírio das crianças que aplaudiam e riam a todo o momento.

As atrações começavam a se suceder, aumentando o público na praça, que formava uma fila gigantesca para visitar a exposição – ou visitava o estande que vendia bonecos - que contava a história desses bonecos, com peças africanas do século 18, mostrando, inclusive, como se faz um boneco, com os criadores do mamulengo Só-Riso.

Falando em mamulengo, o destaque que a reportagem pode dar é a apresentação do mamulengueiro Mestre Zé Lopes com seus bonecos e seu acompanhamento musical ao vivo, repleto de carisma e alegria, garantia de boas risadas. Ele homenageou a sua mãe, “dona Severa”, que prestigiava o filho na platéia repleta, e brincava com muito vigor com os bonecos, que contavam histórias de um cabra “macho” que não queria ser soldado de um inimigo seu. A forma com que Mestre Zé Lopes brinca com os bonecos é impressionante e surpreende o público que possui pouco contato com essa cultura tão rica do Nordeste.

Waldeck de Garanhus, outro nome muito conhecido dessa arte do mamulengo, trouxe histórias mais urbanas, como ele próprio anunciou, pois, como já mora em São Paulo, tem uma outra visão para trazer com seu trabalho. Fechou este espaço Chico de Daniel, com seu João-redondo do Rio Grande do Norte, com muita cantoria e piada musical. E o interessante é que essas apresentações ocorreram no Palco 5 (assim chamado pelo Sesi), que, na verdade, era um espaço base no chão com os palquinhos de cada artista montados quase que na hora. Mesmo assim, eles realizaram apresentações marcantes e repletas de gargalhadas da platéia.

Já na chegada da escuridão noturna, o Grupo Sobrevento, curiosamente do Rio de Janeiro e de São Paulo, narrou a história de uma princesa que busca seu herói, mas de uma forma que mistura o passado de contos como esse, mas com atualidades hilariantes, como a princesa pedindo pelo telefone e pela Internet um herói novo para combater o vilão. The Huber Marionettes, os cariocas dos Contadores de Histórias também se apresentaram na noite paulistana, com o público sentado no gramado do parque. Quem fechou a noite foi a companhia japonesa Dondoro, com sua apresentação firmada na técnica de teatro Butoh, que usa apenas gestos, descartando as palavras, e com bonecos em tamanho natural e com máscaras.

Assistindo a um espetáculo desses dá a impressão de que não são bonecos que estão sendo manipulados e, sim, são pessoas mesmo que falam sobre suas peripécias em vida, seja para salvar a princesa do homem mal, do forrozeiro que flerta com a moça indefesa, com o rapaz que não queria ser soldado de seu inimigo. Os bonecos ganham vida de tal forma que é preciso lembrar que tudo é lúdico, caso contrário, corre-se o risco de acreditar realmente que aquele pequenino boneco é um ser humano e pulsa como nós.

Mas, pensando melhor, que mal há nisso? São seres tão simpáticos e agradáveis que nos fazem esquecer do, muitas vezes, amargo cotidiano, lembrando que é possível trazer humanidade e humor pelas singelas coisas, como o teatro, por exemplo. É, vale a pena rir livremente e se emocionar com bonecos-humanos que tanta alegria trazem às crianças e, porque não, também aos adultos.