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6 a 21 de novembro de 2006

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A NOVA MÁGICA
High School Musical apresenta carisma e energia singulares, tornando-se um grande sucesso mundial e levantando as finanças da Disney
por Ricardo Stabolito ( stabolito@rabisco.com.br)

Disney fez história no campo das animações. Os maiores clássicos do gênero são, em grande maioria, produções dos seus estúdios. No entanto, foi-se o tempo em que o grupo fazia e era lembrado apenas pelos “desenhos”. A busca por novos mercados fez com que o estúdio se aventurasse por outros gêneros cinematográficos.

            Hoje, pode-se dizer que em seu país natal e centro de operações – Estados Unidos – a Disney está diretamente ligada a três atividades: cinema de animação, não-animação e produções para a televisão. O cinema de animação continua sendo o carro-chefe do estúdio, principalmente após a fusão com a emergente Pixar. Além dele, a Disney vem investindo cada vez mais em filmes não-animação, aonde vem conseguindo bastante lucro com grandes sucessos de bilheteria, como os dois longas-metragens Piratas do Caribe.            

A terceira atividade da Disney é a menos conhecida no Brasil. Com o advento do canal a cabo Disney Chanel, começaram a investir em conteúdo especialmente direcionado para essa mídia, inclusive filmes a serem distribuídos diretamente para a televisão. Os investimentos nesse ramo foram impulsionados pelo extremo sucesso de muitas séries que o canal e seus astros mirins fizeram junto ao público jovem norte-americano.

Com filmes, em sua maioria, estrelados por esses astros mirins do Disney Chanel ou baseados nessas séries de TV de sucesso, o canal conseguiu substanciais lucros junto ao público americano. Mas, se você mora no Brasil e não é assinante do canal, é muito provável que nunca tenha ouvido falar nessas séries e filmes que ajudam a sustentar timidamente as finanças do grupo.

Os êxitos desses filmes para a TV levaram a Disney a fazer High School Musical, sem dúvida o mais arriscado projeto do estúdio para veiculação na televisão. Primeiro, porque mexe com um gênero cinematográfico discriminado pela maioria dos jovens: os musicais. E segundo, porque nenhuma grande estrela do canal foi escalada para a produção, apenas atores coadjuvantes e convidados das séries do Disney Chanel.

Nem todos contavam com o sucesso da iniciativa. Mas, após o lançamento, High School Musical tornou-se uma grande mania entre os jovens americanos. A estória do casal adolescente, que descobre junto o amor pela música (e um pelo outro) e disputam o número principal no musical da escola em que estudam, conseguiu comover o público de forma surpreendente. Desde o lançamento, tudo vinculado ao nome da produção foi bem sucedido e esgotado com rapidez. Começava a febre High School Musical.

O maior êxito de High School Musical está realmente na energia que a obra passa para o telespectador jovem. O filme é tão vibrante que cativa do primeiro ao último minuto, com canções contagiantes e espetaculares números musicais equilibrados com doses certeiras de humor inocente. Trata-se da melhor produção original Disney Chanel.

Uma parte do êxito do filme se deve a uma competente seleção de elenco. Os protagonistas, interpretados por Vanessa Anne Hudgens (Gabriella) e Zac Efron (Troy), têm ótima química em cena e dançam com muita desenvoltura. Vanessa canta todos os seus números, já Zac teve sua voz mixada com a de Drew Seeley na maioria de suas cenas musicais. No entanto, é a atriz Ashley Tisdale, intérprete da personagem Sharpay – “vilã” de High School Musical –, o grande destaque da produção.

Aos 21 anos, Ashley não só consegue convencer no papel de uma adolescente, como rouba a cena na maioria do filme. Compondo um personagem que consegue ser irritante e cativante ao mesmo tempo, ela tem uma atuação acima da média. Até mesmo sua voz, menos encantadora do que a dos protagonistas, encaixa-se muito bem no papel da “vilã” Sharpay. O parceiro e irmão de Sharpay, Ryan – interpretado por Lucas Gabreel –, também merece nota por sua competente atuação, se destacando nos números musicais por ter uma ótima voz. Os dois formam uma dupla bem carismática, apesar de seus papéis.

O grande mérito pela fluência do filme e pela energia que o mesmo carrega é o veterano diretor da Disney e respeitado coreógrafo, Kenny Ortega. Dirigindo com maestria o grupo de jovens, Ortega realiza grande trabalho com as coreografias, aonde se destacam os números Stick to the status quo e We´re all in this together, e ainda revela ter um bom timing para musicais – quase todas as canções entram no momento exato do filme e explicitam bem o que os personagens sentem. Lembrando que a versão original traz as letras das músicas na parte debaixo da tela (remetendo a um karaokê) para que o telespectador possa cantar junto com os atores, decisão que confere interatividade a High School Musical, se aproveitando de suas simpáticas e bem compostas canções.

Para os fãs do cinema musical, serão perceptíveis as semelhanças do roteiro de High School Musical com o do clássico Grease – Nos Tempos da Brilhantina (1979). No entanto, a não ser pelo sucesso dos dois filmes, uma comparação entre eles é totalmente injusta. Injusta com Grease porque o filme é um clássico que marcou uma geração e tem seu lugar na história do cinema. Injusto também com High School Musical porque o minimiza a um plágio, o que não é e em nenhum momento se propõe a ser. Pelo contrário, o sucesso estrondoso do filme da Disney se deve também ao fato de construir uma identidade divertida através do empenho dos envolvidos na produção.

O filme, em 12 exibições no Disney Chanel norte-americano, foi assistido por 40 milhões de pessoas. Em sua estréia nos países da América Latina (inclusive no Brasil, em julho), deu a liderança de audiência para a Disney Chanel entre todos os canais pagos. Além disso, High School Musical conseguiu sete indicações ao Emmy (o “Oscar” da televisão americana), ganhando duas estatuetas: melhor coreografia e melhor programa infantil do ano. Ganhou também o prêmio de melhor programa infantil do ano da Associação de críticos de televisão e o Teen Choice Awards de melhor show cômico/musical.

O resultado positivo da produção não vem se refletindo apenas na audiência. Para a Disney, High School Musical também representou um dos maiores êxitos financeiros do ano. Segundo informações do próprio estúdio, o álbum da trilha sonora do filme é o número 1 em vendas no ano nos Estados Unidos e já ganhou disco triplo de platina, mantendo-se dentro do TOP10 da Billboard Top Chart durante 28 semanas. O DVD já vendeu mais de 2,5 milhões de cópias nos EUA. Todos os produtos do filme já renderam à Disney mais de 100 milhões de dólares – valor maior do que o custo da mega-produção de animação Os Incríveis.

O CD da trilha sonora acaba de ser lançado no mercado brasileiro e o DVD do filme será lançado em dezembro. A única forma de assistir High School Musical atualmente é pelo Disney Chanel, em horários dispersos na programação. Um segundo filme já está quase entrando em fase de produção e está sendo tratado como a “menina dos olhos” da Disney Chanel para 2007.

Sem dúvidas, vale a pena conferir High School Musical. Afinal, o filme é um trabalho de raro magnetismo e energia impressionante, vencendo seu roteiro bem convencional com números musicais muito bem concebidos e atuações contagiantes. Trata-se, sem dúvida, de uma das melhores produções do ano, juntando cinema e televisão.