| DESTINO FINAL
Premonição 3 surpreende por ser uma ótima diversão para os fãs do gênero de terror, fechando com inesperado sucesso uma trilogia desnecessária
por
Ricardo Stabolito ( ricardostabolito@bol.com.br )

ão é de hoje que Hollywood cria franquias em cima de filmes bem sucedidos com o intuito de apenas ganhar dinheiro. No entanto, o que mudou de tempos para cá são os critérios para se criar uma franquia. Hoje qualquer filme que consiga arrecadar mais do que o gasto em sua produção está propenso a “ganhar” continuações – esmagadora maioria com qualidade inferior ao filme original. Essas continuações ficaram conhecidas pelo nome de “caça-níqueis”.
Nenhum outro gênero se utilizou mais das franquias do que o de terror. A hora do pesadelo , Halloween e Sexta-feira 13 são as mais famosas franquias de terror já produzidas, todas tendo tido mais de cinco filmes. E, na atual crise decorrente da falta de criatividade no cinema de terror, as franquias se tornaram novamente solução para manter a rentabilidade dos filmes do gênero.
É desse panorama atual do cinema de terror que Premonição 3 ( Final Destination 3 – 2005) é resultado: o último episódio da trilogia originada do filme Premonição (2000) é um desses longas de terror caça-níqueis tão comuns ultimamente. Porém, o filme é uma ótima e descompromissada diversão para os fãs do gênero, que deverão ficar satisfeitos após enxutos 87 minutos de ação, perseguição e boas doses de sangue.
Diga-se de passagem, Premonição é o tipo de filme inadequado para a realização de continuações. Isso porque a história introduzida pelo primeiro longa-metragem da trilogia não constitui terreno fértil para variações que justifiquem uma ou mais seqüências. E assim tivemos que assistir ao fraquíssimo Premonição 2 (2003) para ter esse fato comprovado: tentando mudar algumas das regras instituídas no primeiro filme, o roteiro acabou se perdendo entre suas idéias simples e mortes extravagantes, transformando-se em um “deleite” visual com um argumento absolutamente pífio e sem sentido.
Se foi necessário produzir o segundo filme da franquia para perceber que inovar não era um caminho viável para as continuações de Premonição , pelo menos os produtores conseguiram notar isso e fizeram do Premonição 3 algo bem menos ambicioso – sem grandes surpresas quanto ao “esquema” apresentado no primeiro filme.
A história gira em torno de Wendy (Mary Elizabeth Winstead) que, prestes a embarcar em uma montanha-russa com seus colegas de escola, tem uma premonição – do acidente que causa a morte (sangrenta) de todos que embarcaram no brinquedo. Ela e alguns de seus amigos conseguem escapar do local e o acidente se confirma. Mas, como já sabem aqueles que já assistiram aos filmes anteriores, a morte continuará a seguir os que saíram da montanha-russa antes do acidente.
O que parece ser uma cópia do primeiro filme mudando apenas o tipo de acidente que serve de fio condutor se confirmará durante a projeção. E o que parece falta de criatividade das pessoas envolvidas, mostra-se um trunfo a partir do momento que percebe-se que o enredo do primeiro filme ainda funciona, e ainda melhor quando acoplado ao ritmo mais frenético e ao sarcasmo que caracteriza o terceiro filme.
A única inovação de Premonição 3 fica por conta do elemento usado para garantir a interação entre personagens e público: as “foto-premonições”. Ao descobrirem que as fotos tiradas por Wendy no parque de diversões, antes do acidente, possuem dicas de como serão as mortes das personagens do filme, os espectadores são convidados a participar de uma eficiente, porém um pouco maquiavélica, “brincadeira de adivinhação” sobre como cada um dos personagens irá morrer. As “foto-premonições” aproximam um pouco Premonição 3 do clássico A Profecia , cuja refilmagem esteve no cinema há pouco tempo.
O único ponto positivo de Premonição 2 foi herdado por esse terceiro filme da franquia: o cuidado com os aspectos técnicos. Assim, Premonição 3 traz acidentes e mortes muito bem feitas, além de muito originais. O grande destaque fica para o acidente da montanha russa, uma seqüência muito bem concebida e planejada, mas que fica ainda muito aquém da espetacular cena do engavetamento que abre o segundo filme da franquia.
As atuações, como em todo o filme desse tipo, não são um primor. No entanto, vale destacar a esforçada protagonista – Mary Elizabeth Winstead – que consegue cativar o público e ir além da inexpressiva atuação do seu co-protagonista Ryan Merriman (Kevin). Além dela, atenção especial para a dupla Ian (Kris Lemche) e Erin (Alexz Johnson) que mostram ser bons atores, principalmente a segunda. Entretanto, ambos são totalmente subutilizados: Alexz tem pouquíssimo tempo em cena (o necessário para mostrar certo talento) e a atuação de Lemche é prejudicada pelo rumo que seu personagem toma no terceiro ato do filme. Premonição 3 é um caça-níqueis (e isso fica claro para você durante toda a projeção). Mas, é o mais divertido e mais prazeroso de se assistir nesta desnecessária franquia. |