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04 a 19 de fevereiro de 2007

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A VELHA E BOA FORMA
Iron Maiden mostra todo o seu heavy metal em A Matter of Life and Death
por Rodrigo Herrero (rodrigo@rabisco.com.br)

uitas bandas que acumulam décadas de estrada costumam correr o risco de serem repetitivas, sem novidades para apresentar em seu som, afinal, é difícil conseguir ter o que dizer e o que tocar ao gosto das pessoas, após tantos álbuns lançados. Por isso, aquelas que conseguem mostrar um bom trabalho, o fazem da melhor forma. É o caso de A Matter of Life and Death, décimo quarto disco de estúdio do Iron Maiden, que saiu no semestre passado e continua nas paradas das rádios e de vendas do mundo todo. O CD é acompanhado por um DVD bônus com o making of das gravações, vídeo clipe, galeria de fotos. Trata-se de um álbum que revela que Steve Harris e companhia voltaram com todo o gás desde o Dance of Death, de 2003, que foi muito elogiado entre os fãs e parte da crítica.

Certamente, não se pode comparar aos primeiros trabalhos do Iron Maiden, muito menos da época do primeiro vocalista Paul Dianno. Aliás, nem se deve causar tal injustiça e comparar o disco com esse ou aquele grande álbum da carreira da banda. É importante analisar musicalmente a contribuição que A Matter of Life and Death traz em sua essência. Não se trata, infelizmente, de nenhuma revolução musical – afinal, o mundo da música hoje em dia necessita de algo para chacoalhar a estrutura rígida das gravadoras e suas bandas de aluguel. Porém, ao que a banda se propôs, trata-se de um disco muito bem feito, produzido (em parceria com Kevin Shirley, que já fez três álbuns do Iron) e tocado da melhor maneira que a formação atual – Steve Harris, baixo e vocal, Dave Murray, guitarra, Bruce Dickinson, vocal, Adrian Smith, guitarra e vocais, Nicko McBrain e Janick Gers, guitarra - poderia fazer.

Todos os elementos do Iron Maiden estão presentes: as tradicionais “cavalgadas” das guitarras e do baixo, as constantes mudanças de tempo nas músicas, o vocal poderoso de Bruce Dickinson que, desde sua volta em 1999 (enxotando Blaze Bailey, que gravou The X Factor e Virtual XI e não convenceu público, mídia e nem a banda), trouxe nova vida e alma às canções da Donzela de Ferro. Há também introduções longas, um pouco lentas, e refrões repetidos diversas vezes, com “ôôô” que caracterizou a banda na música “Fear of the Dark”. Um ponto que incomoda um pouco são as faixas muito longas, na média de sete, oito minutos. Em alguns momentos, a falta de algo mais nesse espaço de tempo entedia o ouvinte não muito acostumado aos ouvidos do heavy metal de Harris e seus parceiros. Essa é a parte um pouco cansativa de A Matter of Life and Death, mas pára por aí porque o álbum tem mais elogios do que críticas a receber.

Há muito vigor nas músicas, peso nas guitarras, com solos bem encaixados e viradas de tempo com a bateria que ajudam a manter o ritmo das pedradas que se seguem uma a outra. E o que continua a impressionar é mesmo o vocal de Bruce, com toda a pujança possível, ainda na melhor forma desde sua estréia na banda em The Number of the Beast, em 1982. A Matter... começa com “Different World”, a mais curta do CD, com pouco mais de 4 minutos. Seu refrão chiclete, estrutura redondinha e veloz ajudam a grudar o som no ouvido. Outro destaque é “These Colours Don’t Run”, que insere o fã em uma temática sobre a guerra, seja religiosa ou política, que vai percorrer o resto das canções. Seu refrão é marcante e as constantes variações da música, junto com o “ôôô” no final, garantem participação ativa do público nos shows.

“Brighter than a Thousand Suns” remete aos melhores tempos da banda, acrescido de uma mescla de rock progressivo que há tempos o Iron Maiden tenta enveredar nas suas melodias. A letra parte da bomba atômica para tratar sobre a intolerância do ser humano, mas o grande destaque vai para o instrumental, com guitarras pesadas, bateria variada, assim como a canção, com partes calmas e outras nem tanto,  em uma mistura bem interessante. “The Pilgrim” remete ao heavy metal mais direto feito na década de 80 pelo Iron. Já “The Longest Day” trata do dia D na Segunda Guerra Mundial, quando as tropas aliadas iniciam a derrocada dos adversários nazistas na Normandia, na França. Seu início lento, do baixo que vai para a guitarra, bateria e cresce com a voz de Bruce, até disparar um berro do vocal que dá a deixa para a música realmente começar em uma espécie de balada, que, lá na frente, vai ganhar dramatização com suas guitarras “cavalgadas”. Já “Out of the Shadows” recebe violão de acompanhamento e é uma bela de uma balada para conquistar fãs e estádios, sendo até comparada a “Tears of the Dragon”, megahit da fase solo de Bruce Dickinson.

“The Reincarnation of Benjamin Breeg” é o primeiro single e também um bom destaque do álbum. Na época de seu lançamento surgiu uma especulação sobre quem seria o tal Benjamin Breeg. Foi criado até um site, por alguém chamado A. Breeg, que seria descendente de Benjamin, para contar a história dele. No entanto, muitos acreditam que Benjamin seja um personagem fictício, revelando uma jogada de marketing para ajudar nas vendagens e na curiosidade do público a respeito. Quando já encaminhamos para o fim surge “For the Greater Good of God”, a mais longa do CD, que fala sobre guerras religiosas. Ela também começa lenta, com baixo e vocal dando o tom da canção. Isso, até Bruce explodir com seu vocal, que vai cantar no mesmo tom até o final, carregado por um ótimo conjunto instrumental, dando áreas épicos à canção.

“Lord of Light” tem uma introdução longa demais, mas recupera-se quando, enfim, começa, destacando, mais uma vez, a voracidade vocal de Bruce Dickinson, que acompanha o ritmo pesado das guitarras e se mantém lá no alto. “The Legacy” encerra o álbum e de forma surpreendente. Tanto que é considerada por críticos como a mais original do CD e da carreira da banda. A introdução recebe violões e um vocal limpo que remete a canções celtas. Sua introdução diferente, com experimentalismos, variações de guitarra e viagem nos acordes da música quando se desenvolve em seus nove minutos, são trazidas pelo som mais progressivo de A Matter of Life and Death, que no fim das contas, se mostra um grande álbum de heavy metal, apresentando a melhor forma do Iron Maiden nos últimos 15 anos.