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04 a 19 de fevereiro de 2007

Equipe Edições Anteriores

INTERCÂMBIO LITERÁRIO
Grupo Bagatelas! Amplia projetos com a realização de bate-papo com escritores, no Rio de Janeiro
por Ana Luisa Marzano (niniskt@gmail.com)

 

odo segundo sábado do mês as livrarias do Centro do Rio de Janeiro reúnem-se para realizar a Festa de Leitura da Praça XV, onde disponibilizam seus melhores livros para o público de um jeito informal. Neste mesmo clima de descontração acontece uma conversa na charmosa Livraria Imperial com o grupo literário Bagatelas!, um escritor convidado e interessados, com direito a cafezinho e torradinhas.

O objetivo do encontro é a troca de experiências entre os escritores novos e os escritores que possuem trabalhos publicados e têm algum reconhecimento, além da aproximação com os leitores. Para a seleção dos convidados esse é o fator indispensável. “Procuramos os autores que gostamos e os que não gostamos, mas nem sempre eles estão disponíveis. Às vezes as assessorias nos encaminham a outros autores”- explica Raphael Vidal um dos co-fundadores do Bagatelas!.

E parece que encontraram o caminho certo. O fato de ser uma conversa em uma mesa de um café de uma livraria aproxima leitor e autor de uma forma mais eficaz e mostra aos jovens escritores caminhos possíveis. Assim, há uma desmistificação do autor, o que não funcionaria se o evento tivesse a fórmula de uma palestra onde os mais experientes continuam em um degrau acima e o público fosse literalmente platéia.

Bate-papo – Desde o início do projeto já passaram nomes como João Paulo Cuenca, Antonio Torres e Zetho Gonçalves. No último encontro, realizado no dia 13 de janeiro, a convidada foi Heloísa Seixas. A autora escreve semanalmente na coluna “Contos Mínimos” da revista “Domingo” do Jornal do Brasil. A coluna começou na Folha de São Paulo e era dividida entre três escritores que publicavam duas vezes por semana contos de seis linhas. Na Folha de São Paulo ela escrevia mais ficção e hoje no JB está mais ligada à realidade. “A realidade foi me chamando, as notícias de violência... Nunca me conformei com esse massacre da imprensa falando mal do Rio” – justifica.

Muitas das questões da conversa giraram em torno da forma de produção da autora. Ela diz nunca ter ficado parada em frente ao computador. Segunda ela, o motivo talvez seja o fato de ter começado a escrever aos 40 anos. Ela senta e escreve sem empecilhos. O problema é parar para fazer outras atividades. Para Heloísa Seixas, o que importa no texto é a história. “Eu gosto de ler esquecendo que estou lendo.” - Não é o que acontece quando lê, por exemplo, Machado de Assis. Ela diz que pode vê-lo através da história falando: “Olha como sou fodão!”.

A dúvida que muitos da mesa compartilharam era como sobrevivia como escritora. “Não sobrevivo apenas como escritora”- responde. Heloísa organiza várias coleções e traduções como Visões da noite - Histórias de terror sarcástico(contos de Ambrose Bierce- organização e tradução, Record, 1999) e A Casa do Passado - Dez grandes contos de terror (contos de Algernon Blackwood, organização e tradução, Record, 2001). Além dos contos já publicados em Pente de Vênus – Histórias de amor assombrado (Sulina, 1995), escreveu os romances A porta (Record, 1996) e
Diário de Perséfone (Record, 1998) e a novela Através do vidro (coleção Amores extremos, Record, 2001).

O marido da autora e também escritor Ruy Castro chegou um pouco depois, mas já trouxe assunto para a mesa. Os presentes queriam saber como era a vida conjugal dos escritores. Para ele, é perfeita, porque Heloísa entende que quando está envolvido em um projeto, só fala sobre isso. Para ela, é uma relação de equilíbrio, pois ele escreve não-ficção e ela escreve ficção, então cada um leva um pouco de si para o outro.

Bagatelas! - O grupo começou também em uma conversa, na Faculdade de Filosofia da UFRJ, entre os então estudantes Raphael Vidal e Luciano Silva. Eles queriam lançar uma revista onde pudessem divulgar seus contos, como não tinham dinheiro buscaram a internet como meio e em maio de 2005 surgia o blog Bagatelas!.

Logo depois reuniram os melhores contos publicados no blog e fizeram um CD card. O Cd em forma de cartão foi lançado na Livraria Imperial e rendeu certa repercussão para o grupo, saindo notas em jornais como O Globo e Jornal do Brasil. As pessoas começaram a visitar mais o blog e a enviarem textos. Então eles resolveram chamar quem colaborava com mais freqüência para fazer parte do grupo. Assim chegaram a quinze integrantes. Com esse número, foi possível juntar dinheiro e lançar a primeira Bagatelas! impressa, que levou o objetivo inicial do grupo de levar literatura a baixo custo.

Hoje a revista chegou a sua terceira edição e o grupo foi além dos objetivos iniciais, participou de encontros literários como a FLAP, o OFF-FLIP, organizou bate-papos e criou a Editora Bagatelas!, lançando novos autores para um público de leitores  formado pela internet.