O SAMBA NASCEU KIRIRI
Estudo de Bernardo Alves, sobre a origem do ritmo no nordeste, será ampliado pelo jornalista Fabio Gomes, que conta detalhes em entrevista ao Rabisco.
por Ana Lira(
analira@rabisco.com.br )

uando
o jornalista Fábio Gomes comentou, durante a
Feira Música Brasil , que estava esperando
uma reunião com a equipe do Ministério
da Cultura para decidir os rumos de um projeto muito
interessante, a última coisa que se podia esperar
é que a iniciativa se tratasse da ampliação
do estudo desenvolvido pelo pesquisador pernambucano
Bernardo Alves, sobre a origem indígena e nordestina
do samba.
O livro A Pré-História do Samba saiu em 2002, pela Editora do Autor, de maneira quase artesanal. As páginas parecem ter saído do editor de textos direto para a encadernação e a capa, em papel couché, trazia uma ilustração de Alba Rosa com releitura de “Mameluca”, obra do pintor holandês Albert Eckhout. Contudo, é neste conjunto de páginas que se encontra uma documentação que deve mudar, em breve, a certidão de nascimento do ritmo brasileiro.
Bernardo Alves e Fabio Gomes se conheceram por causa do site Brasileirinho , editado pelo jornalista gaúcho, que se dedica ao estudo da música brasileira, especialmente, samba e choro. Ao contestar a versão que Gomes publicou sobre a origem do samba, o pesquisador pernambucano abriu espaço para uma parceria que não conseguiu se prolongar porque, em 14 de agosto de 2004, Bernardo Alves faleceu por causa da leucemia.
A idéia de continuar o trabalho do amigo sempre acompanhou Gomes, mas a falta de recursos o impedia de se dedicar a um projeto desta magnitude. Por outro lado, se Bernardo Alves não conseguiu continuar a parceria, ele foi responsável indireto pelo elo entre o editor do Brasileirinho e o Ministério da Cultura, que decidiu investir na pesquisa. Nesta entrevista, Fábio Gomes conta os detalhes da iniciativa que, para ele, é a realização de um sonho e uma homenagem póstuma a Alves, que tanto lutou para difundir os resultados de seu estudo, no Brasil.
Rabisco - Eu queria que a gente começasse esta conversa falando sobre o convite que você recebeu para desenvolver o projeto relacionado com a origem do samba.
Fábio – Bem, eu recebi um convite do Ministério da Cultura para fazer um projeto de pesquisa para estabelecer cientificamente a origem do samba. A primeira pessoa que apontou esta idéia de que a origem do samba se deu entre os Kiriri daqui do nordeste, em um período anterior à colonização portuguesa, foi o Bernardo Alves, um pesquisador pernambucano que é falecido há três anos. Ele publicou um livro chamado A Pré-História do Samba e, neste livro, ele apresentou documentos, citação de livros de relatos de viajantes e cartas jesuíticas do período colonial, mostrando que no contato com os índios Kiriri os viajantes encontraram uma manifestação de canto e de dança muito próxima, muito semelhante às peças de partido alto, e não é por acaso. É porque essas peças são herdeiras desta tradição Kiriri, que teve contribuições do branco, através dos portugueses e do jesuíta e, principalmente, do negro, através de uma percussão mais forte e do reforço à sensualidade da dança, porque as danças indígenas não são sensuais. A cultura indígena é mais ingênua - talvez esse não seja o termo mais apropriado - do que os cantos e as danças africanas. O samba atual é uma contribuição das três raças que formaram o povo brasileiro.
Rabisco – Mas a idéia que se tem, no senso comum, é a do samba como uma manifestação cultural ligada ao Rio de Janeiro. Você acredita que pode causar polêmica requerer essa filiação para o Nordeste?
Fábio – Pode ser. É uma das conseqüências possíveis...porque quando uma coisa é dita por muito tempo, e não há uma contestação...acredita-se que é verdade. Vamos pegar o exemplo da ciência: havia o consenso de que a terra era plana, mas alguém provou que não era. A questão da origem Kiriri do samba, a gente vai partir de relatos, de evidências, de comparação com outras culturas indígenas, linguagens, não é uma questão tão fácil. Pode causar uma polêmica, sim, mas esse não é um dado que cause algum efeito para mim, neste caso. Eu recebi um convite, eu acredito nesta idéia que foi trazida pelo Bernardo Alves e que eu passei a colocar quando eu faço palestras ou converso sobre o samba no meu curso de História da Música Brasileira. A questão do Rio de Janeiro é que quando começou a haver gravação de música no Brasil, no começo do século XX, para as gravadoras – que estavam todas no Rio de Janeiro - era mais fácil buscar os compositores cariocas. Ninguém iria pensar: “bom, será que tem alguém no interior do Amazonas compondo alguma coisa legal?”. Se houve isso, era uma raridade. Sempre se trabalhou com compositores que estavam ali, no Teatro de Revista, fazendo canção popular nas confeitarias, enfim. Quando começou a ter gravação de samba, as pessoas que faziam este samba que estava sendo gravado moravam no morro do Rio de Janeiro – primeiro na zona do mangue, depois no morro. Então, para as pessoas que não tinham a informação de que pudesse haver uma origem do samba no nordeste, ficou a idéia de que o samba era um produto do morro do Rio de Janeiro. Hoje, esse consenso caiu um pouco e se sabe que não foi exatamente no morro. Eu acho que a idéia não é contestar ou ir contra ninguém. O samba, hoje, é considerado uma síntese do branco e do negro, e o estudo pode incluir mais uma raça: o índio. É colocar as coisas em seus devidos lugares. Há uma contribuição fantástica do negro e, com certeza, o Rio de Janeiro é a cidade que mais difunde, hoje, o samba do Brasil para o mundo. Isso é incontestável. Ninguém quer tirar...abalar o prestígio de ninguém. Quer mostrar, apenas, que isso vem de uma outra origem, de um outro lugar, um outro tempo, um outro povo. Eu particularmente acho muito bonito isso, de ser uma síntese, uma contribuição das três raças.
Rabisco – Em que cidade do Nordeste vocês devem iniciar a nova pesquisa?
Fábio – Olha, esta é uma questão ainda em aberto. Duas capitais em que é certo que vai haver pesquisa são Recife e Salvador. Eu tenho informação pelo livro do Bernardo que os primeiros sambas com partituras impressas foram de um compositor de Fortaleza. Existem notícias de algumas manifestações de sambas de matuto, em Teatro, em Alagoas, em Maceió. É certo que uma das capitais fora do Nordeste seja o Rio de Janeiro, por ser lá que se concentraram os descendentes de nordestinos que, podemos dizer, foram os introdutores do samba no Rio, mas eu acredito que este ainda não é o momento de dizer “vai ser feito isso e aquilo”. É um momento de estabelecer contatos com pessoas que possam nos apoiar, até para ver coisas que já tenham sido pesquisadas, para a gente usar isso com fonte primária e não refazer uma pesquisa que já se processou. Ver pessoas e locais com mais possibilidades de acesso a informações porque a gente sabe que a questão da memória é muito fluida. Se morre uma pessoa que tem um conhecimento e isso não foi registrado, aquilo se perdeu. Então, pode ser que em pesquisas em universidades, em relatos de mestrados que não foram divulgados, a gente encontre estudos importantes. O momento é de estabelecer contatos para depois, em um segundo momento, a gente dizer “vamos nos concentrar em tais lugares...”. Acho que o importante agora é a disposição do Ministério em abraçar esta pesquisa e dar um respaldo institucional para que se possa desenvolver o trabalho.
Rabisco – De quem partiu a idéia de iniciar este estudo, no Ministério da Cultura?
Fábio – Para todos os envolvidos começou tudo através do livro do Bernardo Alves. O livro saiu em 2002, mas ele divulgou mais fortemente em 2004. Eu tenho um site sobre choro e samba, o Brasileirinho , e o Bernardo entrou em contato comigo e mandou um e-mail dizendo “olha, o samba não é negro, é indígena”. Realmente, como todo mundo que entra em contato com o assunto, pela primeira vez, eu achei bastante estranho, muito fora do que geralmente se fala, mas eu quis conhecer o trabalho dele. O estudo dele me convenceu que o que vinha se afirmando não era correto, mas que a origem estava no Brasil, tanto que a palavra é brasileira e nasceu entre os índios Kiriri, mesmo. Na mesma ocasião, o Bernardo presenteou o Ministro Gilberto Gil com um exemplar do livro. Então, era uma idéia do Ministro aprofundar e comprovar cientificamente esta tese porque a pesquisa do Bernardo, que contou apenas com recursos próprios, foi documental. Para uma comprovação científica é preciso ir além do documental. Esse levantamento que ele fez foi fantástico e é super importante, o que a gente quer é ampliar. Por exemplo, existem três aldeias Kiriri grandes, aqui no Nordeste, e a idéia e entrar em contato com esses descendentes e colocá-los em contato com esses dados do passado deles. Enfim...o Gilberto Gil, com o intuito de continuar a pesquisa, propôs a candidatura do samba como patrimônio imaterial do povo brasileiro para a Unesco. Esta proposta deu origem ao reconhecimento junto à Unesco do Samba-de-Roda do Recôncavo Baiano como Obra-Prima do Patrimônio Oral Imaterial da Humanidade. O estudo foi concluído em 2005 e o resultado foi publicado agora no começo de 2007. Voltando ao Bernardo Alves, há cerca de dois meses, três meses, o Ministro solicitou a assessores dele que buscassem contato com o Bernardo ou com pessoas que tivessem colaboração com ele. Então, ele ficou sabendo que o Bernardo havia falecido, em 2004. Eu tinha o objetivo de ampliar esta pesquisa junto com o Bernardo. Ele escreveu um texto para o Brasileirinho , que foi o mais conhecido e último texto dele chamado “Samba de Matuto”, aprofundando este aspecto do samba aqui do nordeste. Então, o Ministério localizou no site Brasileirinho referências de apoio a idéia do Bernardo e entrou em contato comigo para saber do meu interesse em desenvolver esta pesquisa e, durante a Feira Música Brasil , foi formalizado o convite.
Rabisco – Nesta pré-história do samba, como o Bernardo Alves chamou, o samba inicia apenas como ritmo ou havia letra, também?
Fábio – O samba, desde as primeiras manifestações registradas, ele era uma música cantada com melodia. Cada samba com sua própria melodia, com ritmo não tão vivo quanto depois das inserções dos africanos, mas, enfim, era o que se chamaria de formato canção, com algumas diferenças, claro, pela questão do improviso. Existia um tirador, que por outro lado também se chamaria puxador, e ele cantava um refrão, dois versos e o coro repetia ou quatro versos e o coro repetia. Ele ficava improvisando e depois outras pessoas da roda repetiam o refrão, exatamente como é um partido alto, hoje. Inclusive, os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro até 1948, os sambas cantados eram exatamente neste formato. A partir dali, o governo entendeu que deveria haver uma censura prévia e as letras deveriam ser submetidas ao departamento de polícia para que o governo soubesse o que as pessoas iam cantar na avenida. Então, por um lado, isso permitiu que a partir de 1948, a gente tivesse as letras de quase todos os sambas enredos que foram cantados porque foi obrigado a ter um registro; mas, digamos, se perdeu aquele elo que vinha desde a aldeia Kiriri, que era o improviso mesmo. O samba enredo era improvisado na avenida, no meio da festa.
Rabisco – Quais eram as temáticas mais abordadas nos sambas indígenas? É que os sambas mais recentes falam muito de amor, de solidão. Eles abordavam perdas ou era algo mais voltado para a natureza?
Fábio – Os temas preferidos dos Kiriri e que se conservou até os primeiros sambas gravados, no Rio de Janeiro, trazem a temática mais voltada para a natureza. Havia várias músicas: os sambas falando de animais, flores, da floresta e rios, tudo mais; havia sambas de valentia, que o cantador era mais valente que o outro ou que os índios daquela aldeia eram mais valentes que os do outro povo da outra tribo. A questão da valentia está na origem do desafio dos cantadores nordestinos, que se apresentam nas feiras uns acompanhados com um pandeiro ou viola ou com pandeiro e viola. Isso vem dessa herança. Essa questão que a gente poderia chamar de dor-de-cotovelo não era um tema que fosse usado, na época. Uma coisa interessante é que houve vários contatos dos jesuítas com os povos que já tinham uma musicalidade mais organizada, como os Kiriri tinham, e me parece que onde eles menos mexeram foi no samba. Eles contribuíram com o instrumental, porque nem a letra e nem a dança eram eróticas. Não havia uma sensualidade a ser reprimida, digamos, na visão dos jesuítas. Eu acho que esse “não mexer” foi uma coisa que contribuiu para que o samba chegasse até o começo do século 20, mesmo quando não havia mais uma ligação com os Kiriri, diretamente, ou que imaginassem que existia esta herança, com uma melodia, estrutura e os temas semelhantes. Tanto que eu me dei conta, quando eu elaborei o material do meu curso de História da Música Brasileira, que quando o samba começa a ser gravado, ele se ajusta tão perfeitamente à forma Rondó – que eu já vou dizer o que é – que parece que ele nasceu com ela. O que é a forma Rondó? Começa a música pelo refrão, depois tem uma segunda parte e se volta ao refrão, vai para terceira parte e volta para o refrão. O choro é assim, as marchas de carnaval são assim e o samba passou a ser assim, mas não houve nenhuma violência em relação às formas primitivas neste ajuste de forma Rondó, porque, de alguma forma, ele era assim, só que era improvisado. Havia duas formas principais, que era este que se encaixava direitinho na forma Rondó – que era refrão, o coro repete refrão, o tirador improvisa, o coro repete o refrão, até a noite acabar -, e tem um outro tipo bastante tradicional em que o tirador faz um verso, o coro repete aquele verso, cada verso que o cantador faz, o coro repete um refrão pequeno. Isso tem, por exemplo, até no “Pelo Telefone”, que é um samba que foi registrado pelo Donga, os autores são Donga e Mauro de Almeida, mas há uma citação de um samba pernambucano, “olha a rolinha”, que é citado, pelo menos, no século 19, e está naquela parte: “olha a rolinha/ sinhô sinhô/ se embaraçou/ sinhô sinhô”. Esse refrão curtinho, no original, em Pernambuco era “doce doce” - “olha a rolinha/ doce doce/ mimosa flor/ doce doce”. Eu não digo nem que eles tenham alterado o refrão porque deixaram todo o resto, provavelmente esta alteração se deu no transporte desta música até o Rio de Janeiro, que agora a gente canta aqui. Já havia partitura, mas nem todas as músicas tinham partitura, principalmente os sambas improvisados e não tinha gravação. Então, o Bernardo fala disso no livro, nessa possibilidade de alterações de refrão, de inclusões de novas letras até por conta do improviso...
Rabisco – Engraçado você comentar isso, porque eu iria perguntar se houve algum samba Kiriri chegou até o século 20, mantendo a composição mais ou menos original.
Fábio – Existem descrições de festas por viajantes dos séculos 16 e 17, mas eu acredito que não porque, muito provavelmente, os Kiriri ainda estavam cantando em Kiriri (risos) e não em Português ou em Nheengatu, que é a língua geral Tupi. Nheengatu significa língua bonita, língua boa, fala boa, em Tupi. Então, eu não sei nem se os viajantes teriam interesse nisso, mas não havia condições lingüísticas deles registrarem o que se cantava. Talvez, em alguns registros dos indígenas, a gente encontre, mas não sei. O primeiro registro de língua indígena brasileira, no caso Tupi, foi feito por um francês, Jean de Léry, em 1557 e ele registra uma música que um índio do Rio de Janeiro, provavelmente seria Tupinambá, apresentou para ele. É claro que a aquela questão de ser um francês, que não era o povo que estava convivendo com o povo indígena, registrando como ele entendia. Enfim, há um registro e foi feita uma partitura a partir disso e Villa-Lobos até fez um arranjo que se chama “Canindé Iuné”. Não é Kiriri, mas talvez seja provavelmente o registro mais antigo de música indígena brasileira; porque havia uma dificuldade da língua e até um certo desinteresse da elite que poderia colocar isso em uma partitura. Então, talvez a gente encontre alguns desses registros, mas eu acho difícil que alguma coisa autenticamente Kiriri tenha sido registrada ou sobrevivido.
Rabisco – Como você pretende publicar esta pesquisa?
Fábio – O que eu sugeri ao Ministério foi elaborar duas publicações: uma com este levantamento, digamos, com o que seria a comprovação científica da origem, ou seja, um resultado de pesquisa; e outro com uma antologia do samba, pegando estes textos de relatos dos viajantes, dos séculos 16...17, cartas jesuíticas, notícias de jornais do Recife, Fortaleza e Maceió, falando – geralmente mal – das pessoas que faziam samba (risos). Falar dos blocos de samba que desfilavam em Recife no final do século 19 e começo do século 20. É fazer algo que a gente pode chamar de uma antologia, que seja tanto documental quanto literária porque são textos que fazem relatos do nosso sentimento e da nossa história que estão disponíveis. Claro, a gente pode descobrir coisas inéditas neste levantamento, por isso eu não quero oferecer coisas muito fechadas de como vai ser e quanto tempo vai levar porque pode vir uma surpresa, mas eu acho importante. Hoje, eu sei que no Carapuceiro, em 22 de novembro de 1837, o padre Lopes Gama falou mal do samba. Foi a primeira vez que em um jornal apareceu a palavra samba . Agora, eu conheço citações de duas ou três frases deste texto. Será que não era interessante disponibilizar este texto completo para as pessoas? Neste texto em que ele está falando mal do samba estão elementos falando de coisas que estão desde aquele tempo ligadas a essa cultura. Nesse texto de 1837, ele fala de sambistas hipotéticos como Janjão da Pinguela e Quimquim do Riacho, com nomes semelhantes ao de cantadores caboclos que a história registrou, como por exemplo, Mané do Riachão e Inácio da Catingueira. Acho que, de repente, o ideal seria colocar esses textos à disposição do público, reunidos. Montar esse panorama. Há textos de ficção, contos premiados no Jornal Pequeno , jornal de Recife que foi feito em 1904...1907...descrevendo peças de samba. Eu acho interessante. É claro que, no decorrer da pesquisa, o Ministério pode sugerir outras coisas. Instituições parceiras que venham colaborar conosco também podem fazer outro material. Eu mesmo posso vir até ter idéia de algo mais. Pelo menos, esses dois eu acho que são fundamentais. A gente inicia pensando, no mínimo, nestas duas publicações.
Outras referências sobre o assunto:
* A Pré-História do Samba – http://www.brasileirinho.mus.br/pre-historia-samba/menu.htm 
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