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O MÉTODO
A globalização e a conquista do emprego vistos pela sétima arte em O Que Você Faria?

por Paulo Gustavo Freire ( pgvarandas@yahoo.com.br )

ivemos em mundo competitivo, no qual todos têm uma história para contar na qual vivenciaram a tirania do capitalismo a que somos impostos a cada dia. No regime capitalista todos têm chance de crescer, mas para que poucos cresçam muitos precisam descer.

O acesso à informação aumentou, a assimilação destas ficou mais rápida. Com o crescimento de candidatos capacitados a uma cargo em qualquer média ou grande empresa, só há uma forma de filtrar os menos capacitados, o temeroso processo seletivo ou dinâmica de grupo. Se o reality show O Aprendiz faz sucesso ao mostrar diversos candidatos graduados concorrendo a um cargo gerencial em uma empresa de publicidade por meio de dinâmica de grupo, o ótimo filme espanhol O Que Você Faria? (um título horrendo título, no original El Método) surge para discutir o tema mais a fundo. Introduz-se a questão da globalização, dos limites de um processo (o misterioso “ El Método Grönholm ” ) baseado em técnicas utilizadas anteriormente em guerra para se encontrar um eleito.

Escrito pelo argentino Marcelo Piñeyro (também no papel de diretor) em parceria com Mateo Gil (co-roteirista de Alejandro Amenábar em quase todos os seus filmes, inclusive nos excepcionais Abre Los Ojos e Mar Adentro ) a partir de uma peça do espanhol Jordi Galcerán, temos um roteiro que evidencia sua origem teatral, ao optar por um ambiente confinado e dar ênfase na construção e interação das personagens.

No centro de Madrid está acontecendo uma manisfetação antiglobalização em decorrência de um encontro do Fundo Monetário Internacional (FMI). Próximo dali, em um edifício comercial, o processo seletivo de sete aspirantes (entre eles, os excelentes Pablo Echarri e Eduardo Noriega, além da bela Nawja Nimri) a um alto cargo executivo de uma empresa multinacional, da qual apenas ficando sabendo seu nome ( Dekia ), será o centro das atenções. A abertura, utilizando maravilhosas split-screens , introduz os sete candidatos e em paralelo a cobertura televisiva da manifestação nas ruas.

A sala do processo é propositalmente composta de cores frias, com linhas retas e uma ampla janela que dá vista para um pequeno número de prédios comerciais. O diretor Marcelo Piñeyro utilizou três câmeras simultaneamente para que todos os candidatos sempre estivessem focalizados, sejam em planos abertos ou closes, e não se perdesse o momento espontâneo da interpretação dos atores, assim como ocorre no teatro.

Entre os candidatos temos aquele se apresenta com ar de líder, o inquieto com as pequenas humilhações do processo (como o fato de terem de preencher um formulário diversas vezes), uma mulher insegura, o sujeito compenetrado, enfim, todos os estereótipos que encontramos em qualquer disputa. A melhor forma de se aproveitar por completo a história de O Que Você Faria? é obter o menor número de informações. Um pequeno elemento no início do filme já irá aguçar o espectador, entre os candidatos há um (a ) impostor(a) que está ali para avaliá-los. Para se chegar ao objetivo, surgirão alianças, intrigas e reviravoltas até que um seja o eleito.

Com momentos que alternam entre o drama e a comédia, a Espanha larga na frente ao contar uma história sobre o mundo corporativo e suas batalhas para se conseguir uma vaga de emprego, nem que para isto o candidato tenha que passar por cima de outros. Estamos diante de um thriller psicológico por mais absurdo que essa idéia possa parecer. Ironicamente, resta ao espectador criar empatia por um dos candidatos e torcer por vencedor. Bem vindo a mais um processo seletivo. Coisas do mundo moderno.