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Rabisco - Revista de Cultura Pop Rabisco - Revista de Cultura Pop
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11 a 26 de maio de 2007

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CINEMA AO AR LIVRE
Parque da Juventude exibe filmes brasileiros em supertelão
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )
Fotos: Thiago Vieira ( thiago@rabisco.com.br )

á pensou assistir a um filme em um telão de cinema montado à noite dentro de um parque? Essa idéia, que pode parecer maluca, ocorreu durante seis noites no Parque da Juventude, situado onde, até pouco tempo, era o presídio do Carandiru, na zona norte de São Paulo. Filmes como Antônia , Trair e Coçar é só Começar , Doutores da Alegria, Irmã Vap – O Retorno, Cinema, Aspirina e Urubus , puderam ser vistos gratuitamente pelo público paulistano. Trata-se de uma tentativa de democratizar o acesso ao cinema a um maior número de pessoas, que, por muitas vezes, não têm condições de assistir filmes, ainda mais no caso de películas nacionais, tão pouco exibidas nas grandes e caríssimas redes de cinema dos shopping-centers da capital paulista.

A reportagem do Rabisco esteve na estréia do evento, ocorrida no feriado de 1º de maio, quando ocorreu a exibição de Antônia , filme de Tata Amaral, em que q uatro amigas de infância sonham em viver da música e formam um grupo que faz sucesso até enfrentar problemas com o dia-a-dia violento em que vivem . O problema é que era uma terça-feira fria, que espantou um pouco o público, não chegando a trezentos espectadores, frustrando a expectativa dos organizadores de receber mil pessoas por sessão. Difícil de compreender, já que a estação Carandiru do metrô fica ao lado do parque. A provável e rotineira pouca divulgação de um evento cultural no Brasil, aliada ao feriado, também pode ter contribuído para essa ausência. Idéias se multiplicam, mas suas execuções sempre sofrem para alcançar as pessoas que são o objetivo de ações como essa.

Um enorme descampado foi disponibilizado para abrigar o público. O chão era composto por pedras pequeninas, assemelhando-se ao cascalho. A organização do evento pedia que fosse levado de casa uma toalha, almofada ou cadeira para todos se acomodarem. Mas poucos aderiram, preferindo sentar no gramado ou mesmo ficar em pé. Ainda assim foram dispostas pelos próprios organizadores algumas cadeiras de plástico, todas tomadas pelo pessoal que chegou mais cedo.

O público, formado em sua maioria por jovens e adolescentes, aproveitou o programa noturno de fim de feriado prolongado. A beleza da lua cheia em um céu limpo trouxe um clima romântico para os casais que podiam comer pipoca de um velho carrinho, com o costumeiro senhor de idade a vender pipoca doce ou salgada, ao gosto do freguês. Guardas do parque garantiram a segurança do local, que ainda está em obras, com áreas fechadas de serviços inacabados aos montes.

Para viabilizar um cinema ao ar livre de qualidade, a Rain Brasil Cinema Digital, organizadora do evento, que contou com o apoio do Governo do Estado de São Paulo e do Ministério da Cultura, colocou uma tela de cinco metros de altura por nove metros de largura, ou seja, uma verdadeira tela de cinema, montada em uma estrutura metálica. Um projetor digital de alta definição foi disposto há 40 metros da tela para exibir os filmes com a melhor precisão possível.

O áudio proporcionava alguns poucos ecos, nada grave. Somente as crianças que brincavam no playground do parque, nas costas da platéia, interrompiam o silêncio dos que prestavam atenção na estória das “Antônias” do filme. A pouca luz do parque, iluminado apenas por pequenos postes de luz laranja, fez com que o local se assemelhasse a uma sala de cinema, excetuando-se os prédios carregados de luzes diversas, o movimento da avenida Ataliba Leonel em frente e do metrô pelo alto, que passava de tempos em tempos e trazia um colorido diferente atrás do telão.

A uma hora e meia de exibição do filme ocorreu em um clima bastante agradável, indicando que a iniciativa poderá ter o retorno desejado caso seja contínua, com mais apresentações da sétima arte para o público que carece tanto de acesso à cultura.