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FIM DO JEJUM
Internacional conquista pela primeira vez a Taça Libertadores da América

por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

cabou a piada dos gremistas que diziam que o único time gaúcho de projeção internacional era o Grêmio, com suas duas Libertadores (1983 e 1995) e seu título Mundial (1983). O Sport Club Internacional levou o torneio sul-americano pela primeira vez na história, ao superar o atual campeão do mundo, o São Paulo, vencendo na casa do adversário pelo placar de 2 x 1 e empatando no Beira-Rio em 2 x 2. O Colorado havia batido na trave em 1980, quando perdera para o Nacional do Uruguai na finalíssima.

Com esse triunfo, o Inter garante vaga no Mundial de Clubes da Fifa, a ser realizado em dezembro, e aguarda o adversário que deverá sair entre o representante africano e asiático, como no ano passado, quando o São Paulo enfrentou o Al Ittihad, da Arábia Saudita. O candidato europeu é o temido Barcelona, que levou a Liga dos Campeões deste ano e promete, nas palavras de Ronaldinho Gaúcho, ex-Grêmio, lutar com todas as forças para vencer os brasileiros.

O Internacional fez a melhor campanha da competição, obtendo oito vitórias, cinco empates e apenas uma derrota. Na primeira fase, os gaúchos venceram em casa os uruguaios do Nacional (3 x 0), os mexicanos do Pumas (3 x 2) e os venezuelanos do Maracaibo (4 x 0). Fora de casa ocorreram dois empates (1 x 1 com o Maracaibo e 0 x 0 com o Nacional) e uma vitória, sobre o Pumas por 2 x 1. A peculiaridade das oitavas de final da Libertadores que indica os confrontos pela campanha geral da primeira fase fez com que Inter e Nacional se enfrentassem novamente: vitória do Colorado em Montevidéu por 2 x 1 e empate 0 x 0 em casa, sem grandes dificuldades.

Já nas quartas a coisa pegou: na partida de ida, antes da Copa do Mundo, 2 x 1 para os equatorianos da LDU. A partida de volta só ocorreria depois do fim da Copa, devido à incompetência da Confederação Sul-Americana de Futebol (Conmebol) que não deu espaço na tabela para a preparação das seleções e se viu obrigada a jogar a volta das quartas para julho, causando agonia para a torcida. Contudo, acabou sendo um grande alívio para os atletas, como confidenciou recentemente o atacante Fernandão, durante o programa Bola da Vez do canal por assinatura ESPN Brasil, pois assim o time teria melhores condições para assimilar o resultado e se preparar para o outro confronto: “Tínhamos jogadores contundidos, outros cansados. Foi bom porque descansamos 10 dias e ficamos mais 20 nos preparando para esse jogo”, disse o atacante símbolo da massa colorada. O embate do Beira-Rio foi tenso, mas a vitória por 2 x 0, com direito a defesa de Clemer numa falta no fim da partida, garantiu o Colorado nas semifinais.

Nessa etapa o adversário era o pouco conhecido Libertad, do Paraguai, mas que possui um padrinho de respeito: Nicolas Leoz, presidente da Conmebol. Só para se ter uma idéia, o estádio do Libertad tem o nome de seu mais ilustre torcedor. Mas o temor inicial não influenciou o Internacional que empatou em Assunção em 0 x 0, num jogo fraco tecnicamente, em que os brasileiros tiveram chance de vencer, apesar das duas bolas na trave acertadas pelos atacantes paraguaios. Na partida de volta um pouco de apreensão no primeiro tempo e início da etapa final, quando o Libertad ameaçou o sonho do título ao criar chances incríveis, porém, sem concretizá-las de forma satisfatória. Mas, os chutes de fora da área do meia Alex e do talismã Fernandão trouxeram alegria e alívio para a torcida.

A grande final

No entanto, o maior sofrimento era prometido para a final. No lado oposto estava o São Paulo, tricampeão do mundo, até então atual campeão do continente, que possui 22 jogadores de ótimo nível em todas as posições, atletas experientes, acostumados a pressão das decisões. Os dois confrontos marcados para os dias 9 e 16 de agosto indicavam que seriam dois dos maiores jogos da história da Libertadores. E foram.

A primeira partida, marcada para o Morumbi, teve um show à parte da torcida são-paulina, com 70 mil vozes empurrando o time para a vitória. Que não veio, fruto de uma marcação muito forte feita pelos gaúchos, que impediam o avanço dos paulistas. Pra piorar a situação do time local, Josué foi expulso no início do jogo por causa de uma cotovelada e Mineiro atuava sozinho no meio de campo, além de estar contundido, devido a uma entrada criminosa do volante Edinho no segundo minuto de jogo. Enquanto isso, Tinga dominava as ações do meio, sem tanta marcação para incomodá-lo. E o Inter foi disposto a decidir a parada, aproveitando o homem a mais. Que só durou até o fim do primeiro tempo, quando Fabinho, também numa cotovelada, recebeu o cartão vermelho.

No segundo tempo a situação permanecia igual: o São Paulo não conseguia sair da marcação do Inter, que segurava a bola no ataque, esperando uma brechinha que fosse para abrir o marcador. E conseguiu: num contra-ataque rápido, Rafael Sóbis guardou o primeiro tento na meta de Rogério Ceni. Menos de dez minutos depois, o impossível aconteceu: novamente em jogada rápida do ataque colorado, Sóbis pegou o rebote na área e trouxe pra mais perto o sonho da América para o clube. O São Paulo se desesperou e foi com tudo pra cima do adversário, conseguindo, ainda, um gol, com o zagueiro Edcarlos, próximo do fim da peleja, que dava um certo ânimo para tentar reverter o prejuízo no Rio Grande do Sul.

E foi com essa esperança que o São Paulo partiu com tudo pra cima do Internacional no Beira-Rio, no jogo de volta, perdendo duas chances incríveis de gol nos primeiros cinco minutos de partida, assustando a torcida local. Mas o time paulista não contava com a falha de seu maior ícone: Rogério Ceni soltou uma bola fácil cruzada na área, sobrando para Fernandão abrir o placar e dificultar ainda mais a tarefa dos são-paulinos, que passaram a ficar nervosos e se perderem no toque de bola do oponente.

No início do segundo tempo, porém, Fabão empatou a partida num lance de bola parada, botando mais lenha na decisão. Muricy Ramalho, técnico do Tricolor, botou o time pra frente ao colocar Lenílson e Thiago, para apertar o Inter no seu campo. Mas clube campeão necessita de sorte, muita sorte. No momento que o São Paulo era superior no Beira-Rio, o Inter conseguiu uma arrancada pela direita com Fabiano Eller, que cruzou para Fernandão cabecear para grande defesa de Ceni. No rebote, Tinga apareceu livre para por uma pá de cal nas pretensões do São Paulo. O problema é que, ao levantar a camisa para mostrar outra que estava abaixo com uma mensagem, Tinga recebeu o segundo amarelo e foi expulso.

Isso mudou o panorama do jogo, fazendo com que o técnico do Inter Abel Braga botasse o zagueiro Ediglê no lugar de Sóbis e recuasse seus atletas em seu campo, apenas se defendendo e dando chutão pra frente, enquanto que Muricy tirou Edcarlos e botou Alex Dias, outro atacante, aumentando ainda mais a pressão no gramado adversário. As substituições deram resultado e Lenílson, numa falha do goleiro Clemer em chute de Junior, completou para as redes, colocando ainda mais pimenta nos últimos instantes da partida. Mas, no fim das contas, Os atletas do Inter conseguiram, de forma heróica, segurar o ímpeto tricolor e garantiram o inédito caneco para o clube, para delírio de metade de Porto Alegre, que tanto aguardava um título importante e, principalmente, um troféu de fora do país, o primeiro do clube.