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26 de setembro a 11 de outubro de 2006

Equipe Edições Anteriores

ACERVO GUARDA ARTE CATÓLICA
Museu de Arte Sacra, em São Paulo, preserva riqueza da história do barroco no Brasil
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )

avenida Tiradentes, tradicional via de acesso do cidadão paulistano para a Zona Norte, reserva um acervo cultural religioso gigantesco: o Museu de Arte Sacra (MAS). Este é o maior museu do gênero na América Latina, possuindo 4 mil peças dos séculos 16 até o 20, sendo que 800 estão em exposição permanente. Situado em uma das alas do Mosteiro da Luz, o museu foi construído em taipa de pilão em 1774, pelo beato Frei Galvão, e é considerado um dos mais importantes monumentos arquitetônicos coloniais paulistas do século 18.

Na época, o bairro se chamava Campos do Guará e teve seu nome batizado de Luz por causa da imagem de Nossa Senhora da Luz, trazida por Galvão em 1603, da “capela do Piranga” (onde hoje é o bairro do Ipiranga, na zona sul da cidade). Esta imagem é a mais antiga do acervo, datada de 1579.

Acervo

O acervo do museu teve início com o primeiro arcebispo de São Paulo, dom Duarte Leopoldo e Silva, em 1907, quando ele passou a recolher imagens sacras nas igrejas e pequenas capelas de fazendas, que foram demolidas após a Proclamação da República. Por isso, altares, retábulos, oratórios, telas, mobiliário, prataria, vestimentas e imagens sacras, livros litúrgicos, estão dispostos nos corredores do MAS, que também mantém suas atribuições do passado ao abrigar as irmãs concepcionistas no segundo andar do prédio.

Diversos artistas renomados se destacam no acervo do museu. Entre os principais estão os escultores Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Antônio Franci sco Lisboa, conhecido como “Aleijadinho”, mestre Valentim, além de pintores como Benedito Calixto, padre Jesuíno do Monte Carmelo, Anita Malfatti.

O MAS guarda a segunda maior coleção de lampadários do mundo em variedade, perdendo apenas para a existente no Vaticano. Eles foram feitos de prata e eram utilizados durante o culto religioso, acesos ao lado do altar. “Os lampadários vieram da Itália, Portugal, e de outras regiões do Brasil. O principal deles é o de Dom Pedro I. Ele deu de presente à antiga Sé de São Paulo, em comemoração da independência do Brasil”, diz uma das monitoras do museu, Teresa Ramos.

Destaque também para o Presépio Napolitano do século 18 com suas mais de 1620 peças, que fica situado na antiga “Casa do Capelão” (dentro das dependências do MAS) e foi doado pelo empresário Ciccillo Matarazzo. O presépio mostra o cotidiano de uma vila de Nápoles e, também, a cena do nascimento de Jesus.

Barroco

Todas as peças são originárias do barroco, movimento artístico que deu início no Brasil no século 16. No entanto, as obras existentes no MAS são datadas do século 17 e do século 18. Deste primeiro período predomina o barroco paulista, considerado mais simples, devido ao pouco conhecimento dos artistas. Segundo Teresa Ramos, eles eram conhecidos como “santeiro popular”, isto é, pessoas do povo que gostavam de fazer imagens com barro, mas que não possuíam conhecimento técnico do que faziam. Por isso mesmo, a maioria das obras desse período não possui autor.

O barroco paulista possui traços do que os especialistas chamam de “maneirismo”, um movimento anterior ao barroco, que traz imagens com posturas como se estivessem paradas, verificáveis pelas linhas retas, pois as vestes não possuem ondulações que poderiam indicar movimento. É possível ver essa característica na imagem de Santo Amaro, do século 17, feita pelo português Frei Agostinho da Piedade, que trabalhou no Brasil e, apesar de sua erudição, carregou na postura séria e parada da imagem.

Já o barroco do século 18 é aquele mais reconhecido na arte sacra, até pelo esmero na feitura das obras, devido a uma maior erudição dos artistas daquele tempo. Se trata de um período com mais movimentos nas peças, assim como no planejamento que reveste a imagem, personificando uma expressão característica forte do barroco. “É como se a imagem estivesse andando, dando um passo, como se os ventos batessem no vestido”, completa a monitora. Outro ponto interessante são os olhos de vidro, colocados para deixar as imagens mais reais, com maior expressão.

Há duas formas de exemplificar esse tipo de estilo mais acurado: através do maior representante do barroco brasileiro, Aleijadinho, bem como de Franci sco Xavier de Brito que, inclusive, foi professor do primeiro nas Minas Gerais. Em uma área do MAS estão as obras Nossa Senhora das Dores, de Aleijadinho, e Santa Madalena, de Xavier de Brito, em que é possível notar estas diferenças.

Este acervo pode ser visitado de terça a domingo, das 11h às 19h. Idosos acima de 65 anos e crianças até 7 anos não pagam. Os ingressos custam cerca de 4 reais para adultos e 2 reais para estudantes. Porém, usuários do metrô pagam apenas R$ 1,00, desde que peguem a filipeta na estação que dá direito ao desconto. Visitas monitoradas de escolas públicas não pagam ingresso.

SERVIÇO

Museu de Arte Sacra
Endereço : Avenida Tiradentes, 676 – Luz – (metrô Tiradentes)
Telefone : 11 – 3326-1373/3326-5393