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19 de agosto a 3 de setembro de 2006

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ONE TREE HILL
A terceira temporada de One Tree Hill firma a série como uma teen drama para “gente grande”
por Ricardo Stabolito ( ricardostabolito@bol.com.br )

m meados dos anos 90, séries como Melrose Place e Barrados no baile lançaram as bases do gênero televisivo que seria conhecido mais tarde como teen drama . Caracterizadas pela presença de um elenco predominantemente jovem e ritmo novelesco intenso, essas séries alcançaram rapidamente o sucesso, principalmente entre o público “jovem” (de 14 a 25 anos). Desde então, o gênero ganhou prestígio entre os canais de televisão norte-americanos, que investem todo ano em pilotos desse tipo de séries.

Há três temporadas, duas teen dramas entraram no ar: The OC e One Tree Hill . A primeira, baseada em um drama leviano com toques de humor e um ritmo intenso, resultou em um fenômeno da cultura pop, sucesso instantâneo de audiência que refletiu no comportamento dos jovens norte-americanos. Já One Tree Hill apresentava um drama muito mais pesado e intimista, com menor abertura ao humor e personagens mais verossímeis do que as de sua co-irmã.

O terreno que One Tree Hill resolveu explorar era perigoso. Isso porque todas as teen dramas que ousaram investir em temáticas mais pesadas e dramas mais intensos (fugindo à “fórmula de sucesso” do gênero) acabaram canceladas da programação de suas emissoras. O exemplo mais conhecido de tal constatação foi a série My so called life : investindo em uma abordagem mais séria dos dramas corriqueiros pelos quais uma adolescente passa, acabou sendo cancelada antes mesmo do término de sua primeira temporada, apesar de ter conquistado ótimas críticas. Hoje em dia, ela é reconhecida como uma série cult , com um público extremamente fiel, apesar de sua pequena duração.

Diferente de My so called life , One Tree Hill conseguiu passar da primeira temporada. Ainda mais, “herdou” daquela série seus dois principais trunfos: a qualidade inegável e o público fiel. Sempre tendo seus capítulos iniciados e finalizados por citações de grandes escritores da literatura mundial e com situações e diálogos repletos de metáforas, a série consistia em um exercício saudável e inteligente ao espectador. E aí reside o principal diferencial de One Tree Hill em relação as demais teen dramas recentes – ela é uma série que se leva mais a sério.

A segunda temporada de One Tree Hill constituiu uma tentativa de superar a primeira, que havia conseguido razoável sucesso de público. No entanto, o saldo dessa temporada não foi muito positivo. Na ânsia de se superar, os escritores comumente recorreram a situações demasiado exageradas. O principal afetado por esse exagero foi o personagem Dan Scott (Paul Johanson) – o “vilão” da série – que, de um personagem ambíguo e instigante, foi transformado em um vilão clichê que está contra “tudo e todos”. Além disso, foram adicionadas algumas personagens que se mostraram dispensáveis, enquanto personagens essenciais foram descartados repentinamente.

A terceira temporada chegou bem menos ambiciosa do que a segunda: sem forçar aentrada de novas personagens e sem exagerar situações. Seus primeiros oito capítulos seguiram em um ritmo bem lento – até para os padrões de One Tree Hill – o que levou a incomodar alguns fãs. Sem avançar a história, esse início de temporada pareceu muito mais interessado em arrumar os “buracos” deixados pelos exageros da segunda temporada e colocar a série de volta ao seu caminho original.

Voltando a se utilizar com mais intensidade de citações literárias e situações metafóricas, os capítulos 9 e 10 pareceram representar um divisor de águas para essa temporada. Todas as pontas deixadas pela temporada anterior foram amarradas e, assim, One Tree Hill iniciou efetivamente uma nova fase. A partir desses acontecimentos, a série ganhou o que lhe faltava: fluidez, tornando-se um programa imperdível. E o ponto culminante dessa terceira temporada foi o capítulo 16 – With tired eyes, tired minds, tired souls, We slept – que cria o mais consistente e tenso episódio de violência escolar já exibido na TV. A história do aluno que invade o colégio com uma arma e faz os colegas de reféns já foi mostrada algumas vezes, mas nunca de uma forma tão reflexiva e angustiante como nesse episódio. O resultado é um marco para a televisão e um dos melhores capítulos de série de televisão exibidos no ano.

Correndo riscos de ser cancelada, os fãs de One Tree Hill protagonizaram uma mobilização sem precedentes em torno de uma série de TV, conseguindo prorrogá-la por mais uma temporada. O que outrora poderia representar apenas uma sobrevida, hoje mostra que é importante para os canais de televisão terem séries que possuam um público que não mude para outro programa na próxima temporada. A mobilização em torno de One Tree Hill provou que ela possui essa fidelidade por parte do público, apesar de uma audiência não ser tão grande; e isso se deve ao fato de que, embora não abra mão de alguns dos pontos que fazem das teen dramas sucesso de TV, a série trata seu público (por mais jovem que seja) com inteligência e respeito.