O SOM QUE FAZ TRANSCENDER PENSAMENTOS
Orquestra Sinfônica da USP encanta Sala São Paulo com apresentações de obra do compositor finlandês Jean Sibelius.
por Rodrigo Herrero ( rodrigo@rabisco.com.br )
Fotos: Divulgação Osusp - Sibelius WebSite
música erudita costuma elevar o pensamento humano a níveis que ele não está acostumado. Pelo menos é essa a impressão que fica durante a audição do espetáculo proporcionado pela Orquestra Sinfônica da Universidade de São Paulo (OSUSP) que fez uma homenagem ao compositor finlandês Jean Sibelius (1865-1957) executando a “Sinfonia nº 2” . No programa também constou “Transfigurationes”, de Mario Ficarelli (dos maiores conhecedores da obra de Sibelius) e o “Concerto nº 3 para piano e orquestra”, de Sergei Prokofiev.
O concerto ocorreu no dia 29 de maio, uma terça-feira friorenta, de temperatura das mais baixas na capital paulista. Mas nem isso espantou o bom número de pessoas que assistiram a apresentação da orquestra, comandada pelo maestro Carlos Moreno e acompanhada pela solista Sylvia Thereza (com seu indefectível vestido vermelho e sua forma toda especial de tocar o piano, quase martelando-o) no número de Prokofiev.
Ao presenciar uma exibição como afinada aquela, é possível “sair do próprio corpo”, se deixando levar pelos inúmeros sons e emoções que aqueles instrumentos emitem a cada aceno do maestro, que se movimenta de um lado para o outro, para tirar o máximo de cada músico e evidenciar a beleza de cada obra de autores tão significativos quanto os que foram escolhidos para esta série de espetáculos.
Algo interessante é que a mesma apresentação ocorreu, no dia anterior, no Anfiteatro Camargo Guarnieri, com entrada gratuita, para dar a oportunidade de mais pessoas verem as peças, em mais uma edição dos Concertos Comentados ao Meio-Dia , realizada na Cidade Universitária, zona sul de São Paulo.
Obras - Jean Sibelius é apontado como um grande responsável pela afirmação da identidade de seu país, pois suas composições são marcadas pela melancolia das canções populares, das paisagens, da história e da mitologia nacionais. A “Sinfonia nº 2” , considerada a mais popular e elaborada dentre as compostas por ele, baseia-se no período em que a Finlândia esteve vinculada à Rússia, entre 1809 e 1917.
“Transfigurationes” relaciona-se ao conceito de mudança radical, seja na aparência, no caráter ou na forma, e foi inspirada em fundamentos da teoria do astrônomo Johannes Kepler, um estudioso dos movimentos realizados pelos planetas. Já o Concerto nº 3 para piano e orquestra, de Prokofiev, foi composto inicialmente em 1917, durante os nove meses em que o músico se exilou na região do Cáucaso fugindo dos conflitos ocasionados pela Revolução Russa.
Projeto - Mais um concerto deste projeto envolvendo a OSUSP ocorreu semana passada, nos dias 25 e 26 de junho, respectivamente no Anfiteatro Camargo Guarnieri e Sala São Paulo, onde a OSUSP lembrou os 50 anos da morte do maestro italiano Arturo Toscanini. Foram executadas peças famosas de Wolfgang Amadeus Mozart, Giuseppe Verdi e Giacomo Puccini. Para mais informações sobre esse espetáculo, acesse o site da OSUSP ( www.usp.br/osusp ).  |