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11 a 26 de maio de 2007

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O CAÇADOR DE MAGIA
Marc Foster é admirado por agregar criatividade a produções do circuito comercial de cinema
por Lon Andrade ( lon_andrade@yahoo.com.br )
Fotos: Divulgação

  rovavelmente, no final desse ano, O Caçador de Pipas chegará às telas de cinema. O best-seller de Khaled Hosseini dispensa grandes apresentações, ganhou o mundo com a história primorosa e envolvente de Amir, que volta ao seu Afeganistão natal para encontrar um país completamente diferente de sua infância passada atrás de pipas ao lado do melhor amigo, Hassan. Nos cinemas, o diretor responsável pela adaptação é o habilidoso Marc Forster.

Forster por si só pode até ser um nome pouco conhecido por grande parte do público brasileiro. Nos EUA e Europa seu nome já é citado como pertencente a uma categoria de diretores: aqueles capazes de harmonizar a criatividade, cada vez mais propriedade do chamado circuito alternativo, com as exigências características do circuito comercial. E em sua filmografia constam dois perfeitos exemplos dessa retórica: Em Busca da Terra do Nunca e Mais estranho que a ficção. O primeiro, conduzido como uma fábula, conta a história do escritor inglês James Barrie e sua inspiração para a criação de Peter Pan. O segundo traz a trajetória de um fiscal do imposto de renda que descobre ser personagem de um livro de uma escritora que sequer o conhece. Em ambos fica presente um Forster competente ao passear pela história sabendo extrair o que há de melhor nela – principalmente em Mais Estranho que a ficção , onde o interessante roteiro de Zach Helm ganha uma dimensão maior, quase um conto moral, sem perder a fluidez narrativa.

“Eu achava que Marc Forster era o rei da depressão, porque só tinha visto um filme dele, A Última Ceia . Ele nunca poderia ser a pessoa certa para dirigir nossa pequena comédia. Mas depois de ver dez minutos de Em Busca da Terra do Nunca, mudei de idéia”, disse certa vez a produtora de Mais Estranho que a ficção , Lindsay Doran. E, de fato, quem assiste aos primeiros trabalhos de Forster pode até ter essa mesma impressão. Everything Put Together e A Última Ceia são dramas feitos com orçamentos baixos e que primam pela realidade das cenas, o que acaba intensificando os conflitos vividos pelos personagens. É interessante ver que, quando todos passaram a notar o seu talento com esses dois filmes dramáticos e intensos, Forster partiu para um filme lírico e, dois anos depois, dirigiu uma comédia surreal [ Em Busca da Terra do Nunca e Mais estranho que a ficção, respectivamente].

Existem aqueles que acham que um diretor, por melhor que seja, jamais deve facilitar o acesso à sua obra - para ser bom é preciso construir obras que se distanciem do gosto popular. Segundo eles o espetáculo dos grandes filmes perdeu a mágica. Daí o grande destaque dado às produções e festivais independentes. E há uma lógica nisso: grande parte dos filmes produzidos para o circuito comercial está longe de qualquer denominação criativa e artística. O problema é que nisso não está uma impossibilidade de se devolver a magia aos filmes de orçamentos maiores. E Marc Forster parece ser uma boa lembrança disso quando um olhar cuidadoso é destinado aos seus filmes recentes.

Aparentemente distintos, os filmes de Forster tem em comum a preocupação em lidar com a introspecção das emoções. Para quem pôde assisti-los fica claro que em todos existe uma câmera apta a extrair o modo de pensar das personagens. Uma preocupação que se manteve intacta, mesmo quando seus filmes tinham como alvo um público maior e amplo – um bom exemplo aos que acreditam que “público maior e amplo” seja sinônimo de conduções superficiais. Talvez seja cedo dizer que Marc Forster devolveu a magia ao espetáculo. Mas é inegável sua capacidade para a tarefa. Que venha O Caçador de Pipas.