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18 de janeiro a 02 de fevereiro de 2007

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SHYAMALAN, UM PONTO DE VISTA!
Após um ano em que a A Dama na Água amargou nas bilheterias, um parecer sobre a obra do cineasta que ainda pulsa em Hollywood
por Lon Andrade (lon_andrade@yahoo.com.br)

u gosto de M. Night Shyamalan. Há quem o considere um gênio dentro do cinema, há quem o critique veementemente e se coloque arredio em relação a suas histórias. Eu gosto de M. Night Shymalan, assim como gosto de controvérsias. Quando lançou O Sexto Sentido, o cineasta indiano já havia filmado dois longas metragens, títulos que não ultrapassaram as fronteiras americanas e esbarraram no insucesso. Foi exatamente com O Sexto Sentido que Shyamalan se tornou um acontecimento dentro do cinema. Lançando mão de uma atmosfera sombria, trazendo de volta a surpresa para dentro dos filmes de suspense, e, mais importante, rendendo 672 milhões em bilheteria, a boa ‘estréia’ do iniciante Shyamalan lhe garantiu seis indicações ao Oscar e um belo boas-vindas de Hollywood. Apesar disso, nunca considerei O Sexto Sentido digno de todo aquele frenesi. Era um diretor seguindo a risca a máxima que Brian Cox definiu: “entregue um final arrebatador e eles esquecerão do resto”. Shyamalan entregou um final surpreendente e o seu bom filme se tornou uma referência.

Corpo Fechado causou polêmica. E assim como gosto de controvérsia e polêmica, eu gosto de Corpo Fechado. Um ano após O Sexto Sentido, Shyamalan mantinha a reviravolta final, porém filmava uma história de HQ sem que houvesse nenhuma referência a personagens consagrados, era o estilo de seu filme antecessor com mais profundidade. Em Corpo Fechado há mais de 30 cenas gravadas em uma só tomada, uma característica de Shyamalan [utilizada em outros filmes] que ajuda na simbiose entre personagens e platéia. Contudo, muitos demarcaram Corpo Fechado como um filme menor, provavelmente movidos pelo marketing desastroso, que sempre apontou para um clima de O Sexto Sentido ou uma espécie de continuação desse, sem se ligar que a proposta de Corpo Fechado era diferente, e a expectativa errada sempre mata qualquer tipo de reação do público no cinema. Ainda sim, Shyamalan conseguiu um grande culto por parte da platéia em relação a esse filme, além de considerar, ele próprio, o seu melhor trabalho e também pensar em dirigir Corpo Fechado 2.

De origem indiana, Shyamalan nunca escondeu as referências adotadas em seus filmes, e mesmo que as escondesse não seria difícil notá-las. Em uma das célebres conversas que Alfred Hitchcock manteve com François Truffaut, Hitchcock definiu o que seria suspense e surpresa em um filme, e ao terminar revelou que preferia o suspense [que consiste em apresentar o fato ao espectador e torná-lo cúmplice de uma situação], mas afirmou ainda que a surpresa [onde o espectador é conduzido às cegas dentro da narrativa] é um elemento que poderia ser utilizado com sucesso desde que o twist final constituísse a graça da anedota. Tanto em O Sexto Sentido como também em Corpo Fechado, o twist final para Shyamalan sempre foi a graça da anedota. Utilizando Hitchcock como uma referência óbvia, o diretor é um Spielberg dark, sempre disposto a entreter com suas idéias, como fez em A Vila, onde a anedota era sobre o medo, isolacionismo e mentiras.

Quem é M. Night Shyamalan? Creio que a melhor resposta pode se encontrar naquele que considero seu melhor trabalho. Ao filmar uma história insólita sobre ETs, de um jeito particularmente seu e pouco conhecido dos blockbusters, o diretor construiu em Sinais uma atmosfera de medo inigualável. Contando com seu parceiro nas trilhas sonoras dos outros filmes, J.N Howard, o diretor se propôs a fazer um filme de suspense crescente sendo que a surpresa final não necessariamente seria a graça da anedota, pois essa dependeria de uma interpretação particular do espectador. Em Sinais, o talento de Shyamalan em conduzir uma narrativa dando-lhe originalidade é notório.

Em comum na filmografia de Shyamalan está a controvérsia. Depois de assistir a um filme do diretor, você vai estar do lado dos que o amam, ou estará ao lado dos que o odeiam. Mas vai ser difícil ficar indiferente. Shyamalan escolheu seus próprios temas, tratou-os a sua maneira, realizou seu sonho, mas não é assimilado por todos, e isso se deve basicamente a sua extrema ousadia, e não pela omissão. Entre a ousadia e a omissão fico com a primeira, pois é com a ousadia criativa que o cinema rompe com tudo aquilo que parecia correto e se mostra capaz de renovar. Eu gosto de M. Night Shymalan.