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26 de setembro a 11 de outubro de 2006

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A DOR DE CRESCER
O abandono e a falta de perspectiva da juventude estão no drama francês A criança
por Luiz Andreghetto ( luiz_andreghetto@hotmail.com )

runo vive de pequenos furtos e golpes. Sem perspectiva de uma vida melhor, não se interessa pela gravidez da namorada Sonia e muito menos em cuidar da criança que nasceu. Na verdade, é na criança que Bruno vê uma forma de resolver seus problemas, vendendo-a. Por mais cruel e desumano que possa parecer esse é o início do filme A criança (L'Enfant, 2005) dos irmãos Jean-Pierre e Luc Dardenne, uma jornada de descobertas.

Sem saber como cuidar de um filho e não tendo parâmetros afetivos em sua vida, Bruno repete em suas relações o que fizeram com ele: abandona o filho sem nenhum tipo de ressentimento, por não entender o que significa uma estrutura familiar sólida. A falta de amadurecimento pessoal faz com que tenha que seguir uma longa trajetória em busca de responsabilidade e da afetividade perdida. É Bruno a criança do título e não seu filho que fora vendido.

Ao perceber que fez algo errado, o protagonista tenta a todo custo ter a criança de volta, mesmo que a principio seja apenas para satisfazer à namorada. Ao se envolver em um espiral de confusões Bruno precisa assumir a responsabilidade pelos seus atos, mesmo que isto lhe custe a liberdade.

Com câmera na mão, próxima aos atores, fazendo com que compartilhemos cada sensação dos personagens, os irmãos Dardenne criam um ambiente calcado na realidade, onde não existe música, apenas o som ambiente, que dá uma sensação única de interferência e desespero em relação à situação criada por Bruno. Como no trabalho anterior dos dois irmãos, O Filho , é na interpretação dos atores que reside o grande trunfo da direção dos Dardenne. A câmera parece querer pegar cada nuance, desejo, respiração, suor de seus personagens, acompanhando-os sempre a espreita da descoberta de novas sensações, como um intruso que pretende adentrar-se nos cantos mais remotos dos dilemas (ou até mesmo da alma) dessas personagens.

E, ao final, quando Bruno surge para conversar com Sonia, somos pego com tamanha força pelas emoções sinceras demonstradas pela dupla de protagonistas que é impossível não conter as lágrimas. Ao pagar pelos seus atos um preço que talvez seja caro demais, Bruno consegue alcançar sua redenção, em um desfecho que consegue ser ao mesmo cruel, realista e doloroso, onde conseguimos perceber o quanto de humanidade ainda resta nele, e o quanto amadurecido Bruno saiu dessa jornada. Se às vezes crescer é uma trajetória rumo ao desconhecido, para Bruno tornar-se adulto é assumir suas responsabilidades, libertando-se de todo um processo de abandono e falta de afetividade a que tinha sido submetido.