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18 de janeiro a 02 de fevereiro de 2007

Equipe Edições Anteriores

EM MEIO À TEMPESTADE, A BONANÇA
Nokia Trends faz uma das melhores noites internacionais do ano em São Paulo
por Irã Margarido (iramarga@ibest.com.br)

Nokia Trends 2006 obteve sucesso não só com o público registrado, 12 mil pessoas, mas com uma lição de organização invejável. O evento teve três ambientes distintos: o Nokia Trends Live com apresentações ao vivo, o Nokia Trends Club com um palco destinado aos DJ sets e o Nokia Trends Connecting Street, um espaço de convivência com obras de arte urbana e multimídia que incluía o RESFET Mobile e mostrou trabalhos de dez talentos brasileiros entre designers gráficos, film-makers, artistas e produtores que desenvolveram e adaptaram vídeos exclusivamente para o evento.

Em pleno ano repleto de ótimos shows, o festival multimídia conseguiu juntar tribos de estilos distintos num mesmo lugar e agradar a todos com muita tecnologia e profissionalismo. Mesmo em meio a um temporal que alagava a cidade, a estrutura do local estava perfeita, nos fazendo imaginar que estávamos em outro lugar e não na São Paulo que sofria com a chuva. A começar pela organização dos caixas para compra de bebidas, por sinal muito rápido quando comparados com os de outros eventos, até a pontualidade das bandas, mesmo nos podando do famoso  bis ao final de cada apresentação, para que não houvesse atraso entre uma banda e outra. Ao final de cada show havia exibição em um telão de amostras do repertório de 10 anos do festival RESFET Móbile.

Devido à chuva, me atrasei e não vi a apresentação dos mineiros do Digitaria, mas pelo que pude observar, as principais atrações do palco Live cumpriram o seu papel e algumas até surpreenderam, como o Hot Hot Heat e o Soulwax Nite versions.
Este, por sinal, se trata de um outro projeto dos irmãos belgas do 2 Many DJs – que também estavam escalados para o palco Club. Soulwax Nite Versions é também o nome do álbum lançado em 2005 que mostra remixes para pista do álbum de 2004 do Soulwax, Any Minute Now. Responsáveis pela aproximação do rock com a música eletrônica, eles mixam as músicas ao vivo, com efeitos eletrônicos, deixando-as com uma cara mais dance. O Soulwax Nite versions foi a primeira atração internacional e correspondeu  bem logo de cara, agradando ao público com suas versões remixes de sucessos como "E-Talking", "Krack" e "Another Excuse".

De origem canadense, o Hot Hot Heat fez a segunda apresentação internacional do palco Live. A banda surgiu em 2001, dentro da mesma onda pós-punk eletrônica. Mas só com o lançamento do segundo disco Make Up The Breakdown, em 2002, que veio o reconhecimento fora da terra natal e se depender do que apresentaram, a banda poderá se destacar ainda mais no cenário musical. Liderada pelo carismático  Steve Bays (vocal), a banda contagiou os fãs, na maioria adolescentes indies, que cantaram quase todas as músicas. Os pontos altos foram com as músicas "No Not Now", "Talk to Me", Goodnight,Goodnight” e "Elevator", esta última, dá nome ao último trabalho, lançado em 2005.

Após um show bem agitado, veio o We Are Scientists, banda de Nova York formada em 2000 com influências indie e pós-punk, que lançou neste ano seu primeiro álbum, With Love and Squalo. A banda fez um show que teve momentos altos e baixos com várias intervenções da dupla Chris Cain (baixo) e Keith Murray (vocal), que ficava fazendo comentários irônicos durante a apresentação, o diálogo dos dois parecia uma conversa de algum desenho animado, mais precisamente do Pernalonga com o Patolino, realizando assim um show descontraído e debochado.

O Bravery, um dos mais aguardados, por ser um destaque da cena eletro-rocker, é mais um grupo de Nova York e tem apenas um álbum lançado, em 2005, que leva o nome da banda. Seu reconhecimento mundial foi obtido neste ano, abrindo para o Depeche Mode na sua turnê européia. No início do ano que vem está previsto o lançamento do novo trabalho, The Sun and the Moon.

A banda norte-americana fez um show que me fez pensar no final que faltou “um algo mais”, devido à expectativa criada e as boas canções do primeiro disco. Apesar de algumas falhas no microfone, houve bons momentos com os hits “Unconditional”, “No Breaks”, "Honest Mistake", e "Fearless". Sam Endicott (Vocal) teve uma boa performance de palco, chegando até a se jogar na platéia e subir em uma caixa acústica, mas isso não foi suficiente para animar a galera quando cantou algumas canções do novo álbum.

A última atração internacional do palco Live foi o Ladytron, banda electropop formada em 1998 na cidade de Liverpool, por uma dupla interessante: uma escocesa, Helen Marnie, e uma búlgara, Mira Aroyo. Mira canta na língua de sua terra natal, deixando a sonoridade das canções com um estilo bem exótico. Com influências do grande Kraftwerk, a banda aproveitou a onda Electroclash e lançou em 2001 seu primeiro trabalho, 604, que foi muito bem aceito pela crítica. Depois veio Light & Magic, de 2002 e em 2005, lançou seu trabalho mais recente, Witching Hour, muito bom por sinal.

Realizando um grande show, provavelmente o melhor do Nokia Trends, as vocalistas e tecladistas Helen e Mira, foram muito simpáticas com o público e conduziram muito bem a apresentação da banda. Os fãs deliraram com os hits "Playgirl", "Seventeen", "He Took Her To a Movie" e "Blue Jeans". Ao vivo a banda ousou em tocar novas versões dessas músicas e em alguns casos, com muito mais peso nos arranjos, dando mais força para as guitarras e reduzindo um pouco os efeitos dos sintetizadores, que foram explorados com inteligência, quando surgiu a banda. No final, o público gritava sem parar o nome da banda, na esperança de conseguir um bis, mas infelizmente os integrantes voltaram ao palco somente para agradecer a todos.

Realmente os organizadores do Nokia Trends foram muito felizes com a escolha dessas bandas alternativas para o festival. Mesmo o evento tendo como foco principal a música eletrônica, o palco Live obteve um resultado muito positivo de um modo geral.Também não seria imprudente em dizer que foi o melhor festival de 2006, comparado a outros do mesmo gênero como Skol Beats e MotoMix. Seria interessante que os organizadores dos próximos eventos se espelhassem nesse tipo de formato, pois dessa maneira, todos saem ganhando com conforto e satisfação.