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01 a 16 de dezembro de 2006

Equipe Edições Anteriores

O FREVO VAI AO TEATRO
Nona edição do Virtuosi homenageia o Maestro Duda e destaca as qualidades do ritmo pernambucano como música de concerto
por Ana Lira (analira@rabisco.com.br)
Fotos: Joaoz

cidade do Recife sediará entre os dias 12 e 17 de dezembro a nona edição do Virtuosi – Festival Internacional de Música de Pernambuco. O evento, que conta com direção artística do maestro Rafael Garcia e produção da pianista Ana Lúcia Altino, ocupará mais uma vez a bela estrutura do Teatro Santa Isabel, trazendo música erudita de qualidade para a capital pernambucana.

Este ano festival vai contar com cerca de doze concertos, cinco a mais que no ano passado, e segundo Ana Lúcia Altino o programa será dividido em duas etapas. “O festival realmente cresceu. Vamos ter duas séries de concertos: uma será no Salão Nobre, às 19h, e outra, que nós chamamos de Série Vicente Fittipaldi, é a que acontece às 21h no próprio teatro. As programações para cada um desses espaços são diferentes e eu espero que funcionem bem”.

A primeira série de cinco apresentações, que a organização intitulou de “Salão Nobre”, vai ser realizada até o penúltimo dia do evento, 16 de dezembro, com um concerto a cada noite. O destaque desta primeira parte do festival é a abertura com a Orquestra Jovem de Pernambuco. “Foi uma maneira que nós encontramos de prestigiar este trabalho que está sendo feito com estes jovens e como está completando cem anos de nascimento de Radamés Gnattali eles vão fazer, acho que pela primeira vez na região, a apresentação de uma obra dele, o Concerto Para Viola e Orquestra”, diz Ana Altino.

A segunda parte, com sete concertos, está alocada na “Série Vicente Fittipaldi” – em homenagem ao maestro que fundou o Conservatório Pernambucano de Música – e ocupará os seis dias do evento. Esta etapa da programação traz as homenagens propostas pela organização do Virtuosi, que decidiu agraciar José Ursicino da Silva, o Maestro Duda, por suas contribuições para a música erudita e popular, em especial ao frevo. Outro destaque da programação principal será o recital com Antonio Meneses. O violoncelista, que é considerado um dos mais importantes do mundo e está na capa da atual edição da revista Continente Multicultural, interpretará, junto com musicistas convidados, obras de Jean Barrière, Beethoven, Gioacchino Rossini, Marlos Nobre, Heitor Villa-Lobos e Shostakovich.

Contudo, para quem for conferir a “Série Vicente Fittipaldi”, o ideal é chegar antes do horário previsto para a entrada dos músicos no palco, pois o violista Marcelo Jaffé foi convidado para iniciar a programação de cada noite com comentários sobre as obras que serão apresentadas pelos concertistas. Jaffé é professor do Departamento de Música da Universidade de São Paulo (USP), apresentador do programa O Prazer da Música, que vai ao ar aos sábados pela manhã na Rádio Cultura, de São Paulo, e também integra o Quarteto de Cordas da Cidade de São Paulo.

Além destas novidades, o Virtuosi manterá a mesma programação paralela dos anos anteriores, com aulas especiais para estudantes de música, que durante o evento têm a oportunidade de entrar em contato com professores e profissionais de outros estados e países para trocar experiências. Todavia, quem não estuda música também pode apreciar os ensaios abertos, que são dedicados a alunos de instituições de ensino da região. De acordo com a organização do evento, estão previstas cerca de 15 apresentações, entre elas quatro concertos-aula voltados para os jovens.

Duda e o Frevo – A homenagem ao Maestro Duda acontecerá na sexta-feira, dia 15 de dezembro. A escolha do dia é estratégica para atrair o público e vem acompanhada de uma comemoração antecipada dos cem anos do frevo, que será celebrado em 2007. “Nós acreditamos no bom gosto do público pernambucano e ainda estamos rendendo uma homenagem a um dos maiores compositores de frevo vivo da atualidade, que é o Maestro Duda”, diz Rafael Garcia, diretor artístico do evento.

Garcia afirma ainda que José Ursicino da Silva, como outros grandes compositores pernambucanos, ainda não tem o reconhecimento devido dentro do próprio Estado. “Eu conheci o melhor trabalho do Maestro Duda não foi aqui em Pernambuco, mas em São Luis, no Maranhão. Havia um senhor chamado Fernando Bicudo, que tinha todas as condições, teatro excelente, orquestra boa e carta branca para o Maestro Duda fazer suas composições. Então, eu vi a ópera Boi Catirina, um espetáculo multicultural que você pode apresentar em qualquer parte do mundo, e que por seus motivos em nossa cidade não se tem a atenção devida”, comenta. Entre as obras do Maestro Duda que serão executadas nesta noite há duas estréias, entre elas o Concertino para Viola e Orquestra de Cordas “Lito no Frevo”.

Se para alguns, o frevo é um ritmo de rua e não tem nada a ver com teatro, para a pianista Ana Lucia Altino, as qualidades do gênero como música de concerto devem ser destacadas. “O frevo é uma música extremamente virtuosa, mas regra geral é muito mal tocada. Eu sempre dizia que um dia a gente tinha que fazer o frevo com orquestra boa, com músicos bons, que se ouça todas as notas porque ela é virtuosística”. Para ela, esta homenagem ao Maestro Duda e suas contribuições ao frevo é a realização de ver o ritmo pernambucano executado da maneira como ela gostaria de ouvir. “Eu acho que vai ser bonito. Não é que eu diga que o frevo não deve ser tocado na rua, mas, sim, que deve ser bem feito”, argumenta.

Mozart – No ano passado, a organização do evento pretendia comemorar os 250 anos de nascimento Wolfgang Amadeus Mozart com uma apresentação especial, nesta edição 2006. Contudo, problemas financeiros inviabilizaram a iniciativa que, segundo o maestro Rafael Garcia, acabou sendo adiada para o próximo ano. “Nós queríamos fazer uma ópera, mas não se faz isso com dez reais. Então, este ano, por causa da política a parte financeira para a área cultural foi um tanto penosa para nós. Não tendo os recursos mínimos para fazer uma apresentação profissional, decidimos não montá-la”.

Garcia diz, no entanto, que não desistiu do projeto. “Está previsto, não aqui no Virtuosi, mas através de uma parceria com a Universidade de Memphis, para o próximo ano. E nós vamos poder fazer uma ópera em que o público fica feliz, os solistas ficam felizes e a orquestra fica feliz”. Na nona edição, porém, para não passar em branco, o último dia de apresentações no “Salão Nobre” trará o Ensemble São Paulo tocando três peças do compositor austríaco.

Acesso – Outra modificação no evento diz respeito aos ingressos. Com os concertos divididos em dois ambientes e com horários diferenciados, o público também precisará adquirir entradas para cada uma das séries. As apresentações do “Salão Nobre”, que começam às 19h, têm ingressos mais baratos. O bilhete inteiro custa 10 reais e a meia-entrada 5 reais. Os concertos da “Série Vicente Fittipaldi”, por sua vez, custam 30 reais e a meia-entrada 15 reais. As entradas devem ser adquiridas na bilheteria do Teatro Santa Isabel, e a meia-entrada é vendida somente com apresentação da carteira de estudante. No caso dos idosos, é preciso comprovar que a pessoa tem mais de 65 anos.

Mais um detalhe que precisa ser observado por quem deseja ir ao IX Virtuosi é que a programação no último dia do evento, excepcionalmente, começa mais cedo. É que neste dia serão realizados dois concertos. O primeiro começa às 17h e o segundo às 20h. O acesso neste dia, porém, será feito com apenas um ingresso, pois as duas apresentações fazem parte do último dia da “Série Vicente Fittipaldi”, que encerra com a apresentação da Orquestra Virtuosi.

- Confira aqui a programação do IX Virtuosi.